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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

PORQUE O BRASIL TEM POUCO DESASTRE NATURAL



O Brasil é um país abençoado, realmente: não temos aqui terremotos de grande escala, fortes furacões, tufões, vulcões em atividade e outras catástrofes que fazem parte da vida de milhões de pessoas no mundo, mas isso não nos poupa de outros desastres.





Estamos livres de uma série de desgraças como terremotos, vulcões e furacões por causa de fatores geológicos e climáticos. Catástrofes como sismos, vulcanismo e ondas gigantes estão ligadas aos movimentos na crosta da Terra. A gente nem percebe, mas sua superfície anda: ela está dividida em placas, que deslizam sobre o magma (rochas derretidas pelo calor) entre 1 e 20 centímetros por ano. Nos encontros dessas placas é que ocorre a maior parte dos terremotos e vulcões. “No Brasil não há limite de placas ativas: estamos em cima de uma grande placa. No entanto, alguns abalos sísmicos de baixa intensidade podem ser sentidos por aqui. Eles são reflexos de terremotos ocorridos nos Andes ou de pequenos movimentos que nossa estrutura geológica ainda provoca. Estamos sobre zonas que já foram ativas entre 600 milhões e 800 milhões de anos atrás. A pouca ocorrência de ventos devastadores como furacões, tufões e ciclones é devida à baixa temperatura do mar – nossos mares dificilmente atingem os 26,5 graus necessários para a formação das piores tempestades.
Em contraposição, temos outros problemas, que podem ser considerados desastres naturais quando fazem vítimas. Os mais substanciais são a seca, a geada, as enchentes, a desertificação, a erosão, as queimadas e os escorregamentos. Os desastres que mais matam gente no Brasil são os escorregamentos. Já o processo de seca é o que mais causa sofrimentos e está historicamente ligado ao Nordeste. As calamidades que acontecem aqui são causadas por um conjunto de fatores não só climáticos: o dedo do homem é fator decisivo nesse prejuízo. Isso porque ele desconhece o solo onde mora e acaba antecipando o desastre. Como, por exemplo, levantar casas em beiras de rios, em encostas de morros ou mesmo construir hidrelétricas sem preocupação com a manutenção adequada. Por isso, podemos dizer que há tempos as coisas aconteciam por razões geológicas, mas hoje elas se dão em boa parte pelas mãos humanas. O homem dá um empurrãozinho à catástrofe, muitas vezes sem nem mesmo tomar consciência disso.

ENCHENTE
Basta chover um pouco e as grandes cidades brasileiras ficam em estado de calamidade. Isso não acontece por acaso. As enchentes e inundações são, sem dúvida, alguns dos maiores problemas do nosso século. Para entender por que isso acontece, é preciso antes definir alguns conceitos. Enchente acontece quando as águas da chuva, ao alcançarem um curso d´água, causam o aumento na vazão por certo período de tempo. Ou seja, a quantidade de água é maior do que o espaço onde ela ficaria. Como em um copo cheio, a água transborda. Quando a água extravasa e toma as ruas, marginais e casas, ocorre a inundação. Ela é a verdadeira responsável pelas grandes desgraças e mortes urbanas. Os motivos são um conjunto de fatores, entre eles estão os climáticos, geológicos e, determinantemente, a ação humana. Nas cidades, os sistemas de drenagem geralmente são obsoletos, foram desenvolvidos para funcionarem durante um tempo determinado e nunca são trocados ou modernizados. Assim, estão entre os grandes responsáveis pelas. Assim, estão entre os grandes responsáveis pelas inundações. Por outro lado, o homem constrói suas casas até na beira do rio e ocupa a linha do canal responsável pelo escoamento. Dessa maneira, a água não tem para onde ir e inunda as casas. As inundações que acontecem ao longo de córregos e ribeirões, localizados fora do sistema principal de drenagem, geralmente têm como causas o grande número de bueiros e pontilhões obstruídos ou com seção insuficiente, o assoreamento dos cursos d'água decorrente de uso e ocupação inadequada. Em geral, nas grandes cidades, muitas áreas de risco de enchentes estão relacionadas com a ocupação de favelas nas margens de córregos. Nesses não é só a inundação que causa grandes prejuízos, há também os escorregamentos de casas nos morros.

