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domingo, 10 de novembro de 2013

ENERGIA RENOVÁVEL: A ENERGIA QUE O MUNDO PRECISA



Se há um país no mundo que goza das melhores oportunidades ecológicas e geopolíticas para ajudar a formular outro mundo necessário para toda a humanidade, este país seria o nosso.



As vantagens da energia renovável foram bem definidas pelo Brasil em proposta apresentada na Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, ocorrida em Johannesburgo (África do Sul), em agosto de 2002. No documento, foi explicado que as novas fontes renováveis de energia – como biomassa, pequenas hidrelétricas, eólica e energia solar, incluindo a fotovoltaica – oferecem inúmeros benefícios:
  • Aumentam a diversidade e a complementaridade da oferta de energia; 
  • Reduzem as emissões atmosféricas de poluentes; 
  • Asseguram a sustentabilidade da geração de energia em longo prazo; 
  • Criam novas oportunidades de empregos nas regiões rurais e urbanas, oferecendo oportunidades para fabricação local de tecnologia de energia; 
  • Fortalecem a garantia e segurança de fornecimento porque não requerem importação, diferentemente do setor dependente de combustíveis fósseis;
  • Além de solucionar grandes problemas ambientais, como o efeito estufa, as fontes renováveis ajudam a combater a pobreza;
  • Podem aumentar o acesso à água potável proveniente de poços. Água limpa e alimentação cozida reduzem a fome (95% dos alimentos precisam ser cozidos antes de serem ingeridos) e evitam doenças; 
  • Reduzem o tempo que mulheres e crianças gastam nas atividades básicas de sobrevivência (buscar lenha, coletar água, cozinhar). Energia em casa facilita o acesso à educação, aumenta a segurança e permite o uso de mídia e comunicação na escola; 
  • Diminuem o desmatamento.
POTENCIAL X REALIDADE
Se há um país no mundo que goza das melhores oportunidades ecológicas e geopolíticas para ajudar a formular outro mundo necessário para toda a humanidade, este país é o Brasil. Ele é a potência das águas, possui a maior biodiversidade do planeta, as maiores florestas tropicais, a possibilidade de uma matriz energética menos agressiva ao meio ambiente – à base da água, do vento, do sol, das marés, das ondas do mar e da biomassa. Entretanto, ainda não acordou para isso.
Recente episódio mostra que o fator ecológico não é estratégico no atual governo. Somos ignorantes, atrasados, sem senso de responsabilidade face ao nosso futuro comum.

UM PLANO DE RETROCESSO
Plano Decenal de Expansão de Energia (PDEE) 2008-2017 aponta para o aumento no consumo de eletricidade no país. Para atender o crescimento da demanda, baseia-se em uma visão ‘ofertista’, que não questiona para onde vai a energia e que acaba caindo na querela de que, se não forem construídas hidrelétricas, serão feitas termelétricas, e mesmo nucleares.
O caráter deste plano é o de atender preferencialmente aos grandes consumidores, isto é, a indústria eletro-intensiva, limitando o debate energético à falsa dicotomia entre hidrelétricas ou termelétricas e relegando as fontes alternativas a um papel nulo, apesar de representarem fontes de complementaridade e que poderiam ter uma participação muito mais ampla. Lamentavelmente, verifica-se que em qualquer ambiente do setor público ou privado, os tópicos referentes à energia solar ou eólica como opção para aumentar a oferta de energia elétrica são vistos com preconceito, como uma excentricidade ambientalista. Os argumentos são sempre os mesmos: não oferecem escala e são muito caras. Como se as hidrelétricas fossem baratas, seus reservatórios não emitissem gases de efeito estufa, e elas não impactassem as populações ribeirinhas. A realidade é que elas existem em um sistema que mistura subsídios cruzados, sem nenhuma transparência e com custos não contabilizados – entre eles o ambiental.

INVESTIMENTO MUNDIAL
Diferentemente do que pensam os planejadores da política energética brasileira, o que se constata é que o mundo inteiro está investindo em energia eólica e fotovoltaica (eletricidade solar).  O mercado de energia eólica cresceu mais  30% .O setor de eletricidade solar cresce 45% ao ano, em média, no mundo. No Brasil são apenas 33 unidades de sistemas fotovoltaicos conectados à rede elétrica. Também os investimentos em novas tecnologias para a energia solar fotovoltaica crescem em ritmo acelerado. Sua participação no total da capacidade elétrica instalada ainda é pequena, em comparação às fontes tradicionais, mas tem uma curva exponencial de crescimento que justifica cenários futuros com projeção para ocupar uma fatia expressiva no sistema elétrico mundial.

NA CONTRAMÃO DA HISTÓRIA
A mudança da matriz energética com a incorporação de fontes renováveis de energia (particularmente solar e eólica) é um ponto fundamental para que se consiga atingir um padrão de desenvolvimento sustentável. Essas fontes energéticas geram muitos empregos, tanto na área de instalação de placas solares, aquecedores solares e geradores eólicos, como na área de desenvolvimento e pesquisa. Além disso, diminuem os níveis de poluição atmosférica e a emissão de gases que contribuem para o aquecimento global.
O Brasil tem um potencial gigantesco de geração de energia eólica e solar, só que precisamos começar a olhar para frente, ver que podemos nos beneficiar de investimentos feitos agora nessa área, em pesquisa, desenvolvimento e implantação. Precisamos ganhar com isso no futuro, nos tornando um exportador de tecnologia. Precisamos ser o país que terá a matriz mais limpa do mundo no futuro.
Estamos na contramão da história. As estratégias energéticas globais hoje estão definidas tendo como objetivo central buscar uma matriz energética com baixas emissões de gases que causam o efeito estufa, que leve em conta a diversificação com fontes renováveis de energia e livre da mentalidade das grandes obras, que centralizam a geração elétrica. É este debate que deve ser realizado pela sociedade brasileira.

