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segunda-feira, 20 de março de 2017

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A MONOCULTURA DO EUCALIPTO E SUAS IMPLICAÇÕES - PARTE II

As plantações florestais de eucalipto têm estado no meio de grandes controvérsias e continuam a despertar acalorados debates quanto a seus impactos no meio ambiente. De modo geral, criticam-se os efeitos sobre o solo (empobrecimento e erosão), a água (impacto sobre a umidade do solo, os aquíferos e lençóis freáticos) e a baixa biodiversidade observada em monoculturas.


 PARTE II 

 MONOCULTURAS E BIODIVERSIDADE
Davidson (1985) afirma que uma monocultura jamais será capaz de oferecer a mesma diversidade de produtos e benefícios oriundos das florestas nativas. De acordo com o autor, a substituição da cobertura vegetal original, geralmente com várias espécies de plantas, por uma cultura única, seja nativa ou exótica, é, na maioria das vezes, uma prática danosa à biodiversidade. No caso da monocultura do eucalipto, por sua característica de floresta, observa-se maior variedade de flora e fauna do que em outras formas de monocultura. Os reflorestamentos com monoculturas podem abrigar uma fauna variada, se técnicas objetivas forem aplicadas, reservando-se faixas de vegetação nativa (corredor biológico) e plantando-se árvores frutíferas, arbustos e gramíneas, que possam suprir a fauna silvestre com alimento abundante durante todo o ano [Almeida (1979)].

CULTIVO CONSORCIADO
Vale notar que a atividade silvicultural com eucaliptos não exclui do sítio onde é realizada a possibilidade de outras formas consorciadas de produção. Com maior espaçamento entre as árvores, empresas brasileiras do setor têm mostrado ser possível não só o cultivo de diferentes grãos (milho e girassol), mas também a criação de gado (de corte e leite) em meio às plantações, o que amplia o espectro de alcance econômico da floresta e aumenta o número de produtos obteníveis a partir dela, ampliando também o número de empregos gerados e a possibilidade de culturas de subsistência.

VARIEDADE DA FLORA EM FLORESTAS DE EUCALIPTO
De acordo com Poore e Fries (1985):  As características do ambiente onde será inserida a floresta são fundamentais para avaliação qualitativa e quantitativa dos impactos ambientais gerados sobre a biodiversidade da flora. De modo geral, as plantações apresentarão menor variedade de flora que as florestas nativas que substituem, e maior variedade de flora ao substituírem pastagens, áreas com outros cultivos agrícolas ou terras degradadas.
Davidson (1985), por sua vez, afirma que alguns tipos de eucaliptos, em regiões de baixa umidade e relativa escassez de nutrientes, podem ter efeitos negativos sobre a vegetação local e até mesmo sobre plantas mais jovens da mesma espécie, oriundos da competição por água e nutrientes. De acordo com o autor, uma das formas de reduzir esse impacto sobre a diversidade da flora consiste em plantar as florestas em forma de mosaicos, contendo compartimentos de 50 a 1 00 ha, separados por corredores de florestas nativas (denominados corredores biológicos). Ademais, diz o autor, o maior espaçamento no plantio das árvores poderia minimizar o problema.
De acordo com Poggiani (1996), a diversidade vegetal acarreta modificações contínuas na diversidade da fauna silvestre que pode ser alterada de acordo com as fases da rotação do povoamento florestal. Nos momentos de colheita, dois efeitos ocorrem: 
  1. Parte da vegetação rasteira é negativamente afetada pelas colheitadeiras;
  2. Por outro lado, a maior claridade proporcionada pela retirada dos eucaliptos acelera o desenvolvimento de novas espécies vegetais.
O SUB-BOSQUE DE FLORESTAS DE EUCALIPTO
Santos (1999) define o sub-bosque como “a vegetação subarbustiva ou rasteira que se encontra no interior das florestas, principalmente a atlântica”. O autor afirma que o sub-bosque forma um nicho ecológico de vital importância no ecossistema florestal a que pertence e prossegue: “Nesse sistema altamente úmido e sombreado pela vegetação superior, predominam os arvoretos,  pequenos arbustos, epífitas,40 musgos, fungos e outras centenas de espécies hidrófilas (que necessitam de ambiente úmido).”
Schlittler (1984), ao estudar a composição da flora num sub-bosque de dois talhões de E. tereticornis, no município de Rio Claro (SP), observou diferenças entre os dois povoamentos avaliados, indicando distintos padrões de desenvolvimento do sub-bosque – em função de aspectos microclimáticos e da qualidade do solo. A biodiversidade apresentada nos talhões foi menor que a observada em matas nativas típicas do Estado de São Paulo.
Rajvanshi (1983) compara o sub-bosque de uma floresta natural (Sal Forest) em Golatappar-Dehra Dun, na Índia, com uma plantação de Eucalyptus spp, atribuindo as diferenças na composição das espécies a diferentes aberturas da copa das árvores. O dossel mais aberto da plantação de eucalipto permite maior penetração de radiação e de água de chuva, explicando, dessa forma, a maior diversidade e população de plantas em seu sub-bosque.
Neri (2005) apresenta estudo sobre a flora presente em sub-bosque de eucalipto. De acordo com o autor, a regeneração de sub-bosques em plantios homogêneos tem estreita dependência de florestas vizinhas. No estudo, foram encontradas 47 espécies, das quais se destacaram Magonia pubescens A. St. Hill e Miconia albicans (Sw.) Triana.

