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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

URUBU DO BRASIL



Muita gente acha o urubu um bicho detestável. É verdade que ele come carniça, adora lixo e é meio sinistro. Mas também é ecologicamente correto. Como se alimentam de carne em estado de putrefação, são extremamente importantes para o equilíbrio ecológico, pois evitam a disseminação de doenças.



Um militante da preguiça ecológica
Os urubus desempenham nas Américas o mesmo papel ecológico dos abutres e das hienas na África: livrar a natureza de animais em estado de putrefação. No Brasil há quatro espécies, fora as visitas eventuais do vizinho andino, o condor, que apesar da majestade é parente do nosso malandro. Só o urubu-preto gosta de andar em bandos. Em cativeiro, duram até 60 anos. O bicho não faz muito para melhorar sua imagem. Ele tem a cabeça raspada para chafurdar na carniça e passa mais da metade do dia se limpando. Senão, jamais conseguiria alçar voo, pois a plumagem precisa estar em perfeitas condições para decolar. Urubus são capazes de ficar dias sem comer e voar 100 quilômetros atrás de alimento. Podem localizar um objeto de 30 centímetros a 3 000 metros de altura. São chamados de aves “generalistas”, pois comem o que aparecer. Eles não têm preferência por carniça e adorariam filet mignon. Mas carniça sempre sobra, não é preciso caçar e ninguém disputa. Quando em perigo, os urubus vomitam boa parte do que consumiram para alçar voo com rapidez. Têm pés chatos, que atrapalham os movimentos no chão e impedem a captura de presas com as garras, como fazem as aves de rapina. Outra característica particular é a sua termorregulação: como não possuem glândulas sudoríparas, têm narinas vazadas (o bico é perfurado), por onde transpiram. Um exercício refrescante e bem fedorento da ave, é aliviar o calor urinando e defecando sobre as pernas. O cheiro serve como defesa, já que o animal é pacífico e oportunista. Para atacar, sua vítima tem que estar pelo menos moribunda. Em toda a vida do urubu impera a lei do menor esforço.

Malandragem, astúcia e simpatia.
A palavra urubu, que marca profundamente a cultura brasileira, vem de uru-bu, que significa galinha preta em tupi-guarani. Na cosmologia tupinambá, há uma divindade, “o senhor dos urubus”, encarregada de receber as almas dos mortos que chegam aos céus. No Maranhão, a tribo dos Urubu-caapor tem a mais apurada arte plumária indígena do Brasil. Aqui, o urubu substituiu o corvo europeu nas fábulas como as de La Fontaine e Esopo e em histórias populares como O Urubu e o Sapo e Festa no Céu. Segundo o folclorista Câmara Cascudo, a ave é tanto símbolo de mau agouro quanto de pouco esforço, oportunismo e vagabundagem. É esperto, astuto e raramente enganado, o compadre urubu das fábulas brasileiras. Nos ditados populares, a ave ganha muitos nomes, como urubu-campeiro, urubutinga, urubu-chacareiro, urubu-ministro e urubupeba. “Urubu pelado não mora em bando”, “Praga de urubu não mata cavalo velho”, “Alegria de urubu é carniça” e “Anda tão mal que já está chamando urubu de meu louro” são apenas algumas das dezenas de ditados sobre o bicho.

O voo do malandro
Como subir sem fazer força. Por terem os pés chatos, os urubus andam com dificuldade, aos pulos, e têm dificuldade para decolar. Mas no ar, são reis. Eles aproveitam as horas mais quentes do dia para pegar carona nas correntes de ar ascendentes e sobem com pouco esforço, descrevendo espirais em largos círculos. Podem ficar planando horas a fio. Acidentes de avião por choque com urubus são comuns e por isso depósitos de lixo perto de aeroportos são perigosos.

