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quinta-feira, 7 de junho de 2012

CENTOPEIA


A palavra “centopeia” tem origem em centumpeda e centipeda, que, em latim, significam “com cem pés”. Apesar de o nome ser bastante sugestivo, há alguns probleminhas com ele: em primeiro lugar, as pernas das centopeias não possuem “pés”, mas apenas uma garra em sua extremidade; em segundo lugar – e mais importante –, não se conhece nenhuma centopeia com cem pernas!


A Scolopendra viridicornis pode atingir mais de 10 centímetros de comprimento, e ocorre em boa parte do Brasil. Observe bem a foto e veja que essa espécie possui 21 segmentos e, portanto, 42 pernas, sendo que o último par é o maior e pode ser usado para ajudar a segurar suas presas. Mas atenção: a cabeça – à esquerda na foto – não entra na conta! . Os cientistas já catalogaram mais de 3 mil espécies de centopeias ao redor do mundo, sendo que 145 delas foram registradas no Brasil. Todas as centopeias possuem um corpo alongado, formado por uma cabeça e vários segmentos, cada um com um par de pernas – uma perna para cada lado. Dependendo da espécie, o número desses segmentos pode variar de 15 a 191, o que quer dizer que as centopeias têm entre 30 e 382 pernas. Porém, para possuir 100 pernas, o corpo de uma centopeia precisa ter 50 segmentos, certo? Mas é aí que vem a primeira curiosidade: não se conhece até hoje nenhuma centopeia em que o total de segmentos do corpo seja um número par, e, por isso, nenhuma delas tem exatamente 100 pernas. Outro fato curioso é que, embora algumas espécies tenham mais de 100 pernas, a maioria possui apenas 30, 42 ou 46 pernas – ou seja, 15, 21 ou 23 segmentos.
Muita gente confunde os piolhos-de-cobra com centopeias. Embora ambos sejam parentes próximos na história evolutiva, os piolhos-de-cobra possuem uma diferença marcante: dois pares de pernas por segmento do corpo. Além disso, não possuem forcípulas inoculadoras de veneno. Em algumas regiões eles também são conhecidos por nomes como “gagogi” e “gongolô” . Este artropodo apresenta toxinas liberadas quando o animal se sente ameaçado ou quando é esmagado.
As centopeias também são conhecidas por “lacraias”, palavra que surgiu a partir de al’aqrab, que, na língua árabe, significa “ferrão” ou “escorpião”. O motivo talvez seja o fato de as centopeias – que são carnívoras – possuírem um par de membros especiais sob a cabeça chamados “forcípulas”, capazes de injetar um veneno usado para paralisar suas presas. E fica a dica: se você encontrar uma centopeia, não tente pegá-la com as mãos, pois sua picada pode ser muito dolorosa! Uma das espécies de lacraia mais comuns em nosso país é a Scolopendra viridicornis.Scolopendra quer dizer “centopeia” em grego, enquanto viridicornis significa “chifre verde” em latim. O motivo desse nome é que, nesta espécie, a base das antenas (localizadas no topo da cabeça) tem coloração esverdeada.
A Scolopendra viridicornis faz parte de um grupo de centopeias com cerca de 600 espécies no mundo, chamado Scolopendromorpha – “forma de Scolopendra” em grego. Até pouco tempo atrás, todas as Scolopendromorpha conhecidas tinham 42 ou 46 pernas, mas a história mudou em 2008, quando pesquisadores apresentaram uma nova espécie do interior do Brasil. Batizada de Scolopendropsis duplicata, a nova centopeia apresenta 78 ou 86 pernas, ou seja, o dobro de pernas de muitas outras espécies do grupo Scolopendromorpha – daí o nomeduplicata, que, em latim, quer dizer “duplicado” ou “em dobro”. Por sua vez, o nome Scolopendropsis vem do grego “com aparência de Scolopendra”, pois as espécies desses dois gêneros são bem parecidas.
A Scolopendropsis duplicata foi encontrada no estado do Tocantins, em um local que hoje está inundado devido à construção de uma usina hidrelétrica. Após estudarem o material que tinha sido coletado e enviado para coleções científicas, três especialistas perceberam que se tratava de uma espécie até então desconhecida. Depois disso, os pesquisadores já procuraram indivíduos dessa centopeia em áreas próximas daquela onde foi descoberta, mas sem sucesso. As únicas fotografias existentes são dos exemplares conservados para estudo (Foto: Amazonas Chagas Júnior e colaboradores / Zootaxa / Magnolia Press 2008).

FONTE:  http://chc.cienciahoje.uol.com.br

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