VARIEDADE DA FAUNA EM FLORESTAS DE EUCALIPTO
Apesar da menor variedade observada em florestas de eucalipto quando contrastadas com florestas nativas, ainda assim, é possível encontrar uma grande diversidade de mamíferos, aves e insetos nas florestas implantadas, como mostram alguns estudos
Poore e Fries (1985) afirmam que as florestas compostas de espécies exóticas, geralmente por fornecerem menor variedade de alimentos, suportam menor variedade de herbívoros que as coberturas vegetais que substituem. Argumentam que as florestas plantadas com exóticas levam à uniformidade em função da predominância de uma única espécie e que, por serem cortadas ainda jovens, não propiciam o habitat necessário a algumas espécies de seres vivos, que se abrigam em árvores mais maduras ou em troncos de árvores já mortas.
Davidson (1985) afirma que florestas plantadas, independentemente da espécie ou do gênero plantado, contêm menor número de espécies animais do que uma floresta nativa. O autor argumenta que a introdução de florestas de eucalipto em áreas de floresta nativa, indubitavelmente, reduz a variedade da fauna. O desequilíbrio ecológico – sua magnitude e extensão – dependerão da espécie plantada, do tamanho das plantações e compartimentos de florestas nativas e do tipo de floresta nativa adjacente às plantações. 

MASTOFAUNA
Dietz (1975) compara duas áreas:
  • Uma combinação de floresta nativa com E. globulus aos dez anos de idade
  • E uma área plantada com Araucaria angustifolia,espécie nativa do Brasil. 
 Foi estudada a incidência de cinco espéciesdiferentes de mamíferos (Oryzomys nigripes, Monodelphis americana,Marmosa sp, Akodon arviculoides e Blarinomys breviceps). De acordo com
o autor, a maior incidência foi observada nas florestas de araucária.
Silva (2002) desenvolveu estudo objetivando verificar a riqueza, a composição específica e a diversidade das espécies de mamíferos existentes numa área formada por um mosaico de plantios de Eucalyptus saligna em contato com remanescentes de floresta atlântica. Na área de estudo, foram observadas 47 espécies de mamíferos, entre as quais espécies ameaçadas de extinção como o Puma concolor e o Myrmecophaga trydactyla. A diversidade de espécies encontradas foi semelhante nos fragmentos de flo-resta nativa e menor nos cultivos de E. saligna. A autora conclui afirmando que o estudo demonstra que os plantios de E. saligna, se devidamente manejados, podem ser localmente importantes na conservação de mamíferos não-voadores, visto que esse ambiente é utilizado como habitat por muitas espécies verificadas na área.
Silveira (2005) afirma que, apesar de a diversidade de fauna em florestas plantadas ser menor do que a observada em florestas nativas, o sub-bosque presente nessas florestas homogêneas pode fornecer alimentos, abrigo, proteção e o estabelecimento de um ambiente favorável à movimentação dos animais. O número de registros foi maior no ambiente de eucalipto com sub-bosque denso e a riqueza de espécies foi maior no sub-bosque intermediário.  Foram encontradas dez espécies de mamíferos de médio e grande portes, sendo quatro carnívoros (animais considerados mais exigentes quanto ao habitat).

