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sábado, 1 de setembro de 2012

LIVRO NEGRO - PRAGAS URBANAS 3

Pragas urbanas são espécies de insetos ou animais que infestam os campos e cidades provocando danos à nossa saúde. E podem picar, morder, danificar alimentos e objetos e ainda transmitir doenças ao homem.




MOSCAS
As moscas pertencem à Ordem Diptera e possuem apenas um par de asas membranosas correspondente às asas anteriores, daí o nome da ordem (di = duas, ptera = asas). O par posterior transformou-se em duas estruturas, de tamanho reduzido, chamadas de halteres ou balancins, os quais dão equilíbrio ao inseto durante o voo. Os dípteros pertencem a um dos quatro maiores grupos de organismos vivos, existindo mais moscas do que vertebrados. Não ocorrem somente nas regiões ártica e antártica. Os dípteros apresentam metamorfose completa, isto é, apresentam as fases de ovo, larva, pupa e adulto. Conhece-se aproximadamente 120.000 espécies de dípteros e estima-se que existam mais 1 milhão de espécies viventes. Estas espécies estão divididas em 188 famílias e aproximadamente 10.000 gêneros, sendo que por volta de 3.125 espécies são conhecidos apenas por registros fósseis. O mais antigo destes data de 225 milhões de anos atrás. Podemos reconhecer as moscas pela cabeça, nitidamente distinta e móvel, com dois grandes olhos facetados, isto é, como se fosse dividido em várias partes (facetas). Algumas moscas possuem o aparelho bucal com capacidade para absorver líquidos enquanto que em outras o aparelho bucal é do tipo picador.

Do ponto de vista benéfico alguns dípteros são importantes para o homem, tais como as espécies de Drosophila que são utilizadas como animais experimentais principalmente para estudos genéticos. Algumas espécies são utilizadas como agentes de controle biológico de plantas daninhas bem como de insetos pragas. Algumas moscas são hematófagas, isto é, alimentam-se de sangue, como por exemplo, as mutucas, mosca-dos-estábulos, mosca-do-chifre, etc. Entretanto, algumas moscas, mesmo não sendo hematófagas, são muito importantes na saúde pública, como a mosca doméstica e a mosca varejeira. As primeiras atuam como transportadores mecânicos de agentes patogênicos (vírus, protozoários, bactérias, rickétsias e ovos de helmintos), as últimas causam as míiases, também conhecidas por bicheiras ou bernes. Moscas são muito comuns em áreas rurais e urbanas. No ambiente urbano algumas espécies adaptaram-se bem às condições criadas pelo homem, mantendo uma dependência chamada de sinantropia. Algumas espécies são altamente sinantrópicas, isto é, possuem grande adaptação ao ambiente urbanizado, enquanto outras são pouco sinantrópicas, ou seja, não apresentam tolerância ao processo de urbanização. Dentre as altamente sinantrópicas estão a mosca doméstica (Musca domestica), as moscas-dos-filtros (Telmatoscopus albipunctatus, Psychoda alternata, Psychoda cinerea, Psychoda satchelli), as mosquinhas (Drosophila spp.) e as moscas Chrysomya. As mosquinhas ou mosca da banana (Drosophila spp.), no ambiente urbano, são atraídas por frutas maduras ou lixo presentes no interior de residências, feiras e mercados. As moscas Chrysomya foram recentemente introduzidas no Brasil. São facilmente observadas em feiras livres sobre peixes, frangos, etc. Podem transmitir parasitas intestinais, poliomielite e doenças entéricas.


HÁBITO  Existem muitas espécies de moscas e comentarei sobre a mosca doméstica (Musca domestica), que é a espécie mais presente em áreas urbanas. Alimentam-se de fezes, escarros, pus, produtos animais e vegetais em decomposição, açúcar, entre outros. A mosca lança uma substância sobre o alimento para poder ingeri-lo, pois não consegue colocar nada sólido para dentro do organismo, somente matéria na forma líquida ou pastosa. É ativa durante o dia e repousa à noite. Preferencialmente pousam sob superfícies estreitas e longas (fios elétricos, galhos de árvores, rachaduras de paredes, etc.). Os locais por elas visitados apresentam manchas escuras, produzidas pelo depósito de suas fezes, e manchas claras, provocadas pelo lançamento de saliva sobre o alimento, para que depois possa ser sugado. 

