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sexta-feira, 24 de maio de 2013

O ENIGMA DA PIRAMBOIA


Peixe ou anfíbio? Um misterioso animal brasileiro desafiou os cientistas . A piramboia foi descoberta pelos cientistas na primeira metade do século 19, na Amazônia. No começo, não se sabia se a espécie deveria ser classificada como peixe ou anfíbio. A resposta para este mistério só veio alguns anos depois.


Que bicho esquisito! Tem o corpo alongado, como uma cobra. Mas… espere! Lembra algumas espécies de salamandra – deve ser anfíbio! Não, não, não! Tem escamas e quatro nadadeiras – ué, então é peixe! Logo que foi descoberta, no século 19, a piramboia deu um nó na cabeça dos cientistas. Quer saber como eles resolveram o enigma? Vamos viajar no tempo para descobrir!
Nossa história começa em 1817, quando a arquiduquesa da Áustria, Maria Leopoldina, mudou-se para o Brasil para viver com seu marido Dom Pedro. Junto com ela, vieram vários pesquisadores do Museu de Viena para coletar informações sobre a biodiversidade brasileira. Entre eles estava Johann Natterer. Durante 18 anos de expedição pelo Brasil, Natterer coletou um vasto material, incluindo minerais, sementes, armas indígenas e animais – especialmente aves – que foram enviados para o Museu de Viena, onde serviram de fonte de estudo para muitos pesquisadores. Dentre os animais encontrados por ele, um dos mais curiosos foi descoberto na Amazônia. Segundo Natterer, tratava-se de um bicho raro, pouco conhecido até mesmo pelo povo da região naquela época. O corpo alongado, com quatro nadadeiras longas e finas, dá a esse animal uma aparência estranha, que levou os indígenas a lhe chamarem de piramboia, nome que quer dizer “peixe-cobra”.
No primeiro estudo sobre as piramboias, pensava-se que elas fossem anfíbios do grupo das salamandras aquáticas, como esta da foto ao lado.
Quando os dois exemplares de piramboia capturados por Natterer chegaram à Áustria, foram examinados pelo naturalista Leopold Fitzinger. Natterer acreditava que a piramboia fosse um peixe, mas Fitzinger discordou e convenceu o colega, dizendo que se tratava de um anfíbio, parecido com algumas salamandras aquáticas que possuem o corpo alongado com braços e pernas muito pequenos – ou até ausentes.
Então, em 1837, Fitzinger deu à piramboia o nome científico Lepidosiren paradoxa, que, em uma mistura de grego e latim, poderia ser traduzido como “sereia escamada paradoxal”. Siren(“sereia” em latim) é o nome do gênero de algumas das salamandras que se parecem com a piramboia. Essas salamandras não possuem escamas (lepidos na língua grega), mas a piramboia, sim. Por isso, ela seria uma “sereia escamada”. Por fim, a dúvida sobre se Lepidosiren seria um peixe ou um anfíbio foi o motivo para o nome paradoxa, que significa “paradoxal” (contraditório) em latim.
Ao dissecar as piramboias no laboratório, Fitzinger, Natterer e outro pesquisador, Theodor Bischoff, observaram uma característica que reforçava a ideia de que esses animais eram anfíbios: a presença de pulmões! Mas não pense que a polêmica terminou por aí…
A piramboia, em conjunto com quatro espécies da África e uma da Austrália, pertence a um grupo de peixes chamado Dipnoi (“dupla respiração”, em grego), cuja principal característica é a presença de pulmões. Quando nascem, as piramboias respiram dentro da água por meio das brânquias. Com o tempo, essas estruturas vão ficando menores, obrigando as piramboias a usarem os pulmões para respirar, colocando a cabeça para fora da água e sugando o ar com a boca. Se não fizerem isso, elas podem morrer afogadas. Pouco tempo depois, enquanto estudava uma espécie de piramboia descoberta na África, o naturalista inglês Richard Owen concluiu que, apesar de possuírem pulmões, esses animais são peixes. A resposta para o enigma, segundo Owen, estava nas narinas. Nas piramboias, assim como nos peixes, as narinas não são utilizadas para respirar, porque elas não se conectam internamente com a boca. Por outro lado, anfíbios, répteis, aves e mamíferos possuem um canal interno que lhes permite utilizar as narinas na respiração. Owen estava certo – e a primeira intuição de Natterer também. O enigma da piramboia foi solucionado e hoje sabemos – não apenas por causa das narinas, mas também pelo estudo de outras características do corpo, do DNA e até de fósseis – a verdadeira identidade deste intrigante animal!
  
Da esquerda para a direita: Johann Natterer, que descobriu as piramboias e as enviou para a Europa; Leopold Fitzinger, que deu às piramboias um nome científico; e Richard Owen, que confirmou que as piramboias são peixes e não anfíbios.

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Fonte: revista ciências hoje./uol
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