Símbolo popular
  • Escritores como Manuel Bandeira, Guimarães Rosa, Machado de Assis e Mário de Andrade fizeram várias alusões à ave em suas obras. 
  • O poeta simbolista Augusto dos Anjos é autor da frase: “Ah! Um urubu pousou na minha sorte”.
  • Walt Disney recorreu ao urubu. Ao inventar o personagem Zé Carioca, em 1942, sob encomenda do governo norte-americano, para atrair as simpatias do Brasil para os aliados durante a Segunda Guerra Mundial, deu-lhe como companheiro o urubu Nestor, um carioca sempre duro, que vive de bicos. Nestor, como diz outro ditado, vive “escovando o urubu”, ou seja, vadiando, desempregado.
  • Na música popular o urubu recebeu uma grande homenagem do maestro Tom Jobim.
  • A ave também invadiu o futebol. Um dos times mais populares do mundo, o Flamengo, adotou o urubu como símbolo.

Urubu-rei
O soberano colorido
Mede 79 centímetros de altura, 180 centímetros de envergadura de asas (de uma ponta à outra) e pesa 3 quilos. Vive em casais em todo o norte da América Latina e é maior e mais forte do que os outros. Quando o Sarcoramphus papa chega, todos saem de perto até ele comer e ficar satisfeito. Não é que seja briguento, mas como dilacera cadáveres com facilidade, sua presença vem bem a calhar para o resto da turma, já que os menores possuem bico mais frágil. Têm uma carúncula colorida na cabeça (um pedaço de pele pendente) para atrair o sexo oposto. Possui visão mais ampla que os demais mas o olfato não é dos melhores.

Urubu-preto
O boa-praça
Mede 62 centímetros de altura, 143 de envergadura e pesa 1,6 quilo. O Coragyps atratus é a espécie mais comum e pode ser encontrada em qualquer lugar, na cidade, na mata ou no litoral, nas Américas todas. Muito sociável, vive em bandos, onde os casais permanecem unidos. Seu olfato é especialmente desenvolvido. Às vezes atacam bezerros e outros animais jovens, desde que estejam à beira da morte.

Cabeça-vermelha
O grande voador
Mede 56 centímetros de altura, 137 a 180 centímetros de envergadura, pesa entre 1,2 e 2 quilos e vive do norte da América do Sul ao sul do Canadá. Também conhecido como urubu-caçador ou urubu-peru, o Cathartes aura é um exímio voador, planando com facilidade, envergando o corpo para os lados e voando rasante. É capaz de capturar pequenos vertebrados só com o bico. Tem o faro mais aguçado da família e é sempre o primeiro a chegar na comida.

Cabeça-amarela
O pequeno notável
Mede 54 centímetros de altura, tem 130 a 170 centímetros de envergadura e pesa de 1,2 a 2,0 quilos. O Cathartes burrovianus é o mais delicado e menor dos urubus. Tem plumas chegando até a nuca e vive perto de áreas cultivadas, de rios cercados de mata e pântanos do Nordeste do Brasil e Amazônia. Mais raro de ser encontrado, um irmão seu, o Cathartes melambrotos, também habita a Amazônia. Tem o mesmo tamanho do urubu-rei mas sua cabeça não é tão colorida como a do irmão.

Condor
O primo chileno
Mede 110 centímetros de altura, 3,2 metros de envergadura e pesa até 12 quilos. Em franco processo de extinção, o condor-dos-Andes (Vultur gryphus) só não ganha em envergadura do albatroz gigante. Possui um espesso colar de plumas ao redor do pescoço. Eventualmente, sai da Cordilheira dos Andes para procurar carniça no Mato Grosso, durante a seca. Na América do Norte também existe o condor da Califórnia (Gymnogyps californianus), bem menor.


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fonte: super/wikipedia/infoescola/avesdomundo/suapesquisa

Um comentário:

Juninho disse...

Q legal. nunca olhei assim para o Urubu... agora vou olhar diferente. Parabéns prof. omar