CICLO DE VIDA  O tempo de vida varia de espécie para espécie, em geral de 25 a 30 dias. A fêmea coloca seus ovos (cerca de 100 a 150) em carcaças de animais, fossas abertas, depósitos de lixo, e outros locais ricos em substâncias orgânicas. Após aproximadamente 24 horas, ocorre o nascimento das larvas. Estas geralmente ficam agrupadas, são cilíndricas, esbranquiçadas, movimentam-se muito, não gostam de luz e alimentam-se ativamente. Após um período de 5 a 8 dias, as larvas abandonam a matéria orgânica onde estavam instaladas. A camada externa de pele das larvas se endurece formando uma casca (casulo), dentro da qual começa a haver transformação para mosca adulta, recebendo o nome de pupa. As pupas tem coloração marrom clara, não se movimentam, e, nem se alimentam. As moscas permanecem nesta fase por um período de 4 a 5 dias. Cabe ressaltar que quanto maior a temperatura e a umidade, mais rápido ocorrerá o ciclo de vida. 

IMPORTÂNCIA PARA A SAÚDE  As moscas domésticas são insetos que tem importância como vetores mecânicos, isto é, podem veicular os agentes em suas patas após pousarem em superfícies contaminadas com estes germes e pousarem nos alimentos, disseminando-os amplamente, e dessa forma transmitir várias doenças, tais como distúrbios gastrointestinais.

MOSQUITOS
O mosquito Culex incomoda, irrita e faz com que noites mal dormidas interfiram na vida das pessoas. Até o momento, não é considerado vetor de microrganismo patogênico no nosso meio. Os mosquitos, também conhecidos por pernilongos, muriçocas, sovela, mosquito-prego ou carapanãs pertencem à Ordem Diptera e possuem apenas um par de asas membranosas correspondente às asas anteriores, daí o nome da ordem (di = duas, ptera = asas). São de grande importância na saúde pública, pois podem transmitir várias doenças, como a febre amarela, dengue, malária, alguns tipos de encefalite, filariose, etc. Os mosquitos são também grandes causadores de incômodo, sendo que muitas áreas de recreação deixam de ser utilizadas devido a presença destes insetos em determinadas épocas do ano. Dentre as espécies importantes de mosquitos estão as do gênero Anopheles e Aedes.  

Hábitos  Atualmente no nosso município nos interessa conhecer dois gêneros de mosquitos: o Aedes e o Culex. Os mosquitos nutrem-se de seiva de plantas e somente a fêmea pica por necessitar de sangue para a maturação de seus ovos. A presença de água é fundamental para a existência de mosquitos porque é o meio pelo qual ele se utiliza para completar o seu ciclo evolutivo. Outro fator decisivo é a temperatura, que ao redor de 25ºC, corresponde ao desenvolvimento mais rápido e ao maior número de descendentes. Portanto a população tende a aumentar nas épocas de primavera e verão.  As fêmeas do gênero Culex quase sempre colocam seus ovos em águas poluídas, aclodindo após 48h. As do gênero Aedes, dispõem seus ovos na parede dos recipientes com água limpa e sombreada, próximo à linha d'água. Estes ovos podem permanecer viáveis por vários meses até um ano.  Os adultos vivem cerca de 30 dias. As fêmeas de Culex picam à noite e as de Aedes durante o dia.  Os mosquitos de ambos os gêneros estão perfeitamente adaptados às condições urbanas, pois o homem oferece criadouros artificiais como tanques, latas, caixas d'água, pneus e pratos de vasos para plantas com água limpa e em locais sombreados, para o Aedes completar seu ciclo biológico e criadouros naturais como valas e córregos poluídos, para o desenvolvimento do Culex.

Ciclo de vida  Os mosquitos, no seu desenvolvimento, apresentam duas fases distintas:
dependentes da água: ovo, larva e pupa; aérea: adultos. A duração do ciclo é regulada pela temperatura e disponibilidade de alimento e varia de 7 a 11 dias, aproximadamente. As larvas são visíveis na água, mas, a identificação da espécie infestante ocorre em laboratório.

Importância para a saúde  Pelo fato de as fêmeas se nutrirem de sangue, têm importância como vetores de doenças. O mosquito Culex incomoda, irrita e faz com que noites mal dormidas interfiram na vida das pessoas. Até o momento, não é considerado vetor de microrganismo patogênico no nosso meio. O Aedes, entretanto, pode ser vetor dos vírus da Dengue e Febre Amarela, quando apresentar-se infectado. Ao picar uma pessoa doente, adquire o vírus, que se multiplica em seu organismo e depois transmite-o a outras pessoas através da picada. 

