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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

ÁRVORE SANGUE DE DRAGÃO

Segundo uma lenda árabe, um elefante e um dragão lutaram até a morte na ilha africana de Socotra, a sudeste do Iêmen, fazendo brotar lá uma árvore cuja seiva é vermelha como sangue.


Mas a ciência sabe que foi a batalha pela sobrevivência que encheu o lugar de plantas exóticas como  sangue-de-dragão. Há 10 milhões de anos, Socotra não era uma ilha. Seus 3 600 quilômetros quadrados estavam colados na África e faziam parte da atual Somália. De lá pra cá o nível do mar subiu e ela ficou isolada no Oceano Índico. Enquanto rinocerontes acabaram com a vegetação costeira em terra firme, a flora da ilha sobreviveu às mudanças ambientais. As espécies mais resistentes ao clima semiárido, com ventos de até 43 quilômetros por hora, transformaram Socotra em um dos maiores celeiros de espécies endêmicas .

Testemunha da história
A Dracaena cinnabari, ou sangue-de-dragão, é a planta que mais se espalhou pela ilha. É uma espécie endêmica remanescente, quer dizer, uma sobrevivente da flora que desapareceu no continente. Tem folhas carnudas, semelhantes às da babosa e do pau-d'agua, que se encontram no Brasil. Só que é bem mais alta. Pode atingir cinco metros de altura. Seu nome está ligado à resina de cor vermelho vivo chamada cinábrio, extraída das folhas e das cascas do tronco e dos galhos. A população local usa essa substancia para tingir lã e também como antisséptico bucal, matéria-prima para fazer batom e remédio para dor de estômago, desinteria e queimaduras.
O tronco bojudo da figueira socotrana, classificada cientificamente como Dorstenia gigas, mostra que o endemismo de Socotra se caracteriza por desenvolver plantas com mais tecido, capazes de armazenar a água da chuva que cai no inverno para sobreviver durante a seca do verão. Apesar do nome, ela não produz figo, mas um fruto que se assemelha à abóbora. Pode medir mais de um metro, enquanto seus parentes mais próximos, encontrados no continente, ficam entre 20 e 30 centímetros de altura.

Paraíso perdido
A região é formada por planícies costeiras semi-áridas, platôs e morros de pedra calcária. Bem no centro estão as montanhas Haggier, de granito. Graças a elas há um pouco de umidade durante o inverno, com as chuvas provocadas pelas nuvens que se instalam nos picos que atingem até 1500 metros de altitude. Por isso Socotra é conhecida como "a ilha das névoas".


Primo distante da paineira
Embora seja chamada de pepineiro, a Dendrosicyos socotrana dá um fruto mais parecido com os da paineira brasileira. É um prodígio botânico  seu tamanho ultrapassa os quatro metros e o tronco chega a um metro de diâmetro . 









Vidas secas


A Asdenium obesum é conhecida como rosa do deserto. Suas flores são pequenas e o tronco grosso o suficiente para guardar água e sobreviver à seca. 
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