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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

PANORAMA DA BIODIVERSIDADE GLOBAL 2


O termo biodiversidade - ou diversidade biológica - descreve a riqueza e a variedade do mundo natural. As plantas, os animais e os microrganismos fornecem alimentos, remédios e boa parte da matéria-prima industrial consumida pelo ser humano.


ECOSSISTEMAS TERRESTRES


As mudanças no uso da terra continuam a ser a principal ameaça de curto prazo, com as mudanças climáticas e as interações entre estas duas causas tornando-se progressivamente importantes. As florestas tropicais continuam a ser derrubadas, abrindo caminho para as plantações e para os biocombustíveis. Extinções de espécies, muitas vezes mais frequentes do que a “taxa de extinção de fundo” histórica, e perda de habitats continuam a ocorrer ao longo do século 21. As populações de espécies silvestres diminuem rapidamente, com enormes impactos especialmente para a África equatorial e partes do sul e sudeste da Ásia. As mudanças climáticas fazem com que as florestas boreais se estendam em direção ao norte para dentro da tundra, deixando de existir nas suas margens ao sul, dando lugar às espécies de clima temperado. Por sua vez, as florestas temperadas deverão desaparecer na parte sul e na margem de baixa latitude de sua extensão. Muitas espécies sofrem reduções nas suas áreas de distribuição e/ou chegam perto da extinção, à medida que suas áreas de ocorrência se movem várias centenas de quilômetros em direção aos polos. A expansão urbana e agrícola limita ainda mais as oportunidades para as espécies migrarem para novas áreas, em resposta às mudanças climáticas.
IMPACTOS SOBRE AS PESSOAS
A conversão em larga escala de habitats naturais em terras de cultivo ou florestas manejadas ocorrerá às custas da degradação da biodiversidade e dos serviços dos ecossistemas que ela sustenta, tais como a retenção de nutrientes, suprimento de água limpa, controle de erosão do solo e armazenamento de carbono, a menos que práticas sustentáveis sejam usadas para prevenir ou reduzir essas perdas. Mudanças induzidas pelo clima na distribuição de espécies e tipos de vegetação terão impactos importantes sobre os serviços disponíveis para as pessoas, tais como a redução no fornecimento de madeira e as oportunidades de recreação.
ALÉM DISSO, existe um alto risco de perda dramática  de biodiversidade e degradação dos serviços ecossistêmicos terrestres se certos limiares forem ultrapassados. Os cenários plausíveis incluem:
A FLORESTA AMAZÔNICA, devido à interação de desmatamentos, incêndios e mudanças climáticas, sofre uma ampla retração, mudando de floresta tropical para floresta de cerrado ou floresta estacional em vastas áreas, especialmente no leste e no sul do Bioma. A floresta poderia mover-se para um ciclo vicioso de incêndios mais frequentes, secas mais intensas e morte florestal periférica mais acelerada. A retração da Amazônia terá impactos globais, por meio do aumento das emissões de carbono, acelerando as mudanças climáticas. Ela também irá conduzir à uma redução das precipitações regionais, que poderiam comprometer a sustentabilidade da agricultura regional.
O SAHEL, na África, sob pressão das mudanças climáticas e sobrexplotação (superexploração da extração ou obtenção de recursos naturais, geralmente não renováveis, para fins de aproveitamento econômico) impactos sobre a iodiversidade e a produtividade agrícola. A contínua degradação do Sahel causou e poderá continuar a causar perda de biodiversidade e escassez de alimentos, fibras e água na África Ocidental.
OS ECOSSISTEMAS INSULARES são afligidos por uma verdadeira cascata de extinções e instabilidades dos ecossistemas, devido ao impacto de espécies exóticas invasoras. As ilhas são particularmente vulneráveis a invasões, já que as comunidades de espécies evoluíram de forma isolada e, muitas vezes, carecem de defesa contra predadores e patógenos. À medida que as comunidades invadidas se tornam cada vez mais alteradas e empobrecidas, sua vulnerabilidade a novas invasões pode aumentar.
SOLUÇÕES ALTERNATIVAS
Aliviar a pressão das mudanças do uso da terra nos trópicos é essencial para que os impactos negativos da perda de biodiversidade terrestre e de serviços ecossistêmicos associados possam ser minimizados. Isso envolve um conjunto de medidas, incluindo um aumento na produtividade das culturas e pastagens existentes, reduzindo as perdas pós-colheitas, o manejo florestal sustentável e a redução do consumo excessivo de carne. Devem ser levadas em conta as emissões de gases de efeito estufa associadas à conversão em larga escala de florestas e outros ecossistemas em áreas agrícolas. Isso impedirá incentivos impróprios pela destruição da biodiversidade, por meio do remanejamento em larga escala das culturas de biocombustíveis, em nome da mitigação das mudanças climáticas . Quando são consideradas as emissões advindas das mudanças no uso da terra, ao invés de apenas a emissão por fonte energética, surgem vias de desenvolvimento plausíveis para combater as mudanças climáticas sem o uso generalizado de biocombustíveis. A utilização de pagamentos por serviços ambientais, mecanismos como a Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD), podem ajudar a alinhar os objetivos de combate à perda de biodiversidade e às mudanças climáticas. No entanto, esses sistemas devem ser cuidadosamente concebidos, visto que conservar áreas com elevado valor de carbono não significa necessariamente conservar áreas de elevada importância para a conservação.

