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segunda-feira, 9 de julho de 2012

A RAINHA DAS FLORESTAS - PARTE 2

A MAIOR FLORESTA TROPICAL DO MUNDO
A Amazônia também chamada de Floresta Amazônica, Selva Amazônica, Floresta Equatorial da Amazônia, Floresta Pluvial ou Hileia Amazônica é uma floresta latifoliada úmida.
PARTE II




AS POTENCIALIDADES DE USO PARA A HUMANIDADE
A importância da Amazônia para a humanidade não reside apenas no papel que desempenha para o equilíbrio ecológico mundial. A região é berço de inúmeras civilizações indígenas e, além disso, constitui-se numa riquíssima fonte de matérias-primas – alimentares, florestais, medicinais, energéticas e minerais.

Fornecimento de alimentos, madeira e produtos medicinais.
Se bem utilizadas, as áreas agricultáveis da Amazônia podem fornecer alimentos em abundância. A existência de diversas espécies comercializáveis em estado selvagem, como o cacau, o palmito (açaí) e a castanha – do – Pará, faz da região um rico banco genético para futuros estudos de melhoramento de características, através de cruzamento e seleção de exemplares mais apropriadas à cultura. A floresta possui um grande numero de espécies cujo potencial de utilização já é conhecido, como o babaçu, o cupuaçu e a pupunha, e várias outras que as pesquisas ainda podem identificar como úteis ao homem.

A domesticação dos animais amazônicos – como capivara, o jacaré, a tartaruga, o peixe – boi, o mutum e a paca – traz novas alternativas de produção de alimentos. Também a pesca, se realiza com técnicas adequadas, pode ser uma rica e perene fonte de proteínas.
A presença de diversos invertebrados abre a possibilidade de utilização de algumas espécies para o controle biológico de pragas da agricultura. Para isso, bastaria identificar os inimigos naturais ou parasitas capazes de controlar as populações de pragas. Inúmeras são as espécies de plantas com valor medicinal na floresta amazônica, sendo utilizadas 1300 delas. Menos de 5% das espécies foram pesquisadas para a verificação de possíveis usos medicinais, mas substâncias importantes já foram descobertas, como o curare, um potente anestésico, e o quinino, o mais precioso remédio contra a malária. Dentre as numerosas espécies fornecedoras de madeira, apenas duas, o mogno e a cerejeira, são aproveitadas em larga escala. Possuindo 30 bilhões de m3 de madeira, a floresta apresenta grande quantidade de espécies utilizáveis, mas ainda pouco exploradas. Uma árvore que merece destaque é a seringueira, típica da amazônica. Do seu látex fabrica-se a borracha, que, apesar dos atuais similares sintéticos, é insubstituível em diversos produtos. O Brasil já foi o maior produtor, mas hoje importa 70% da borracha que consome.

A produção de energia e as jazidas minerais
Algumas plantas são adequadas à produção de energia, tanto pela combustão direta da madeira, quanto pelo fornecimento de óleos vegetais. O óleo de copaíba, por exemplo, vem sendo apontado pelos pesquisadores como o possível substituto do diesel. Do babaçu, por sua vez, pode-se produzir álcool, carvão siderúrgico, óleo vegetal e biogás. Ambas são espécies bastante comuns na Amazônia. A abundância de minérios na região é incontestável. Se explorados racionalmente, esses produtos podem trazer grande riqueza ao país. Os mais importantes são: o ferro ( 18 bilhões de toneladas, em Carajás), o alumínio (4 bilhões de toneladas, em Trombetas, Paragominas e Almeirim), o manganês (80 bilhões de toneladas em Carajás e Serra do Navio), o cobre (10 milhões de toneladas, em Carajás), o ouro (250 toneladas, em Tapajós), o estanho (400 mil toneladas) e o níquel (90 mil toneladas). Em menor quantidade, encontra-se também na Amazônia o diamante (em Roraima), o petróleo (na plataforma oceânica e no continente), o urânio (em Roraima) e o sal-gema e o xisto betuminoso. Os recursos naturais de Amazônia vêm sendo explorados inadequadamente desde a chegada dos primeiros colonizadores.
Como efeitos do desmatamento, que altera os hábitats naturais, registra-se um declínio drástico da diversidade biológica. Além disso, a exploração dos recursos naturais tem trazido muito pouca riqueza para a região, que ainda vive do extrativismo. Diversas queimadas, sobretudo em Rondônia, são promovidas exclusivamente para garantir a posse da terra. E toda a devastação está ocorrendo num ritmo muito maior que o das pesquisas científicas, o que dificulta a elaboração de propostas alternativas de utilização dos recursos. Mesmo assim, muita coisa pode ser feita, desde que medidas emergenciais sejam tomadas em curto espaço de tempo.

