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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

LIMITES E FRONTEIRAS




É importante conhecer a diferença entre limite e fronteira, conceitos que muitos consideram como sinônimos, mas que possuem significados distintos. A diferença entre os conceitos de limite e fronteira é de necessária compreensão, pois um termo refere-se a algo estático e o outro, a algo dinâmico.


Existem dois termos muitos utilizados no âmbito da Geografia e em outras áreas do conhecimento que são frequentemente considerados como sinônimos no senso comum e até em algumas abordagens acadêmicas: os conceitos de limite e fronteira. No entanto, trata-se de expressões que possuem significados diferentes e expressam, portanto, dinâmicas territoriais e sociais distintas entre si.
A diferença entre limite e fronteira está no grau de abrangência de cada um desses termos, além do grau de dinamismo que um apresenta em relação ao outro.
  • Conceito de limite 
Relaciona-se com a ideia de divisão, que muitas pessoas imaginam pertencer à ideia de fronteira, o que não é correto. O limite é a divisão entre uma unidade territorial e outra, geralmente entre dois países. A ideia desse conceito remonta à constituição do Estado moderno e sua necessidade de determinar com total precisão os pontos do território sobre o qual ele exerce sua soberania, incluindo os seus valores constitutivos, idiomas, moeda e outros aspectos.
  • Conceito de fronteira
É mais dinâmico e designa uma frente de expansão ou uma zona de inter-relações entre os diferentes meios, que podem ou não ser territórios diferentes. Ao contrário de limite, que é uma noção mais exata e fixada juridicamente, as fronteiras são mais fluidas e há mais comunicação e interação.
Quando usamos o termo “fronteira agrícola do Brasil”, por exemplo, estamos falando das áreas mais ou menos definidas onde a produção agropecuária avança sobre as áreas naturais. Não se trata, dessa forma, de um limite preciso, mas de uma zona móvel onde acontecem diferentes interações em diferentes perspectivas, incluindo, nesse caso, conflitos territoriais, grilagem de terras, ocupação de áreas públicas e privadas e vários outros elementos.
Portanto, os limites referem-se a uma determinação legalmente fomentada, que foi estabelecida por um acordo formal ou uma convenção. Já as fronteiras constituem algo dinâmico, “vivo”, por assim dizer, referindo-se às trocas e relações, sejam elas culturais, econômicas, militares, afetivas e outras.

Limites naturais: São aqueles que não foram estabelecidos pelo homem, como rios, córregos, mares e montanhas, e são utilizados como parâmetro para delimitar o fim de um território e o começo de outro.

                O Rio Iguaçu é um limite natural que divide os territórios do Brasil e da Argentina
 

Limites artificiais: São aqueles construídos pelo homem, como estradas, muros e linhas imaginárias, e também são utilizados ou construídos com a finalidade de delimitar territórios 

O muro que separa o México dos Estados Unidos é um limite artificial e foi construído com a finalidade de ser uma linha divisória entre esses países.

Fronteiras artificiais : Nem sempre as influências que citamos acima foram relevantes para o estabelecimento de fronteiras. Em momentos da história recente, houve a criação de fronteiras artificiais, como as estabelecidas nos processos de colonização da África e do Oriente Médio. Os países europeus que estabeleceram essas fronteiras não levaram em consideração as diferenças étnicas, linguísticas e religiosas dos povos locais, o que resultou em conflitos étnicos e religiosos que persistem até os dias atuais. 


Erro – Dividir a África e o Oriente Médio sem levar em conta as diferenças étnicas, linguísticas e religiosas dos povos locais.

Quem – Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Grã-Bretanha, Itália e Portugal.

Quando – Em 1884 (partilha da África) e na virada de 1915 para 1916 (divisão do Oriente Médio).

Consequências– Conflitos violentos motivados por diferenças étnicas ou religiosas e ascensão de ditadores sanguinários ao poder.

Entre o final de 1915 e o início de 1916, enquanto milhares de soldados morriam nas trincheiras da 1ª Guerra Mundial, dois diplomatas redesenhavam o mapa do Oriente Médio. Armados de réguas e compassos, eles inventaram fronteiras, misturaram etnias, embaralharam religiões e plantaram a semente do caos político na região. Um era o secretário de Estado inglês sir Mark Sykes. Seu colega era François-Édouard Picot, um servidor do governo francês. Juntos, eles planejaram dividir as antigas províncias do Império Otomano – um gigante que estava prestes a cair em meio a rebeliões de várias tribos árabes. Com o fim da 1ª Guerra, foram criados países como a Transjordânia (atual Jordânia), o Iraque e o Líbano – todos com fronteiras artificiais. “O traçado arbitrário está na raiz de muitos problemas que o Oriente Médio enfrenta até hoje, como a disputa entre palestinos e israelenses.

Loteamento africano
À época de Sykes e Picot, no entanto, a invenção de países com fronteiras artificiais já não era novidade. Desde o século 19, as grandes potências colonialistas andavam alterando mapas ao redor do mundo, principalmente na África. Em 1884, o chanceler alemão Otto von Bismarck convidou embaixadores de vários países ocidentais para uma série de reuniões que definiriam os contornos do continente africano. Ao final das conversações (conhecidas como Conferência de Berlim), 53 países tinham sido inventados. As divisões entre cada estado visavam apenas os interesses europeus, sem respeitar diferenças étnicas, linguísticas ou religiosas dos povos locais. Para manter a dominação sobre esses Estados improvisados, os colonizadores utilizaram a velha tática de dividir para governar: aliciaram grupos nativos, transformando-os em leões de chácara das metrópoles europeias. Em Ruanda, por exemplo, os franceses favoreceram a etnia tutsi. Quando a colônia passou ao domínio belga, os beneficiados foram os hutus. Resultado: após a independência, os dois grupos mergulharam num conflito que resultou no genocídio de 1994, quando cerca de 800 mil tutsis foram massacrados.

Colcha de retalhos
Após a 2ª Guerra Mundial (1939-1945), a maioria das colônias na África e no Oriente Médio ganhou independência. Em vez de países, no entanto, muitas viraram apenas formas geométricas com dezenas de etnias dentro. Sem unidade nacional, o único jeito de manter coesão era a força bruta. Em alguns casos, as antigas metrópoles ajudaram ditadores a tomar o poder. Foi o caso de Mobutu Sese Seko, no Zaire. Moral da história: mesmo depois da partida dos colonizadores, os leões de chácara continuaram no poder.
Conferência de Potsdam, ocorrida entre julho e agosto de 1945.
Com o fim da 2ª Guerra Mundial, o continente europeu passou por um processo de divisão por zonas de influência política. Os soviéticos dominaram a região oriental da Europa dando força política aos partidos políticos comunistas A parcela ocidental da Europa foi influenciada pelos Estados Unidos. A consequência foi que o globo passou a ser dividido entre os interesses capitalista e Socialista iniciando a conhecida “Guerra Fria”.

  

O termo "fronteira" refere-se a uma região ou faixa, enquanto que o termo "limite" está ligado a uma concepção imaginária. A fronteira é uma faixa do território situada em torno dos limites internacionais.
    No Brasil, as fronteiras são as delimitações dos países, divisas são as delimitações dos estados, e limites são as delimitações dos municípios.

  
Referências
http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia
http://brasilescola.uol.com.br/geografia/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Fronteira 

http://super.abril.com.br/

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