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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

SECOU A HISTÓRICA NASCENTE DO RIO SÃO FRANCSICO

Como num funeral, ontem – 23/09/2014 – é um dia de luto histórico para o rio São Francisco e seu povo. O acontecimento é simbólico, mas não significa, necessariamente, que o curso do rio será interrompido mais adiante. Além de preocupante, a notícia da seca na nascente do São Francisco deve servir como um alerta para as pessoas.

A nascente do Rio São Francisco – que fica dentro do Parque Nacional da Serra da Canastra, no município de São Roque de Minas, em Minas Gerais – secou. Segundo Vicente Faria, analista ambiental do parque, o curso d'água até a primeira queda d'água, a Cachoeira Casca D'Anta, só não secou totalmente porque outros tributários ainda têm alguma água. Na avaliação do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF), se não chover até o fim de outubro um trecho de 40 quilômetros do rio, entre a Usina Hidrelétrica de Três Marias e o primeiro afluente, o Rio Abaeté, poderá secar.É a primeira vez que isso acontece. A Cachoeira Casca D'Anta, que fica a 10 quilômetros, recebe água de outros tributários, mas está com apenas um fio d'água. Isso é emblemático, pois o São Francisco é o rio mais importante do Brasil. A Serra da Canastra tem centenas de nascentes, perenes e intermitentes, e a maioria já secou — diz Faria. Segundo Silvia Freedman, secretária nacional do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF) e coordenadora-geral do Consórcio Municípios do Lago de Três Marias, apenas 14 metros cúbicos de água estão entrando por segundo na represa da hidrelétrica de Três Marias, em função da pouca água que vem do próprio rio e dos afluentes Pará e Paraopeba, que ficam antes do reservatório.
 O volume de água é inferior à vazão da represa, em torno de 150 metros cúbicos (m³) e 160m³ por dia, o que faz com que o reservatório continue a baixar. Se não chover, daqui a um mês o reservatório não conseguirá mais soltar água para o curso do Rio São Francisco e cerca de 40 km vão secar, ficando apenas com poças. Não há como soltar água do volume morto da represa para o curso do rio. Quarenta quilômetros é a distância entre o reservatório Três Marias e o primeiro afluente do São Francisco após a barragem, o Rio Abaeté. O reservatório de Três Marias está com 5,9% de capacidade. Logo após o reservatório está uma unidade da Votorantim Metais, que produz zinco. Também estão neste trecho várias tecelagens, como a Cedro Cachoeira. O projeto Jaíba de irrigação Jaíba suspendeu novos plantios. Silvia afirmou que o Comitê vai pedir à Agência Nacional de Águas que suspenda as outorgas de água para usos múltiplos caso não acha segurança para abastecimento humano e de animais. De acordo com ela, um levantamento de outorgas está sendo feito.
Infelizmente, não há previsão de chuva ou mudança de cenário antes de novembro
Não afeta todo o rio porque ele é muito grande, tem outros tributários que vão ajudando a mantê-lo. A gravidade maior é a seca. É uma questão simbólica", diz o diretor do parque, Luiz Arthur Castanheira. Segundo Castanheira, a falta de água na nascente do rio, que tem 2.700 km de extensão e atravessa seis Estados e o Distrito Federal, foi detectada por funcionários da unidade, que visitam o local diariamente. "O pessoal mais antigo aqui do parque está assustado [com a seca]", diz. O rio nasce a cerca de 1.200 metros de altitude, em um dos pontos mais altos do parque, que tem 200 mil hectares de área. A água brota de diversos "olhos d'água" e pequenos riachos que formam a nascente do Velho Chico, como o rio é afetuosamente chamado. "Se a nascente seca, [o rio] vai ficar com pouca água até o primeiro desaguar de outro rio [no São Francisco]", explica o vice-presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF). Ele não soube dizer em que ponto isso ocorre. A estiagem rigorosa não afeta somente a nascente. A represa de Três Marias (a 224 km de Belo Horizonte), a primeira do São Francisco, está com a vazão crítica. Segundo Soares, a vazão atual é de cerca de 60 m³/s, quando o esperado mesmo para épocas de estiagem é de 300 a 350 m³/s.
Não choveu a quantidade esperada, mas há a necessidade de manter a vazão para a energia elétrica, o que diminui o reservatório, explica Soares. Precisamos trabalhar com as pessoas e com as empresas para que seja feito o uso racional da água."  
De acordo com o comitê, a previsão é que a situação seja normalizada com aumento no volume de chuva em meados de outubro. O Ministério Público Federal de Sete Lagoas (a 50 km de Belo Horizonte) investiga a situação do São Francisco e da represa. De acordo com a Promotoria, a estiagem está acima da média histórica, o que tem reduzido a quantidade de água liberada pela represa. A principal nascente vem no rio Samburá, no município de Medeiros, na região Centro-Oeste de Minas. “Mesmo não sendo a maior, secar a nascente da Serra da Canastra é gravíssimo. É resultado da estiagem que começou em março do ano passado. E o pior é que essa águas não se recuperam apenas em um ano e ainda podemos ter uma surpresa em 2015, com a continuidade da estiagem. E aí, vamos fazer o quê?”, destaca o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do rio São Francisco (CBHSF), Anivaldo Miranda.
Na avaliação dele, a escassez de água no Velho Chico é fruto da política de monopolização do rio para a geração de energia. “A redução da vazão do reservatório de Três Marias para atender à geração elétrica está afetando os outros usos da água. O São Francisco é um rio de muita demanda, que pega 58% do polígono da seca, ou seja, a agricultura depende dele. É preciso ter coragem para mudar o modelo da matriz energética do país”, questiona.

As autoridades precisam tirar do papel a política de revitalização do São Francisco. Foi prometido que, para cada centavo investido na transposição, o mesmo seria aplicado na recuperação do rio.

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Referencias.
http://oglobo.globo.com/http://www.ecodebate.com.br/http://www.otempo.com.br/
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