ECOSSISTEMAS DE ÁGUAS INTERIORES

Os ecossistemas de águas interiores continuam a ser submetidos a enormes mudanças, como resultado de múltiplas pressões, e a biodiversidade continua a se perder mais rapidamente do que em outros tipos de ecossistemas. Os desafios relacionados à disponibilidade e à qualidade da água se multiplicam no mundo todo, com crescentes demandas de água agravadas por uma combinação de causas: mudanças climáticas, introdução de espécies exóticas, poluição e construção de barragens, colocando mais pressão sobre a
biodiversidade da água doce e os serviços que ela presta. Represas, açudes, reservatórios de abastecimento de água e desvios para irrigação e para fins industriais criam, cada vez mais, barreiras físicas que bloqueiam a movimentação as migrações dos peixes, colocando em perigo ou causando a extinção de muitas espécies de água doce. Espécies endêmicas de peixes de uma única bacia tornam-se especialmente vulneráveis às mudanças climáticas. Uma projeção sugere menos espécies de peixes em cerca de 15% dos rios até 2100, somente por causa das alterações climáticas e do aumento das retiradas de água. As bacias hidrográficas dos países em desenvolvimento enfrentam a introdução de um número crescente de organismos não nativos como um resultado direto da atividade econômica, aumentando o risco de perda de biodiversidade por espécies invasoras.
IMPACTOS SOBRE AS PESSOAS
A degradação total projetada das águas interiores e dos serviços que prestam, lança incerteza sobre as perspectivas para a produção alimentar dos ecossistemas de água doce. Isso é importante, porque cerca de 10% da pesca na natureza são relativos às de águas interiores, e muitas vezes compõem grandes frações de proteína dietética para as comunidades ribeirinhas ou de lagos.
ALÉM DISSO, existe um alto risco de perda dramática de biodiversidade e degradação dos serviços ecossistêmicos de água doce se certos limites forem ultrapassados. Os cenários plausíveis incluem:
EUTROFIZAÇÃO DA ÁGUA DOCE CAUSADA por acúmulo de fosfatos e nitratos de fertilizantes agrícolas, esgotos de águas pluviais e o escoamento de efluentes urbanos transformam os corpos de água doce, especialmente lagos, em um estado dominado por algas (eutrófico). À medida que as algas apodrecem, os níveis de oxigênio na água se esgotam e ocorre uma falência generalizada das outras vidas aquáticas, incluindo os peixes. Um mecanismo de reciclagem é ativado, o que pode manter o sistema eutrófico mesmo depois que os níveis de nutrientes forem substancialmente reduzidos. A eutrofização dos sistemas de água doce, agravada em algumas regiões pela diminuição das chuvas e aumento de demanda hídrica, pode levar ao declínio da disponibilidade de peixes, com implicações para a alimentação em muitos países em desenvolvimento. Também ocorrerá perda de oportunidades de lazer e rendado turismo e, em alguns casos, riscos para a saúde de pessoas e animais, causados pelo crescimento explosivo de algas tóxicas.
MUDANÇAS DOS PADRÕES DE DERRETIMENTO DE NEVE E DE GLACIARES nas regiões montanhosas, devido às mudanças climáticas, provocam alterações irreversíveis para alguns ecossistemas de água doce. O aumento da temperatura da água, um maior escoamento durante uma temporada mais curta de derretimento e o aumento dos períodos de estiagem, perturbam a dinâmica natural dos rios e dos processos ecológicos que dependem do sincronismo, duração e volume dos fluxos. Os impactos irão abranger, entre muitos outros, perda de habitat, alterações nas variações e respostas sazonais (fenologia) e mudanças na química da água.
SOLUÇÕES ALTERNATIVAS
Há grande potencial para minimizar os impactos na qualidade da água e reduzir o risco de eutrofização, por meio do investimento em tratamento de esgotos, proteção e restauração de zonas úmidas e controle do escoamento agrícola, especialmente no mundo em desenvolvimento. Existem também oportunidades muito difundidas para melhorar a eficiência do uso da água, especialmente na agricultura e na indústria. Isso ajudará a minimizar as compensações entre a crescente demanda por água potável e a proteção dos muitos serviços prestados pelos ecossistemas saudáveis de água doce. Uma gestão mais integrada de ecossistemas de água doce irá ajudar a reduzir os impactos negativos das pressões concorrentes. A restauração de processos interrompidos, como a reconexão de várzeas, a gestão de barragens para imitar os fluxos naturais e a reabertura de acesso aos habitats dos peixes – bloqueados por barragens, podem ajudar a reverter a degradação. Pagamentos por serviços ambientais, como a proteção de bacias hidrográficas de montante por meio da conservação das matas ciliares, podem recompensar as comunidades que asseguram a continuidade da prestação destes serviços aos usuários dos recursos de águas interiores em diferentes partes de uma bacia. O ordenamento do território e redes de áreas protegidas podem ser adaptados mais especificamente para as necessidades dos sistemas de água doce, salvaguardando os processos essenciais em rios e zonas úmidas e suas interações com os ecossistemas terrestres e marinhos. A proteção dos rios que ainda não foram fragmentados pode ser vista como uma prioridade para a conservação da biodiversidade de águas interiores. Manter a conectividade dentro das bacias hidrográficas será cada vez mais importante, para que as espécies tenham maior capacidade de migrar, em resposta às mudanças climáticas. Mesmo com as medidas mais agressivas para atenuar as mudanças climáticas, alterações significativas nos regimes de derretimento de neve e de glaciares são inevitáveis, e já estão sendo verificadas. No entanto, os impactos sobre a biodiversidade podem ser reduzidos, minimizando outras pressões como a poluição, a perda de habitat e a captação de água, pois isto irá aumentar a capacidade das espécies e ecossistemas aquáticos de se adaptarem às mudanças relativas ao derretimento de neve e glaciares.