Medidas Preventivas  Para controlar a população de mosquitos é necessário evitar os criadouros. Há medidas no âmbito do poder público e medidas referentes aos munícipes. Por conta do município fica a supervisão e tratamento de galerias de águas pluviais, redes de esgoto, valetas, obras em construção e cemitérios.

A participação dos munícipes consiste em:
  • Não deixar água parada exposta, limpa ou suja, em quaisquer recipientes como: caixas d'água, latas, garrafas, jarros, copos, pneus, pratos de vasos, tambores, fossas, valetas, piscinas sem tratamento; 
  • Não jogar materiais inservíveis em córregos, obstruindo-os, pois a água fica parada e pode servir de criadouro para mosquitos; 
  • Colocar areia grossa nos pratos de vasos de plantas, evitando que esta se torne um criadouro; 
  • Colocar flores em vasos de cemitério sem água, preenchendo-o com areia; 
  • Acondicionamento correto dos alimentos (em potes ou latas bem fechadas); 
  • Vedar caixas d'água; 
  • Não jogar materiais inservíveis em terrenos, pois podem acumular água da chuva e servir de criadouro. 
ARANHA MARROM
A Aranha Marrom possui hábitos noturnos, só pica quando não há possibilidade de fuga, por isso os acidentes mais comuns ocorrem quando a vítima esmaga uma contra o corpo ao se vestir. Das inúmeras espécies de aranha do Brasil apenas aquelas pertencentes ao gênero Phoneutria, Lycosa e Loxosceles são venenosas pela sua picada. As aranhas são animais da classe dos Aracnídeos, sendo conhecidas aproximadamente 35.000 espécies. O maior número de acidentes é provocado pela Aranha Armadeira, por ser agressiva e frequente em residências. A Aranha Marrom é considerada a mais venenosa. As aranhas peçonhentas não fazem teias, exceto a Marrom; sua teia é irregular e semelhante a um chumaço de algodão. A Aranha Marrom possui hábitos noturnos, só pica quando não há possibilidade de fuga, por isso os acidentes mais comuns ocorrem quando a vítima esmaga uma contra o corpo ao se vestir. Vive no meio das folhas e tijolos e à noite sai para alimentar-se. Em casos de picada (casos mais graves) a dor no local é intensa, surge febre e mancha roxa. A urina torna-se escura e nesta fase as complicações renais põem a vida da vítima em risco. Decorrido algum tempo é comum o aparecimento dos seguintes sinais e sintomas:
  • Dor local 
  • Inchaço 
  • Vermelhidão 
  • febre (em alguns casos) 
  • Crostas escuras e duras são comuns nos locais da picada sendo possível encontrar ainda, áreas arroxeadas, bolas e gangrena local 
  • Urina com sangue é uma característica tardia.
Procedimentos em caso de picadas de aranha-marrom:
  • Proceda a sucção, e leve a pessoa ao hospital. O veneno é bastante ativo, podendo produzir lesões cutâneas necrosantes 
  • Tratamento: Soro Antiloxoscélico 
  • Aplicar imediatamente bolsas de gelo sobre o lugar da picada. O médico indicará como acalmar a dor e outros sintomas que possam aparecer 
  • Quando se conhece o gênero a que pertence a aranha, deve-se administrar o soro correspondente (soro antictênico ou antilicósico do Instituto Butantã). Caso não se conheça, dar o soro misto (soro antictênico-licósico do Instituto Butantã) 
  • Injetar uma ampola por via subcutânea 
  • Procure serviço especializado em toxicologia, geralmente existente dentro do serviço público de saúde
Como evitar acidentes por aranhas
  • Manter jardins e quintais limpos 
  • Evitar o acúmulo de entulhos, lixo doméstico, material de construção nas proximidades das casas, inclusive terrenos baldios 
  • Evitar folhagens densas (trepadeiras, bananeiras e outras) junto às casas; manter a grama aparada 
  • Em zonas rurais, casas de campo, sacudir roupas e sapatos antes de usar 
  • Não pôr a mão em buracos, sob pedras, sob troncos "podres" 
  • O uso de calçado e de luvas pode evitar acidentes 
  • · Vedar as soleiras das portas e janelas ao escurecer
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