A OCUPAÇÃO HUMANA NA AMAZÔNIA: DEZ MIL ANOS DE HISTÓRIA
Os portugueses começaram a penetrar na Amazônia no século XVII, quando a região, pelo Tratado de Tordesilhas, ainda pertencia à Espanha. A disputa por sua posse prolongou-se até 1750, quando o Tratado de Madri fixou os limites do Brasil a oeste de Tordesilhas. No fim do século XVIII, o governo do Marquês de Pombal declarou-a província independente e inaugurou a Companhia do Grão-Pará e do Maranhão, para desenvolver a região. Na época da independência, a Amazônia ainda não se integrava ao quadro nacional, mantendo muito mais relações com Portugal do que com o resto do país.
Antes da chegada dos europeus, a Amazônia era habitada por mais de 2 milhões de ameríndios que viviam nas várzeas, as matas e nos campos, sempre às margens dos rios ou à beira-mar, sem depredar a natureza. Alguns grupos já estavam em extinção, como os Tupinambás. Outros foram totalmente dizimados pelos brancos, como os Tapajó, os Kaboquena, os Guanavena e os Manaó ( que deram origem ao nome da capital do Amazonas). A colonização, que transformava os índios em escravos ou trazia doenças antes desconhecidas desses povos, como a gripe, o sarampo, a tuberculose e as doenças venéreas, foi aos poucos dizimando física ou culturalmente as tribos amazônicas. Esse processo acentuou-se durante o ciclo da borracha e a construção da ferrovia Madeira-Mamoré. Nas últimas décadas, a política desenvolvimentista para a Amazônia, com a abertura de estradas como a Belém-Brasília, tem acelerado o extermínio das tribos, cujas terras são reduzidas por projetos de colonização e criação de gado, empreendimentos agrícolas, e pela mineração e extração de madeiras.
Enquanto não se demarcam as reservas indígenas, inúmeras rodovias e hidrelétricas vão sendo construídas em territórios ocupados pelos nativos há milhares de anos. Os conflitos entre colonos e indígenas são uma constante na região. Atualmente ocorre uma “queda de braço” entre governo e ambientalistas para a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte.

A CRESCENTE DESTRUIÇÃO DA FLORESTA
Até 1980, apenas 2,47% da floresta havia sofrido alteração. Esse índice subiu para 6,5% em 1987 e para 12% em 1988, conforme relatório do Inpe (Instituto de Pesquisas Espaciais) divulgado em maio de 1989. Entre 1991 e 2000, a área total de floresta amazônica desmatada para a pecuária e estradas aumentou de 415.000 para 587,000 km²; uma área total de mais de seis vezes maior do que Portugal, 64% maior do que a Alemanha, 55% maior do que o Japão, 21% maior do que ou igual a Sichuan e 84% da área do Texas. A maior parte desta floresta perdida foi substituída por pastagem para o gado. Em fevereiro de 2008, o governo brasileiro anunciou que a taxa com que a floresta amazônica está sendo destruída tinha vindo a acelerar notavelmente durante a época do ano que normalmente diminui: apenas nos últimos cinco meses de 2007, mais de 3.200 quilômetros quadrados, uma área equivalente ao estado estadunidense de Rhode Island, foi desmatada. Convém salientar que há uma grande polêmica em torno desses índices, uma vez que são contestados por outras instituições de pesquisa. Para calcular essa área, o INEP utilizou imagens dos satélites NOAA-9 e Landsat – 5, que captam as radiações emitidas por queimadas. Área inclui os cerrados existentes na região.
Um parâmetro fornecido pelo pesquisador Philip M. Fearnside mostra que a devastação cresce em ritmo assustador: é quase um campo de futebol a cada cinco segundos. Essa maior intensidade de remoção da cobertura vegetal está intimamente relacionada á implantação de projetos de colonização e de programas agropecuários, criados pela SUDAM (Superintendência para o Desenvolvimento da Amazônia) e aprovados pelo INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). A maioria desses projetos propicia a concentração de grandes extensões de terra nas mãos de poucos, gerando graves conflitos, como os que se verificam na região do Bico de Papagaio (sul do Pará e norte de Tocantins), onde posseiros e proprietários lutam pelas mesmas terras, sendo frequentes mortes em ambos os lados.
Com a descoberta das riquezas minerais, iniciou-se na Amazônia mais um tipo de exploração que agride violentamente o ecossistema local. A mineração é feita a céu aberto, removendo – se grandes áreas florestais. Os danos maiores são causados pelos garimpos de ouro, como o do rio Madeira, que poluem as águas com o mercúrio usado para precipitar as minúsculas pepitas dispersas na água. Além disso, grande quantidade de terra é derrubada dos barrancos, mudando a cor e assoreando os cursos d’água. Acredita–se que mais de 250 toneladas de mercúrio foram despejadas apenas no garimpo de Tapajós e outras 78 toneladas no rio Madeira. Esse mercúrio tem contaminado os peixes que servem de alimento para maioria da população, causando inúmeros problemas de saúde, como deficiências renais e neurológicas.

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