AVIFAUNA
Segundo Almeida (1979), é fato notório que, pela estrutura dos reflorestamentos comerciais, apresentando talhões muito extensos com um pequeno número de espécies arbóreas, ainda que estas espécies sejam nativas, poucas espécies de aves poderão ali se adaptar, sendo as populações normalmente pequenas. O autor afirma ainda que uma forma de aumentar a biodiversidade de pássaros em florestas de eucalipto seria a plantação intercalada de espécies nativas. Ele argumenta que as empresas detentoras de florestas deveriam desenvolver programas de melhoramento de habitats. 
Uma das conclusões alcançadas por estudos que medem a frequência de aparição de pássaros em diferentes fragmentos de floresta é que a biodiversidade é proporcional ao tamanho das plantações e é tão maior quanto mais florestas nativas (sob a forma de corredores biológicos) estiverem intercaladas com os talhões de eucalipto [Mello (1975)].
Para Cannel (1999), existe uma clara relação de compensação entre a maximização da produção de volume de madeira e a proteção da diversidade de vida silvestre. De acordo com o autor, isso ocorre porque existem alguns habitats que podem ser oferecidos somente por florestas mais maduras. Assim sendo, as florestas plantadas com fins comerciais (cortadas aos sete anos) não seriam habitats adequados a algumas espécies.
A biodiversidade em florestas de eucalipto é muito maior quando comparada a outras culturas agrícolas, como soja, cana-de-açúcar e café. Isso porque o eucalipto pode servir, por exemplo, como refúgio, casa ou ninho de diversas espécies de pássaros, o que não acontece, por exemplo, com cultivos com plantas de menor porte como cafezais, canaviais e outras espécies agrícolas utilizadas em monoculturas.

CORREDORES BIOLÓGICOS
Corredor biológico é uma faixa linear de vegetação contínua ou quase contínua que liga diferentes  habitats, permitindo mobilidade das diversas espécies. Constituem uma estratégia de conservação ambiental de habitats fragmentados pela introdução de atividades antrópicas (pasto, agricultura e plantação de florestas, entre outros). Por constituir uma ligação entre habitats, os corredores biológicos aumentam a mobilidade genética entre diferentes fragmentos de florestas.
Em plantações de eucalipto, os corredores biológicos consistem na manutenção de “linhas” de floresta nativa intercaladas com as plantações, numa paisagem em mosaico. Dessa forma, é possível observar mobilidade de espécies entre o corredor de mata nativa e a floresta de eucalipto, elevando a biodiversidade dessa última. Como visto no tópico acerca da composição faunística de florestas de eucalipto, o tamanho dos talhões é fundamental para a heterogeneidade das espécies. Servindo como um canal de comunicação entre as florestas de eucalipto, os corredores aumentam o tamanho total dos habitats e permitem o desenvolvimento de maior biodiversidade.
Com base em modernas teorias ecológicas – “biogeografia de ilhas”, “metapopulações”, “populações mínimas viáveis” –, cientistas argumentam que é mais suscetível de obter a manutenção dos processos biológicos em paisagens que permitam a interligação entre habitats.
A quantidade e a diversidade de 
aves apresentaram relação direta com o tamanho do fragmento e a estrutura da vegetação. O autor conclui que os plantios de eucalipto, mesmo com sub-bosque bem desenvolvido, muitas vezes são obstáculos para diferentes espécies da avifauna, principalmente as florestais. Em termos gerais, a biodiversidade em florestas de eucalipto, tanto de fauna quanto de flora, é menor do que a encontrada em florestas naturais, sendo, por outro lado, maior do que a encontrada em pastagens e outras lavouras. Ainda assim, mesmo com a menor riqueza biológica das plantações de eucalipto (quando contrastadas com vegetações naturais), a assertiva de que as florestas de eucalipto geram um “deserto verde” é exagerada. De fato, estudos apontam para a menor biodiversidade em florestas de eucalipto, que, entretanto, não deixa de existir. Como foi visto, as florestas de eucalipto são capazes de oferecer habitats seguros para uma extensa gama de espécies de pássaros, pequenos mamíferos, microflora e fauna, bem como rico desenvolvimento vegetal no denominado “sub-bosque”.

O EUCALIPTO E O AR
O ar atmosférico é constituído basicamente por nitrogênio, oxigênio egás carbônico. As florestas estão intrinsecamente ligadas aos efeitos climáticos globais, ao retirarem gás carbônico da atmosfera, reduzindo o efeito estufa. Por outro lado, atividades antrópicas – como as queimadas – são responsáveis por grande parte da emissão de CO2 na atmosfera.
Sequestro de Carbono
Como visto, em seu processo de crescimento, a floresta utiliza, além da água e dos nutrientes, energia solar e dióxido de carbono – para a fotossíntese – e utiliza oxigênio (devolvendo água e gás carbônico) na respiração. A retirada de CO2 da atmosfera tem sido denominada “sequestro de carbono”. Uma vez que o CO2 é um dos principais gases de efeito estufa, as plantações florestais funcionariam como sumidouros, consistindo numa forma de combater o aquecimento global.

