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terça-feira, 25 de abril de 2017

LAGARTA COMEDORA DE PLÁSTICO


A descoberta de uma larva capaz de devorar polietileno, um dos materiais plásticos mais resistentes que existem, utilizado em embalagens, oferece a perspectiva de biodegradar rapidamente um poluente que leva séculos para se decompor no meio ambiente, contaminando especialmente os oceanos.




Os dejetos plásticos são um problema ambiental mundial, sobretudo o polietileno, particularmente resistente e que muito dificilmente se degrada naturalmente. O polietileno é usado, sobretudo, em embalagens e responde por 40% da demanda total de produtos plásticos. Todos os anos, um trilhão de sacos plásticos é usado no mundo, e cada indivíduo usa, em média, mais de 230 destes por ano, produzindo mais de 100 mil toneladas de dejetos. Atualmente, o processo de decomposição química desses rejeitos plásticos com produtos muito corrosivos, como o ácido nítrico, pode levar vários meses. Deixado na natureza, levará um século para que esses sacos plásticos se decomponham completamente. No caso dos plásticos mais resistentes, o processo pode levar até 400 anos. Em média, oito milhões de toneladas de plástico são descartadas todos os anos nos mares e nos oceanos do mundo, segundo um estudo publicado em 2015 na revista científica americana “Science”.



Os cientistas acreditam em que possa haver até 100 milhões de toneladas de dejetos plásticos nos oceanos. Pequenos fragmentos podem ser absorvidos por peixes e outras espécies marinhas, como tartarugas, provocando, inclusive, a morte desses animais. Eles apostam na lagarta comedora de plástico contra acúmulo de lixo. Esta lagarta que come sacolas de plástico pode ser a chave para combater a poluição ambiental, dizem os cientistas. Pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, descobriram que a larva de mariposa, que se alimenta da cera da colmeia de abelhas, também pode degradar plástico.
Experimentos mostraram que o inseto pode quebrar as ligações químicas do plástico de forma semelhante à digestão da cera de abelha. Por ano, cerca de 80 milhões de toneladas de polietileno são produzidas no mundo. Esse tipo de plástico, comum em material hospitalar e embalagens domésticas, leva cerca de 50 anos para se decompor na natureza. Entretanto, as lagartas de mariposa (Galleria mellonella) podem fazer buracos na sacola de plástico em menos de uma hora. 
O bioquímico Paolo Bombelli, da Universidade de Cambridge, é um dos pesquisadores do estudo publicado no periódico científico Current Biology. "A lagarta é o ponto de partida", disse Bombelli à BBC News. "Precisamos entender os detalhes de como o processo ocorre. Esperamos ter uma solução técnica para minimizar o problema do acúmulo de resíduos de plástico."
A descoberta é de Bombelli, em parceria com Federica Bertocchini, da Espanha. Com o trabalho, eles querem desvendar o processo químico por trás da degradação natural do plástico. Eles dizem acreditar que os micróbios da lagarta - assim como do inseto em si - possam desempenhar um papel na degradação do plástico. Se o processo químico for identificado, ele poderia colaborar com o problema do acúmulo de plástico no ambiente.
Paneja implementar essa descoberta numa maneira viável de livra dos resíduos de plástico, trazendo uma solução para salvar nossos oceanos, rios e todo o meio ambiente das consequências inevitáveis do acúmulo desse material. Entretanto, não deveríamos sentir que podemos deliberadamente jogar polietileno no nosso ambiente simplesmente por que sabemos agora que temos como degradá-lo.



Referência
http://www.corriere.it/scienze/17_aprile_25/insetto-mangia-plastica-tarma-cera-7c2ac80e-29c5-11e7-9909-587fe96421f8.shtml
http://www.bbc.com/portuguese/geral-39709352
http://istoe.com.br/traca-devoradora-de-plastico-e-esperanca-para-serio-problema-ambiental/
https://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/bbc/2017/04/25/cientistas-apostam-em-lagarta-comedora-de-plastico-contra-acumulo-de-lixo.htm

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