ECOSSISTEMAS COSTEIROS E MARINHOS

A procura por frutos do mar continua a crescer com o aumento da população e com mais pessoas tendo renda suficiente para incluí-los em sua dieta. Estoques pesqueiros continuam sob pressão e a aquicultura se expande. A crescente tendência da extensão da exploração pesqueira para toda a cadeia alimentar marinha, dos predadores de topo de cadeia para os demais níveis tróficos, ocorre às custas da biodiversidade marinha (em contínuo declínio no Índice Trófico Marinho em muitas áreas). As mudanças climáticas fazem com que as populações de peixes se redistribuam em direção aos polos e os oceanos tropicais se tornem comparativamente menos diversificados. A elevação do nível do mar ameaça muitos ecossistemas costeiros. A acidificação do oceano enfraquece a capacidade de moluscos, crustáceos, corais e fitoplânctons marinhos formarem seus esqueletos, ameaçando destruir a cadeia alimentar marinha, bem como as estruturas de recifes. As descargas crescentes de nutrientes e de poluição aumentam a incidência de zonas costeiras mortas, e o aumento da globalização cria mais danos por espécies exóticas invasoras transportadas em águas de lastro de navios.
IMPACTOS SOBRE AS PESSOAS
O declínio dos estoques de peixes e sua redistribuição em direção aos polos têm importantes implicações para a segurança alimentar e nutricional em regiões tropicais mais pobres, visto que as comunidades muitas vezes dependem de proteínas de peixe para completar sua dieta. O impacto da elevação do nível do mar, à medida que reduz a área de ecossistemas costeiros, aumentará os riscos para os assentamentos humanos, e a degradação dos ecossistemas costeiros e recifes de coral terão impactos muito negativos sobre a indústria do turismo.
ALÉM DISSO, existe um alto risco de perda dramática de biodiversidade e degradação dos serviços ecossistêmicos marinhos e
costeiros, se certos limites forem ultrapassados. Os cenários plausíveis incluem:
OS IMPACTOS COMBINADOS DA ACIDIFICAÇÃO E ELEVAÇÃO DAS TEMPERATURAS DOS OCEANOS tornam os sistemas de recifes de coral tropicais vulneráveis a colapsos. Mais água ácida (provocada por altas concentrações de dióxido de carbono na atmosfera) diminui a disponibilidade de íons carbonatos necessários para construir esqueletos de coral. Concentrações atmosféricas de dióxido de carbono de 450 partes por milhão (ppm), inibem o crescimento de organismos calcificadores em quase todos os recifes de coral tropicais e subtropicais. A partir de uma concentração de 550 ppm, os recifes de coral começam a se dissolver. Os impactos do branqueamento dos corais provocado pelo aquecimento da água, juntamente com uma variedade de  pressões causadas pelos homens, tornam os recifes cada vez mais dominados por algas, com perdas catastróficas de biodiversidade.
