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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

ANTROPOCENO - NOVA ERA GEOLÓGICA

Agora é oficial: vivemos uma nova era geológica na Terra

No último Congresso Internacional de Geologia, realizado recentemente na África do Sul, especialistas do mundo inteiro determinaram que o planeta Terra vive, desde 1950, uma nova era geológica: o Antropoceno.



ANTROPOCENO - A ERA DA CIVILIZAÇÃO HUMANA NA TERRA

O grupo de cientistas responsável pela pesquisa considera que o rastro da atividade humana é detectável e irreversível. Por isso, essa nova era está marcada pelo impacto humano na Terra. O que define a mudança da fase geológica do planeta é o fato de haver uma modificação plural e sincrônica comprovada em todas as regiões do mundo. 
O geólogo Alejandro Cearreta, professor da Universidade do País Basco e membro do grupo que definiu a questão, explica: “Já modificamos a Terra: o Antropoceno é o momento em que nós, seres humanos, conseguimos alterar o ciclo vital do planeta, quando tiramos o planeta de sua variabilidade natural”. 
Após anos de debates e votações, decidiu-se tomar o ano de 1950 como data inicial do novo ciclo. Nele, iniciaram-se os testes nucleares que, entre outras coisas, espalharam isótopos radioativos por amplas regiões e que serão detectáveis por milhares de anos. 
A fabricação de plásticos, resíduos industriais, a emanação de gases, a acidificação dos oceanos e a destruição de ecossistemas inteiros demonstram que a ação dos homens alterou definitivamente o ciclo planetário.

SAI A IDADE CHAMADA HOLOCENO E INICIA A ANTROPOCENO
A Terra vivencia períodos de transformações climáticas naturais; as forças da Natureza atuam e transformam o Planeta, que já passou por esse estágio várias vezes em 4 milhões e meio de anos de sua permanência no Universo. Isso ocorreu pela última vez antes do desenvolvimento da Humanidade e de seu predomínio sobre o mundo. Ou seja, há 67 milhões de anos.  Nesta ocasião um meteoro se chocou contra a Terra e em consequência o clima se alterou radicalmente, sem contar que um forte terremoto atingiu todo o Planeta, provocando um tsunami de altas proporções. O resultado foi a eliminação total dos dinossauros e de outros animais. A soberania dos répteis foi substituída pela dos mamíferos na era Cenozoica. Só assim a Humanidade pode nascer e se aprimorar.
Agora nosso mundo está prestes a ingressar em outra era geológica. Alguns cientistas, porém, acreditam que a interferência do Homem no meio ambiente está antecipando este processo. A ação devastadora do ser humano, semelhante à do próprio motor que move a Natureza, está comprimindo e sufocando o Planeta. Estes estudiosos batizaram a nova Era como Antropoceno.
O cientista holandês Paul J. Crutzen, Nobel de Química de 1995, criou este conceito. Impressionado com a intensidade da moderna escala de destruição do meio ambiente, concebeu a possibilidade desta era geológica, na qual o extermínio do ecossistema, desencadeado pela ação irracional do Homem, se torna cada vez mais frequente.
Esta prática vem se generalizando nos últimos 300 anos. O ser humano vem se atirando com ímpeto contra a Natureza, beneficiando-se dos frutos de sua pilhagem e direcionando a maior parte dos produtos extraídos do meio-ambiente para seu consumo predador. Lucro é tudo que a Humanidade visa. Isso vem se acelerando desde a eclosão da Revolução Industrial.
Desta forma a era Cenozoica vai chegando ao fim, com a destruição iminente perpetrada pelo ser humano. Segundo o biólogo E. Wilson, o Homem é o primeiro ser na trajetória do Planeta a se transformar em uma arma geofísica destrutiva. Graças ao ser humano a proporção de eliminação das espécies é 50 vezes maior que a provocada antes de sua interferência na Terra. E este valor tende a crescer à medida que se incrementa o consumo humano.
Depois de 66 milhões de anos da era Cenozoica, o fim se aproxima e o que virá depois ainda é um enigma. É certo, porém, que a confusão climática e o aquecimento da Terra são efeitos praticamente irreversíveis, sem falar no crescente desmatamento, se não houver uma mudança de atitude urgente.


Referências
History.com  /  infoesciola.com.br/  oglobo.com  / 

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