QUEIMADA
O fogo foi uma descoberta essencial do Neolítico, mas, mal utilizado, provoca grandes problemas na agricultura brasileira. As queimadas ocorrem em todo o território brasileiro e são causadas por vários fatores, desde as formas primitivas de plantio até as praticadas por caboclos e indígenas. Infelizmente, esse tipo de atividade ainda é largamente usado na limpeza de áreas, na colheita de cana-de-açúcar, na renovação de pastagem, na queima de resíduos para eliminar pragas e como técnica de caça. Seu impacto ambiental preocupa a comunidade científica, pois o fogo não se limita às regiões tropicais, tornando-se com frequência incêndios florestais. E o pior: o fogo afeta diretamente a físico-química e a biologia dos solos, deteriora a qualidade do ar, levando em alguns casos até o fechamento de aeroportos por atrapalhar a visibilidade, reduz a biodiversidade, prejudica a saúde humana e, ao fugir de controle, atinge o patrimônio público e privado. As queimadas ainda alteram a química da atmosfera e influem negativamente nas mudanças globais, tanto no efeito estufa como na camada de ozônio. Atinge o patrimônio público e privado. As queimadas ainda alteram a química da atmosfera e influem negativamente nas mudanças globais, tanto no efeito estufa como na camada de ozônio.

GEADA
Entre os vários fenômenos que ocorrem no Brasil, a geada é um dos que causam mais prejuízos, principalmente com relação à agricultura e à economia. Ataca geralmente durante os meses de inverno no hemisfério sul, quando se observa na região Sul, Sudeste e Centro-oeste do país a ocorrência de temperaturas baixas. Esse fenômeno deixa a temperatura do ar abaixo de 0 grau, com a formação de gelo nas superfícies expostas. Sua intensidade pode variar e se intensificar quando associada a mais dois acontecimentos: o primeiro é a incursão de massa de ar polar sobre os continentes em que o vapor d´água depositado na superfície transforma-se numa camada de gelo, devido a temperaturas menores que zero grau. O segundo é que, com o calor do sol, derrete-se o gelo que havia se formado nas plantas durante a noite, mas estas ficam escurecidas e queimadas, pois suas células morrem. Em geral as geadas formam-se nas noites claras e calmas. Por outro lado, quando há ventos, a água evapora mais facilmente, impedindo a sua formação. Uma das piores geadas do Brasil ocorreu em 1972 e trouxe danos às plantações de café no Paraná e vizinhanças. Em 1975, novas geadas causaram perdas à cafeicultura do estado de São Paulo.