CONHEÇA AS ENERGIAS RENOVÁVEIS
  • O vento
O vento existente no planeta é suficiente para suprir o consumo mundial de energia em mais de quatro vezes o nível atual de consumo. A tecnologia de uso da energia eólica é uma história de sucesso e gera eletricidade para milhões de pessoas, empregos para dezenas de milhares e bilhões de dólares de lucro.
  • O sol
A luz solar que ilumina a Terra a cada hora é suficiente para suprir as necessidades humanas de energia por um ano inteiro. Há muitas maneiras de utilizar esta fonte de energia: Coletores solares térmicos, que podem aquecer a água e o ar para casas e instalações industriais; ou energia solar fotovoltaica (PV), que gera eletricidade diretamente a partir da luz do sol. Simples, confiável, segura e silenciosa, é uma eletricidade livre de qualquer poluição.
  • As pequenas hidrelétricas (PCH’s)
 Os projetos de usinas hidroelétricas de pequena escala (no Brasil ≤ 30 Mega Watts) usam o fluxo natural das águas dos rios para gerar eletricidade. Unidades hidroelétricas familiares contam com pequenas turbinas que usam o fluxo da água para gerar eletricidade para casas. As PCHs são menos nocivas do ponto de vista ambiental. O Brasil, particularmente Minas Gerais, tem grande potencial para esta tecnologia, assim como em outros Estados. De acordo com a APMPE (Associação Brasileira dos Pequenos e Médios Produtores de Energia Elétrica), a potência hidrelétrica já identificada nos inventários disponíveis hoje soma 10 mil MW, cerca de 10% de toda a capacidade instalada no país. A associação estima outros 15 mil MW em potencial ainda não identificado.

  • Uma visão crítica sobre a biomassa
Plantações podem ser cultivadas especificamente para a produção de combustíveis e a compostagem de material vegetal também pode ser usada para produzir gás metano, que, por sua vez, pode ser utilizado como combustível. No entanto, cultivos geneticamente modificados não devem ser usados com essa finalidade, bem como se deve evitar haver emissões tóxicas (provenientes, por exemplo, do uso de agrotóxicos) resultantes da queima desse tipo de combustível. Resíduos florestais e agrícolas também podem ser usados para produzir eletricidade e aquecer, sem causar o aumento dos níveis de CO2.
A expansão das monoculturas (cana de açúcar e plantas oleaginosas), além de degradar o meio ambiente e ampliarem a exploração do trabalho assalariado, destrói os territórios camponeses provocando o êxodo rural, expandindo ainda mais as desigualdades sociais no campo e na cidade.
O potencial de crescimento da eletricidade de cana, a chamada bioeletricidade, é surpreendente, devendo passar dos atuais 3% da matriz energética elétrica nacional para cerca de 15% em 2020, isso considerando apenas a utilização do bagaço e da palha da cana em níveis idênticos ao do volume plantado atualmente no Brasil. A biomassa da cana é considerada ainda, uma matéria-prima cada vez mais importante para a indústria da alcoolquímica, com destaque para os plásticos verdes e uma série de outros produtos, além do etanol. A expansão do cultivo da cana-de-açúcar tende a consolidar o modelo econômico dominante na agricultura brasileira que é a afirmação das grandes áreas de monoculturas (como na soja, algodão, milho e outros cereais) e a artificialização da agricultura, esta a através dos cultivos transgênicos, fertilizantes de origem industrial, uso intensivo de agrotóxicos e de herbicidas, da automação, da mecanização pesada e da aviação agrícola. Esse modelo é ambientalmente insustentável e favorece a degradação ambiental. Um dos gases responsáveis pelo efeito estufa, o óxido nitroso (N2O), tem como principal fonte de emissão a agricultura, que é 310 vezes mais poluente que o dióxido de carbono (CO2), o mais comum na atmosfera. Contaminação das águas e do solo pelos agrotóxicos e os herbicidas, assim como saturação dos solos pelos fertilizantes nitrogenados. Compactação dos solos pela motomecanização pesada.

  • Das marés
Energia maremotriz é o modo de geração de eletricidade através da utilização da energia contida no movimento de massas de água devido às marés. Dois tipos de energia maremotriz podem ser obtidas: energia cinética das correntes devido às marés e energia potencial pela diferença de altura entre as marés alta e baixa.  O Brasil apresenta condições favoráveis à implementação desse sistema em locais como o litoral maranhense, aonde a amplitude dos níveis das marés chega a oito metros. Os estados do Pará e do Amapá também apresentam condições favoráveis para esse sistema. Apesar disso, ainda não existe nenhuma usina maremotriz no país.

Fonte: ecoagencia/ bibocaambiental/ 

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