CONCLUSÕES
Os impactos ambientais do eucalipto sobre a água, o solo e a biodiversidade parecem depender fundamentalmente das condições prévias ao plantio, na região onde será implantada a floresta, bem como do bioma onde será inserida e das técnicas de manejo empregadas. De acordo com tais condições iniciais, as plantações de eucaliptos podem gerar impactos ambientais benéficos ou deletérios ao meio ambiente.
A Água - O impacto do eucalipto sobre os recursos hídricos de uma dada região parece depender mais das características do clima local (em particular, do volume pluviométrico da região) do que somente de características fisiológicas próprias dos eucaliptos. Começam a surgir novas evidências acerca do consumo absoluto de água pelo eucalipto, situado ao redor de 800 a 1.200 mm/ano. Uma vez que grande parte das plantações brasileiras de eucalipto situa-se em regiões de volume pluviométrico superior a 1.200 mm/ano, em tese, as florestas não tenderiam a acarretar déficit hídrico nessas regiões. Em regiões com volume pluviométrico inferior a 400 mm/ano, as florestas de eucalipto podem acarretar ressecamento do solo, ao utilizarem os estoques de água armazenados em suas camadas superficiais. Já os impactos sobre lençóis freáticos devem ser analisados caso a caso, poisdependem da localização da floresta em relação à bacia hidrográfica. Do ponto de vista da eficiência na produção de biomassa, existem muitos estudos apontando o eucalipto como uma das mais eficientes espécies, vale dizer, o eucalipto produz mais biomassa por litro de água consumido do que outras culturas.
O Solo - Do mesmo modo, o impacto das plantações de eucalipto sobre o solo depende do bioma onde se inserem e das condições prévias ao plantio. Ao substituir florestas nativas por florestas plantadas para uso industrial, observar-se-á maior degradação do solo nestas últimas, por duas razões principais:
  • De um lado, observa-se considerável extração de nutrientes armazenados nos troncos das árvores, quando é feita a colheita (vale lembrar que esses efeitos podem ser substancialmente mitigados com a utilização de técnicas de colheita que preservem, no local, as cascas, folhas e raízes, responsáveis, em média, por 70% dos nutrientes contidos nas plantas). (Atualmente, as empresas do setor de celulose e papel adotam práticas de manejo que preservam os resíduos orgânicos no sítio); 
  • De outro lado, por causa de seu relativo baixo índice de área foliar, o eucalipto permite que mais água chegue ao solo (em comparação com a mata atlântica), acarretando maior erosão e conseqüente perda de nutrientes por lixiviação.
Se, por outro lado, o eucalipto é plantado em solo já degradado por outras culturas, áreas de savana ou em pastagens, observar-se-á aumento dos nutrientes do solo, sobretudo pela mineralização da serapilheira. De fato, no Brasil e em outras partes do mundo, o eucalipto tem sido utilizado para aumentar a fertilidade e a aeração do solo de algumas áreas para posterior cultivo agrícola.
Por fim, estudos mostram que o eucalipto não consome mais nutrientes do solo do que outras culturas agrícolas. Ademais, vale lembrar que as queimadas são responsáveis por grande parte das emissões brasileiras (emundiais) de CO2.
A Biodiversidade - Das críticas dirigidas ao eucalipto, a redução na biodiversidade de flora e fauna é uma das que apresentam menos controvérsias. Da mesma forma, o impacto de florestas plantadas sobre a biodiversidade dependerá do bioma onde a floresta será inserida. De fato, em comparações com diferentes formas de vegetação nativa, as plantações de eucalipto apresentam menor variedade de espécies – vegetais e animais. Entretanto, como apresentado, não só existe uma diversidade de espécies vegetais presentes no sub-bosque das florestas de eucalipto, como é possível observar também a presença de distintas espécies de aves e pequenos mamíferos nesses ambientes (além de insetos). As técnicas de plantação em mosaico permitem, através da criação de um corredor biológico, maior mobilidade genética entre a floresta nativa e a plantada e entre diferentes fragmentos dos plantios. Isso melhora as condições de habitat para os animais e aumenta, dessa forma, a biodiversidade nas florestas plantadas. Ao comparar florestas de eucalipto com outras formas de monocultura ou com pastagens, observa-se maior biodiversidade nas florestas. Por fim, vale lembrar que o cultivo do eucalipto permite também a produção consorciada com outras atividades econômicas, como a agricultura de subsistência, a produção de grãos e a atividade pastoril.
O Ar - As plantações de eucalipto, através do sequestro de gás carbônico durante sua fase de crescimento, contribuem para a redução do efeito estufa. O corte, entretanto, com consequente uso da madeira, acaba por devolver grande parte desse carbono para a atmosfera. Assim sendo, a silvicultura de exóticas para uso comercial não tem sido eleita no âmbito do MDL. Para que o setor se engaje no MDL com projetos florestais, é necessário que esses projetos passem a contemplar áreas de não-corte ou que venham associados ao reflorestamento de matas nativas, sem finalidades comerciais. O importante é que deve haver um saldo líquido positivo (critério de “adicionalidade”) entre o que se planta e o que se utiliza de madeira (paraseus diversos fins) – ou, vale dizer, entre o que se sequestra e o que se emite de gás carbônico.
Por tudo que foi exposto, vê-se que podem existir tanto efeitos benéficos  quanto efeitos deletérios das plantações de eucalipto sobre o meio ambiente, os quais dependerão das condições prévias à implantação da floresta, do bioma onde será inserida, bem como das técnicas de manejo empregadas. Nenhum desses efeitos é inexorável, dependendo fundamentalmente dessas condições. Dada a importância desse setor para a sociedade, são necessárias medidas capazes de mitigar os possíveis efeitos deletérios das plantações. Nesse sentido, as técnicas de manejo e a manutenção de corredores biológicos aparecem como fundamentais para a redução dos impactos sobre a água, o solo e a biodiversidade.
Por fim, é necessário enfatizar que não se defende a substituição de florestas  nativas por florestas plantadas, por todos os fatores já mencionados, mas sim a implantação de florestas de eucalipto em áreas onde a floresta nativa já foi derrubada, em áreas de pastagens ou em áreas degradadas, o que – além de garantir o suprimento de uma matéria-prima essencial para a sociedade – pode gerar melhoria do regime hídrico, do solo, da biodiversidade, enfim, do meio ambiente. Com isso é possível notar que mesmo com as empresas se defendendo com vários argumentos a favor do uso deste tipo monocultura, alegando que agem com responsabilidade social e atuam de harmonia com o meio ambiente contribuindo para a proteção ambiental  é inevitável deixar de lado as críticas negativas, uma vez que fica evidente que a cultura do eucalipto traz prejuízos sociais como por gerar poucos empregos e ser um obstáculo no processo de reforma agrária, por demandar grandes áreas de plantio, levando a formação de grandes vazios populacionais. Os prejuízos ambientais, por mais que as empresas fazem uma propaganda favorável, são evidentes, pois nem todas as áreas de cultivo são bem manejadas como as produtoras alegam, e isso gera diversos impactos ambientais negativos, desde a degradação do solo, perda excessiva de água, acarretando em um enorme prejuízo na biodiversidade, tanto da fauna quanto da flora. E com o aumento constante significativo das plantações de eucalipto no país estes impactos, tanto na área ambiental como na social, cada vez mais facilmente serão notados, e o “deserto verde” ficará cada vez mais característico em nosso país.