ESCORREGAMENTO
Os escorregamentos são um dos maiores desastres do Brasil. O fenômeno ocorre quando o material, que pode ser terra ou rocha, que está na parte alta, vai para baixo, puxado pelo movimento gravitacional. Isso acontece porque a tendência do planeta é aplainar os terrenos. O escorregamento é um processo natural, que hoje em dia é acelerado pela atuação do homem. O solo tem uma resistência natural, que vai ser quebrada pela água e pelos cortes nos terrenos. Eles acontecem com frequência na época das chuvas fortes em regiões de relevo acidentado. O termo escorregamento abrange todo e qualquer movimento coletivo de materiais rochosos e terrosos. Esse fenômeno engloba um conjunto de fatores. Entre eles, o terreno já apresentar uma predisposição para escorregar por conta de fatores como alta declividade. Os escorregamentos mais comuns no Brasil são os induzidos. A construção de casas em morros exige cortes e aterros, o que modifica a inclinação das encostas, a morfologia do terreno e piora a condição natural do local. Uma união entre um terreno que já tem tendência a descer e a ação do homem, que constrói sua casa retirando a cobertura vegetal e executando cortes e aterros inadequados, resulta no desastre. Essa combinação expõe a superfície do solo, que é facilmente levada pela chuva em um processo muito simples: a saturação do solo acaba envolvendo a maioria das partículas por um filme de água. A diminuição do atrito entre elas permite o seu movimento pela força gravitacional. É exatamente isso o que aconteceu em 1967 na Serra do Mar, em São Paulo, quando o escorregamento de várias casas destruiu estradas e soterrou bairros da cidade de Caraguatatuba. Em 2011 na região serrana do Rio de Janeiro, causada em parte pela ocupação irregular das encostas onde extrai a cobertura vegetal, desvia o curso das águas, ocupa os canais e arma o palco para a tragédia. Já no Vale do Itajaí em Santa Catarina, chuva torrenciais caem na região, causadas geralmente pelo furacão Catarina, causam o encharcamento do solo e consequentemente o ecorregamento.


A classificação dos escorregamentos e características do movimento / material / geometria:

RASTEJO (CREEP)
  • Vários planos de deslocamento (internos) 
  • Velocidade muito baixa a baixa (cm/ano) e decrescente c/ a profundidade 
  • Movimentos constantes, sazonais ou intermitentes 
  • Solo, depósitos, rocha alterada/fraturada 
  • Geometria indefinida
ESCORREGAMENTOS
  • Poucos planos de deslocamento (externos) 
  • Velocidades médias (m/h) a altas (m/s) 
  • Pequenos a grandes volumes de material 
  • Geometria e materiais variáveis: 
    1. Planares: solos pouco espessos, solos e rochas com um plano de fraqueza 
    2. Circulares: solos espessos homogêneos e rochas muito fraturadas 
    3. Em cunha: solos e rochas com dois planos de fraqueza
QUEDAS (FALLS)
  • Sem planos de deslocamento 
  • Movimento do tipo queda livre ou em plano inclinado 
  • Velocidades muito altas (vários m/s) 
  • Material rochoso 
  • Pequenos a médios volumes 
  • Geometria variável: lascas, placas, blocos etc. 
  • Rolamento de matacão / Tombamento
CORRIDAS (FLOWS)
  • Muitas superfícies de deslocamento (internas e externas à massa em movimentação) 
  • Movimento semelhante ao de um líquido viscoso 
  • Desenvolvimento ao longo das drenagens 
  • Velocidades médias a altas 
  • Mobilização de solo, rocha, detritos e água 
  • Grandes volumes de material 
  • Extenso raio de alcance, mesmo em áreas planas
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DESERTIFICAÇÃO
No Brasil, o desmatamento desordenado, a queima constante de madeira e as inadequadas práticas agropecuárias nas zonas de fronteira agrícola como o Amazonas Meridional expõem o solo e seus constituintes. Essa matéria orgânica é rapidamente degradada, reduzindo as condições de plantio. A desertificação desequilibra o balanço entre os nutrientes, umidade e solo existentes na região e, portanto, também provoca modificações ecológicas, que culminam com as mudanças climáticas, passando de semiárido para árido rapidamente. A desertificação é um processo muito comum no sul do país devido à erosão e às maneiras erradas e excessivas de plantio. Todo o processo de erosão leva a um desgaste do solo que o torna impróprio para qualquer tipo de plantio. Mas, para acontecer isso, é preciso já ter um solo predisposto a esse fenômeno. Como, por exemplo, os solos mais arenosos, porque eles não dão condições de fixação de plantas. Nesse tipo de solo, quando a água cai, os grãos de quartzo não são grudados um ao outro, então a água passa e leva-os embora.

