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terça-feira, 2 de outubro de 2012

COMBATE A POLUIÇÃO, O PAPEL DE CADA UM

Todos levantam a voz para clamar contra a poluição, mas poucos se levantam para jogar seu lixo no cesto. Limpeza, dentro de casa e fora dela, é associada a boa educação. Se o lugar está limpo, a pessoa sente constrangimento em ser a primeira a sujar.  Qualquer lixo nas ruas provoca um efeito multiplicador de desleixo. Como acabar com essa sujeira?


Morador de uma cidade grande engole diariamente a fumaça lançada no ar por automóveis e fábricas. Tossindo de raiva, acende o último cigarro e joga o maço pela janela do carro. No domingo de sol, leva os filhos a passear no parque e compra sorvetes para os garotos. Cada um, é claro, vai jogar o copinho ou papel por cima do ombro assim que degustar a iguaria. Quando vai à praia,  fica horrorizado com o mar sujo pelos esgotos e esbraveja enquanto toma um refrigerante e come uma espiga de milho, cujos vestígios ficarão repousando na areia quando ele sair de lá. O cidadão gosta muito de reclamar da poluição e da sujeira dos outros. Em seu próprio rastro, que ele ignora, acumulam-se quilos de detritos - restos de alimentos, copos, latas, garrafas, papéis e toda sorte de objetos dos mais variados materiais e usos, atirados nas ruas, praias, estradas, parques, casas de espetáculo e por aí afora. O lado mais detestável do lixo espalhado em tudo quanto é lugar público, às vezes pelas mesmas pessoas que debateram contra a poluição industrial, é justamente aquele que agride os olhos.
O homem ocidental, aprendeu a torcer o nariz à sujeira à medida que o desenvolvimento das cidades deu origem ao modo de vida urbano, entendendo-se por isso, entre tantas outras coisas, a prática de tratar o próximo com respeito (urbanidade) e não emporcalhar o que é de todos - o espaço público. Ocorre, porém, que o lixo esparramado é também um problema de saúde. Todo lixo pode ser dividido basicamente em material orgânico e inorgânico. O lixo deixado nas ruas contribui para a proliferação de formas daninhas de vida, para as quais servem de ninho. Além de causar estragos quando não são varridos. Com a chuva, plásticos e papéis navegam na enxurrada até as bocas de lobo e galerias pluviais, que, se não forem limpas periodicamente, entopem, provocando as inundações tão conhecidas dos habitantes das cidades brasileiras. O mesmo acontece em lugares onde há córregos não canalizados, que representam verdadeiros depósitos de lixo em potencial para os moradores dos barracos instalados nas suas margens, onde muitas vezes nem chegam os serviços de limpeza pública. Longe do asfalto os transtornos causados pela sujeira não são menores.
Os esgotos lançados ao mar podem causar hepatite e gastroenterite, por bactérias. Já o lixo em decomposição na areia, deixado pelo próprio turista em animadas férias, pode provocar micoses por ação dos fungos nos objetos orgânicos. Conclusões apressadas e socialmente míopes levam a supor que o acúmulo de detritos nas areias é coisa de farofeiros - os turistas dominicais que chegam em caravanas de ônibus para ruidosos piqueniques à beira-mar. O lixo deixado nas praias frequentadas pela classe alta é muito maior. Quanto mais gente, mais lixo pelo caminho. O brasileiro pensa que o espaço público é, não o espaço de todos, mas o espaço de ninguém. Ser um cidadão respeitador de sinais de trânsito ou das regras básicas de limpeza nunca esteve exatamente na moda, assim como o próprio substantivo. No Brasil, ‘cidadão’ é uma das formas que o policial usa para chamar o infrator. De fato, o brasileiro, como não encara a rua como um bem que também lhe pertence e não respeita o próprio como a si mesmo, suja o que é de todos sem cerimônia.
Não raro, o bem-educado cidadão caminha por ruas onde é tão difícil achar uma lixeira como um bilhete premiado, enfrenta uma situação que beira o ridículo quando quer se desfazer civilizadamente de algo. O sujeito chega a se sentir um idiota por ser o único a perambular com um lixo na mão procurando um cesto, enquanto todo mundo joga mil coisas no chão. Diga-se, a bem da verdade, que o brasileiro não está nem um pouco sozinho no planeta em matéria de maus hábitos no capítulo de limpeza. Para tirar a sujeira de cada um do caminho de todos,  o bom senso diz que a preparação dos espíritos deve começar nas escolas primárias. É um investimento a longo prazo, mas indispensável se deseja ter uma população adulta capaz de se interessar pelo ambiente não apenas da boca para fora. Enquanto essas crianças não crescem, os grandes também podem ser reeducados por campanha.  Em Curitiba, um ex- prefeito teve uma ideia original para tornar a cidade mais limpa: trocar lixo por vale-transporte.
Por fim, O problema do lixo é de quem o produz. Se você está em um local que  não tem lixeira, paciência: guarde o lixo para jogar mais tarde no lugar certo. Em matéria de lixo, portanto, o papel de cada um é sua própria responsabilidade. 


fonte: superinteressante/ lixo.com.br/ ambientebrasil.com

Um comentário:

Anônimo disse...

o texto é pura verdade... a maioria das pessoas não fazem nada em prol do meio ambiente. O consumismo e a ganância é o maior rival do planeta.
E o lixo é problema de cada um...

Zé,