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terça-feira, 11 de julho de 2017

CANGAÇO

Foi uma onda de banditismo, crime e violência que se alastrou por quase todo o sertão do Nordeste brasileiro entre o século 18 e meados do século 20. Para alguns especialistas, o cangaço teria nascido como uma forma de defesa dos sertanejos diante da ineficiência do governo em manter a ordem e aplicar a lei. Mas o fato é que os bandos de cangaceiros logo se transformaram em quadrilhas que aterrorizaram o sertão, pilhando, assassinando e estuprando.


ENTENDENDO O CANGAÇO
Entre o final do século XIX e começo do XX (início da República), surgiu, no nordeste brasileiro, grupos de homens armados conhecidos como cangaceiros. Estes grupos apareceram em função, principalmente, das péssimas condições sociais da região nordestina. O latifúndio, que concentrava terra e renda nas mãos dos fazendeiros, deixava as margens da sociedade a maioria da população. O cangaço foi integrado por nômades que usavam violência para cometer crimes na região.
O cangaço foi um fenômeno social, caracterizado por atitudes violentas por parte dos cangaceiros. Estes, que andavam em bandos armados, espalhavam o medo pelo sertão nordestino. Promoviam saques a fazendas, atacavam comboios e chegavam a sequestrar fazendeiros para obtenção de resgates. Aqueles que respeitavam e acatavam as ordens dos cangaceiros não sofriam, pelo contrário, eram muitas vezes ajudados. Esta atitude, fez com que os cangaceiros fossem respeitados e até mesmo admirados por parte da população da época. Os cangaceiros não moravam em locais fixos. Possuíam uma vida nômade, ou seja, viviam em movimento, indo de uma cidade para outra. Ao chegarem nas cidades pediam recursos e ajuda aos moradores locais. Aos que se recusavam a ajudar o bando, sobrava a violência. Como não seguiam as leis estabelecidas pelo governo, eram perseguidos constantemente pelos policiais. Usavam roupas e chapéus de couro para protegerem os corpos, durante as fugas, da vegetação cheia de espinhos da caatinga. Além desse recurso da vestimenta, usavam todos os conhecimentos que possuíam sobre o território nordestino (fontes de água, ervas, tipos de solo e vegetação) para fugirem ou obterem esconderijos.
 
O TERMO CANGAÇO
É proveniente de canga, uma peça de madeira utilizada em pescoços de boi para transporte. Como os chamados cangaceiros tinham que carregar todos seus pertences junto ao corpo, deu-se o nome a partir da associação.

ORIGEM DO MOVIMENTO
O primeiro homem a ter agido como cangaceiro teria sido José Gomes ou Cabeleira, como era chamado. Diz-se que ele aterrorizava a região de Recife na segunda metade do século XVIII. Mas o movimento só ganhou corpo mesmo no final do século XIX. Nesta época, o nordeste passava por momentos difíceis e homens criminosos espalhavam o terror com suas vidas nômades. Já o primeiro grupo propriamente dito foi o de Jesuíno Alves de Melo Calado, chamado de Jesuíno Brilhante, que também praticou seus atos criminosos na segunda metade do século XVIII.
As origens do movimento estão nas próprias questões sociais e fundiárias do Nordeste. Para enfrentar tal panorama, homens isolados ou em bandos assaltavam fazendas, sequestravam e matavam coronéis e saqueavam o que podiam. Os cangaceiros, em geral, viviam cometendo crimes, fugindo e se escondendo. Mas havia três grupos no Cangaço.
Um deles prestava serviço aos próprios latifundiários, logo, não eram tão fugitivos assim.
Havia um segundo grupo que representava mais ainda os poderes locais dos fazendeiros, tanto que eram conhecidos como “políticos”. Estes, consequentemente, gozavam até de certa proteção.
Somente um terceiro grupo que era independente e que praticava uma vida bandida por conta própria.
Todos eles, contudo, conheciam bem a natureza do cerrado brasileiro e, por isso, tinham ampla vantagem na hora de fugir das autoridades. Era da natureza também que tiravam todos os recursos para enfrentar as adversidades.


ESTILO CANGACEIRO
Os cangaceiros tinham noções muito específicas de como se comportar e se vestir. Primeiro de tudo, a maioria deles sabia costurar muito bem. Vivendo nas terras desérticas do nordeste do Brasil, tiveram que sobreviver em meio a arbustos secos pontiagudos. Apesar do calor durante o dia, os cangaceiros preferiam usar roupas de couro, enfeitadas com todos os tipos de fitas coloridas e peças de metal. Eles também usaram luvas de couro com moedas e outras peças de metal costuradas por eles, quase como uma armadura. Por causa do forte calor e da ausência de água á disposição, alguns cangaceiros - especialmente Lampião - usavam perfumes, inclusive caros, como o francês,  muitas vezes roubados de casas das pessoas ricas e usados em grandes quantidades.