SECA
A seca é historicamente uma das piores catástrofes do Brasil. Acontece em uma região quando ela fica um longo período sem chuva. No entanto, em cada local a seca é decretada em determinado tempo. Na região Sul do
Brasil, se passar dois meses sem chover já está concretizada a seca, porque lá existe um regime bem definido de chuvas. Mas a região que mais sofre é o Nordeste. Lá, o solo perde os nutrientes, os animais e plantas morrem e o homem padece. Essas secas são tão intensas que populações inteiras abandonam suas casas em busca de terras verdes. Nesses lugares, o problema permanece, apesar de todos os esforços feitos no sentido de provocar chuvas artificiais ou de atrair nuvens por meios químicos. O plano de valorização e recuperação dessa imensa área através do combate à seca inclui a construção de grandes açudes como o de Orós, no estado do Ceará, onde são represadas as águas do rio Jaquaribe. Com relação ao Nordeste, é possível esperar mais, porque o solo já está acostumado com o clima. O mais curioso é que a seca do Nordeste é um problema que existe há muito tempo, pelo menos desde a época de Dom Pedro I, e já foram encontrados registros do fenômeno que datam cerca de três séculos.

EROSÃO
Outro processo catastrófico e muito comum em algumas regiões do Brasil é a erosão. Só no estado de São Paulo são mais de 6.000. Elas representam a perda do solo e a formação de grandes crateras, impossibilitadas para agricultura. Esse processo aflige várias partes do país, especialmente a região oeste, onde os terrenos são mais propícios. Nessa região, existem áreas com perdas de mais de 200 milhões de toneladas de solo por ano em função da atividade agrícola malfeita. Elas também são vistas na Serra da Mantiqueira (sul de Minas Gerais), Vale do Paraíba, colinas do oeste de São Paulo e norte do Paraná. As erosões são chamadas também de voçorocas e são temidas pelos moradores locais porque são destrutivas e se ampliam com facilidade, ameaçando campos, solos cultivados e zonas de povoamentos. Em termos gerais a erosão é a remoção dos compostos do solo ou fragmentos de rochas pela ação conjunta da gravidade do terreno e da força da água. Vários fatores podem causar a erosão: o tempo, a ocupação de terrenos iniciada pelo desmatamento, seguida pelo cultivo da terra, implantação de estradas, criação, expansão de vilas e cidades efetuadas de maneira inadequada. A erosão pode ser causada pela chuva e é iniciada pela ação do impacto das gotas d'água na superfície do terreno, sobretudo quando ele está desprotegido da camada vegetal. Isso facilita o desprendimento dos compostos que constituem o solo, facilitando o seu escoamento. As erosões em áreas urbanas são problemas graves. Ela provoca o assoreamento (rios cheios de areia e sem água) dos rios e causam as enchentes. Existem medidas que podem ser tomadas para evitar esse processo: uma delas é não fazer obras de prédios e casas em épocas de chuvas, porque a água leva a terra para os rios. A outra seria vegetar os córregos para proteger as margens dos rios, pois ela segura um pouco da água, criar bocas de lobo, sistema de drenagem e fazer ruas de paralelepípedo, pois as ruas de asfalto não permitem o escoamento das águas.
São bem terrenas as causas dos desastres naturais que se multiplicam no Brasil. Após um 2011 de devastação na Serra na Fluminense, enchentes avassaladoras no Sul e no Sudeste e um início de 2012 com a pior seca em três décadas no Nordeste, não resta lugar para o mito de que este é um país imune aos desastres naturais. Na verdade, somos muito vulneráveis. Mas as mudanças climáticas que alteram padrões temperatura e chuva pelo planeta afora, não são as maiores culpadas pelo aumento de tragédias naturais no Brasil. A principal causa de perdas de vidas e bens é humana; é a urbanização galopante e mal planejada.

FONTE: Revista Geografia - uol/super.abril.com.br/ciencia hoje/ revista geociência/ dicionario geológico/ 
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