OS SISTEMAS DE ZONAS ÚMIDAS COSTEIRAS ficam reduzidos a faixas estreitas ou se perdem por completo no que pode ser descrito como uma “compressão costeira”. Isso se dá pela elevação do nível do mar, cujo efeito é exacerbado pelas construções e obras costeiras, tais como viveiros de aquicultura. O processo é ainda reforçado por uma maior erosão costeira gerada pelo enfraquecimento da proteção fornecida pelas zonas úmidas de marés. Uma maior deterioração dos ecossistemas costeiros, incluindo os recifes de coral, trará múltiplas consequências para milhões de pessoas cuja subsistência depende dos recursos que eles fornecem. A degradação física dos ecossistemas costeiros, como restingas e manguezais, também tornará as comunidades costeiras mais vulneráveis a tempestades em terra e aos aumentos repentinos das marés.
A DIMINUIÇÃO DRÁSTICA DE ESPÉCIES DE GRANDES PREDADORES dos oceanos, provocada pela exploração excessiva, leva a uma modificação do ecossistema para o domínio de espécies menos desejáveis e mais resilientes, como a água-viva. Os ecossistemas marinhos sob tal alteração tornam-se muito menos capazes de fornecer a quantidade e a qualidade de alimentos necessárias às pessoas. Essas mudanças podem revelar-se duradouras e difíceis de reverter mesmo com a redução significativa da pressão de pesca, como foi sugerido pela falta de recuperação dos estoques de bacalhau ao largo da Terra Nova, desde o colapso populacional do início dos anos 1990. O colapso de pescas regionais poderia ter também consequências sociais e econômicas de grande alcance, incluindo o desemprego e perdas econômicas.
SOLUÇÕES ALTERNATIVAS
A gestão mais racional da pesca oceânica pode tomar vários caminhos, inclusive a aplicação mais estrita das regras existentes para evitar a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada. Os cenários sugerem que o declínio da biodiversidade marinha poderia ser interrompido se a gestão da pesca se concentrar na reconstituição de ecossistemas, ao invés de maximizar a captura no curto prazo. Modelos de pesca sugerem que reduções modestas das capturas poderiam produzir melhorias substanciais no estado do ecossistema e, simultaneamente, melhorar a rentabilidade e a sustentabilidade da pesca. O desenvolvimento da aquicultura debaixo impacto, lidando com as questões de sustentabilidade que têm incomodado algumas partes da indústria, também ajudaria a satisfazer a crescente demanda por peixes sem adicionar pressão sobre os estoques pesqueiros. A redução de outras formas de pressão sobre os sistemas de corais pode torná-los menos vulneráveis aos impactos da acidificação e do aquecimento das águas. Por exemplo, reduzir a poluição costeira irá remover um estímulo adicional para o crescimento de algas, e reduzir a sobrexploração dos peixes herbívoros irá manter o equilíbrio da simbiose entre algas e corais, aumentando a resiliência do sistema. O planejamento de políticas que permitam o deslocamento de brejos, manguezais e outros ecossistemas costeiros para o interior irá torná-los mais resilientes ao impacto da elevação do nível do mar e, dessa forma, ajudará a proteger os serviços vitais que prestam. A proteção dos processos continentais, incluindo o transporte de sedimentos para estuários, também pode impedir que a elevação do nível do mar seja agravada pelo afundamento de deltas ou estuários.

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fonte: revista cidadania&meioambiente

Um comentário:

Anônimo disse...

bom texto para discussão em aula