Referências 
 

    • Impacto ambiental de florestas de eucalipto - Revista do BNDES, Rio de Janeiro, 2007 - bndes.gov.br – acesso 03/03/2017.
    • https://pt.wikipedia.org/wiki/Aracruz_Celulose acesso em 18/03/2017.
    • Brasil: Comunidades quilombolas reconvertem eucaliptales – disponível em: < http://wrm.org.uy/articles-from-the-wrm-bulletin/section4/brasil-comunidades-quilombolas-reconvertem-eucaliptales> acesso em 15/03/2017.
    • Plantio de Eucalipto na Pequena Propriedade Rural - disponivel em acessoem 10/03/2017.
    • Cultivo do Eucalipto - disponivel em < https://www.spo.cnptia.embrapa.br - acesso em 10/03.2017.
    • Guia Prático de Manejo de Plantações de Eucalipto - Iandebo - disnponivel em < www.iandebo.com.br/pdf/plantioeucalipto.pdf > acesso em 15/03/2017.
    • Silvicultura do Eucalipto (Eucalyptus spp.) - disponivel em < http://ambientes.ambientebrasil.com.br/florestal/silvicultura /silvicultura_do_eucalipto_(eucalyptus_spp.).html . acesso em 12/03/2017.
    • Plantio de Eucalipto no Brasil ? Mitos e Verdades - Canal do Produtor - disponivel em < www.canaldoprodutor.com.br/sites/default/files/mitos-e-verdades-low.pdf. > acesso em 11/03/2107.
    • A Cultura do Eucalipto. Sua Importância no Melhoramento dos Solos - disponivel em < www.sbs.org.br/memorias/ACulturadoEucalipto.pdf > acesso em 11/03/2017.
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