Kit básico para o cangaço:
  • Chapéu de couro com abas largas dobradas
  • Munição (até 18 quilos) e armas (a mais comum era o rifle Winchester 44)
  • Bolsa (capanga) com remédios, fumo e brilhantina
  • Punhal
  • Lenço para proteger boca e nariz contra a poeira
  • Roupa resistente com mangas compridas contra o sol
  • Cantil com água ou cachaça
ARMAS CANGACEIRO
As armas dos Cangaceiros eram principalmente revólveres, espingardas, e os famosos pára belo". Alega-se que como macaco "belo" era outra gíria para os policiais. Assim, pistolas e rifles Winchester eram chamados para belo. No entanto, o nome parece ser na verdade uma derivação da expressão latina para bellum que significa "preparar para a guerra" e foi usado em seguida para se referir a arma oficial utilizada pelas tropas governamentais brasileiras e por alguns dos soldados responsáveis ​​pela aplicação da lei. A pistola Luger que foi produzida pela fabricante de armas alemã. Eles também ficaram famosos por usarem uma faca fina, longa e bem afiada chamada " Peixeira ", uma faca de limpeza de peixe, usada principalmente para torturar ou cortar as gargantas de suas vítimas.

A FAMA
O cangaceiro mais famoso da história, sem dúvidas, foi Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. Sua importância para o movimento é tamanha que, por vezes, é chamado de Senhor do Sertão ou Rei do Cangaço. Suas ações são bem mais recentes, junto com seu grupo, atuou nas décadas de 1920 e 1930 em quase todo o nordeste do país. Lampião tinha uma personalidade dúbia. Para as autoridades era um criminoso brutal que precisava ser eliminado. Para a população da região era o símbolo de bravura e de honra. As primeiras mulheres juntaram-se ao cangaço a partir de 1930 – a pioneira foi Maria Bonita, companheira de Lampião.
O Cangaço permaneceu vivo por tanto tempo na história do Brasil porque os próprios latifundiários desejavam. Eles o mantinham ativo, pois era alternativa para cobrança de dívida e uma possibilidade para formar os exércitos mercenários em caso de disputas de famílias. O fenômeno só foi atacado definitivamente por ação do Estado no governo de Getúlio Vargas. Este determinou que qualquer foco de desordem no território deveria ser eliminado e empreendeu uma caçada por Lampião, símbolo do Cangaço. Todos os cangaceiros que não se rendiam eram mortos pelo governo, o que aconteceu com Virgulino no dia 28 de julho de 1938. Vários cangaceiros foram degolados e suas cabeças foram conservadas para exposição no nordeste, como forma de demonstração do que aconteceria com os não cumpridores da ordem.

Depois do fim de Lampião, chefes de outros bandos se entregaram. O último grupo famoso foi o de Cristino Gomes da Silva Cleto – Corisco -  , conhecido como  “O Diabo Loiro”, tanto pela cabeleira e, claro, pelo espírito. Ninguém sabe dizer ao certo quando ele nasce. Chegou ao fim no dia 25 de maio de 1940 com a morte.

ATAQUE A POVOADOS ROLAVA DE REPENTE E PODIA DURAR MAIS DE UM DIA
  • DESEMBARQUE SURPRESA - Primeiro, um cangaceiro disfarçado visitava um povoado para checar a quantidade de policiais (em geral, poucos) e avaliar sua capacidade de resistência (em geral, nenhuma). Acertada a invasão, o bando chegava de súbito, sem muita tática e com alarde para causar pânico geral .
  • CHAME O LADRÃO - Nos vilarejos do sertão, a força policial costumava resumir-se a um punhado de homens, com armas antiquadas e pouca munição. Inferiorizados numericamente por um bando de cangaceiros armados com rifles poderosos, só restava aos policiais fugir.
  • PILHAGEM - Sem a resistência policial, cangaceiros dedicavam-se a saquear o vilarejo, roubando tudo o que tivesse algum valor e pudesse ser carregado. Mas costumavam respeitar bens, joias e dinheiro pertencentes à igreja local, evitando agredir padres e sacristãos. O estoque de bebidas alcoólicas do armazém local era confiscado pelos cangaceiros, que promoviam enormes bebedeiras. Eles também aproveitavam para reabastecer de cachaça seus cantis e fazer reservas para consumir durante suas andanças pelo sertão.
  • CORDA NO PESCOÇO - Antes de sair dos povoados, os cangaceiros podiam enforcar autoridades ou suspeitos de colaborar com a polícia. Antes de partir, os bandidos advertiam a população de que qualquer ajuda ao governo seria punida com a morte na invasão seguinte.
  • COVARDIA SEXUAL - As mulheres do vilarejo, em especial as mais jovens, estavam sujeitas a abusos sexuais e estupros. Mas alguns chefes de bandos faziam questão de manter o respeito às mulheres da vila capturada, chegando a punir cangaceiros que praticassem violências contra elas.

Referências 
http://www.infoescola.com/historia/o-cangaco/
http://www.suapesquisa.com/historiadobrasil/cangaco.htm
https://pt.wikipedia.org/wiki/Canga%C3%A7o
http://www.eunapolis.ifba.edu.br/informatica/Sites_Historia_EI_31/cangaco/Site/Cangaco.html
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