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sábado, 21 de novembro de 2015

MATA DA ARAUCÁRIA



Mata de Araucária.  
É um ecossistema com chuva durante o ano todo, normalmente em altitudes elevadas, e que contém espécies de angiospermas mas também de coníferas.


Floresta ombrófila mista, também conhecida por floresta aciculifoliada (cujas folhas são muito finas e alongadas, em forma de agulha, a fim de dificultar a perda de água pelo processo de evapotranspiração) ou mata dos pinhais, ou Mata de Araucária.  


Situação Geográfica
Encontrada no Brasil desde o sul paulista até o norte gaúcho, principalmente nos estados de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. Podendo ocorrer manchas no extremo sul de Minas gerais. Ocupa uma área de 400.000 km², faz parte do bioma Mata Atlântica, e é caracterizada pela presença da Araucaria angustifolia que nela imprime um aspecto próprio e único. As florestas de araucária também foram definidas como uma ecorregião de floresta tropical no domínio da Mata Atlântica pelo o WWF.

Características
Trata-se de uma formação florestal aberta e espaçada, com a presença de campos muitas vezes interrompidos por capões (manchas florestadas que assumem a forma circular) e semi-homogênea. Possui poucas espécies vegetais, com predomínio de pinheiros do gênero Araucária, que se acha representado na América do Sul por duas espécies: Araucária araucana, no Chile e Argentina, e Araucária angustifólia no Brasil e pequena área do nordeste argentino, representada pela Província de Misiones. Assim, pode-se dizer que, na quase totalidade de sua área, é uma árvore endêmica no Brasil. De porte suntuoso, seu tronco eleva-se normalmente a 25-30 metros de altura, sem apresentar, quando árvore adulta, nenhuma ramificação, a não ser na parte mais alta, com a copa numa forma de taça, devido à disposição de seus ramos. Apenas no extremo de cada ramo é que se agrupam, em tufos, as folhas em forma de agulhas.  Também aparecem associadas à araucária outras espécies vegetais, como a canela, a imbuia, a erva-mate e o cedro, além de grande variedade de espécies valorizadas pela indústria madeireira, como os ipês

Características do Povoamento
A região das araucárias foi povoada no final do século XIX, principalmente por imigrantes italianos, alemães, poloneses, ucranianos etc. Com isto, os estrangeiros diversificaram a economia local, o que tornou essa região uma das mais prósperas economicamente. Caracterizado por colônias de imigração estabelecidas pela descendência estrangeira, podemos destacar como principais pontos, as cidades de: Blumenau – SC , colônia alemã; Londrina – PR, colônia japonesa; Caxias do Sul – RS, colônia italiana. Mas a vinda desses imigrantes não foi só boa vontade do governo daquela época. O Brasil tinha acabado de terminar a sua guerra com Paraguai, que deixou muitas perdas em sua população, em virtude disso a solução foi atrair imigrantes europeus e asiáticos. 


Características Bio-Hidro-Climáticas e Fisiográficas
O clima da região é subtropical, com chuvas regulares e estações relativamente bem definidas: o inverno é normalmente frio, com geadas frequentes, neve e até alguns graus negativos, no inverno rigoroso em alguns municípios do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, e o verão razoavelmente quente. As temperaturas variam de 30°C, no verão. A umidade relativa do ar está relacionada à temperatura, com influência da altitude. Assim, nas zonas mais elevadas, a temperatura não é suficientemente elevada, diminuindo a umidade produzida pelas chuvas. As médias mais elevadas são resultados da influência oceânica sobre o clima e da transpiração dos componentes das matas pluviais existentes. Os maiores índices pluviométricos são registrados nos planaltos, com chuvas bem distribuídas por toda região.  Atualmente, a vegetação de araucária – chamada de pinheiro-do-Paraná, ou pinheiro-brasileiro – pouco resta, as indústrias de celulose e madeireiras da região, fizeram um extrativismo descontrolado que resultou no desaparecimento total em algumas áreas. Sua condição de arbórea, geralmente com mais de 30 m de altura, condiz a um solo profundo, em virtude de suas raízes estabelecerem a sustentação da própria árvore. A região das araucárias encontra-se no planalto meridional onde a altitude pode variar de 500 metros até cerca de 1.200 m. Isso evidencia um clima subtropical em toda sua extensão que mantém uma boa relação com a precipitação existente nesse domínio, variando de 1.200 a 1.800 mm. Nesse sentido, a região identifica-se com uma grande rede de drenagem em toda a sua extensão territorial. O solo é formado principalmente por latossolos brunos e também é encontrado latossolos roxos, cambissolos, terras brunas e solos litólicos. Com estas características, o solo detém uma alta potencialidade agrícola, como: milho, feijão, batata, etc. As morfologias do relevo se destacam por uma forte ondulação até um montanhoso, o que o representa num solo de fácil adesão a processos erosivos, iniciados pela degradação humana e social.

Condições Ambientais e Economicamente Sustentáveis
Percebe-se atualmente que esta arbórea quase desapareceu dessa região, devido à descontrolada exploração da araucária para produção de celulose. Felizmente, medidas foram tomadas e hoje a araucária é protegida por lei estadual no Paraná. Mas os questionamentos ambientais não estão somente na vegetação. Devido este solo ser utilizado há anos veem a ocorrer uma erosividade considerada. Em virtude do mesmo, surge a técnica de manejo agrícola chamada plantio direto, que evidencia uma proteção ao solo nu em épocas de pós-safra. Nesse sentido, o domínio morfoclimático das araucárias, que compreende uma importante área no sul brasileiro, detém um nível de conservação e reestruturação vegetal considerável. Mas não se deve estagnar esse processo positivo, pois necessitamos muito dessas terras férteis que mantém as economias locais.  As Florestas Ombrófilas Mistas encontram-se reduzidas a 12,6% de sua extensão original . Esta porção restante encontra-se em elevado grau de fragmentação, com a maioria de seus remanescentes reduzidos a pequenos fragmentos florestais (mais de 80% tem menos do que 50 hectares) encontrados em fazendas em meio a pastagens e campos agrícolas .Um estudo realizado em fragmentos de Floresta Ombrófila Mista descobriu que a maior parte da biodiversidade arbórea da região encontrava-se reunido na principal reserva florestal da região, e que os fragmentos espalhados nas fazendas ao redor continham um subconjunto menor de espécies, além de apresentar falta generalizada de araucárias e muitas vezes sinais de degradação florestal . Segundo os autores estes resultados indicam ao mesmo tempo a importância das reservas florestais, a capacidade dos fragmentos de persistir mantendo uma parte da biodiversidade das Florestas Ombrófilas Mistas, e a necessidade de regulamentar e proteger os fragmentos nas propriedades rurais.

O pinheiro-do-Paraná não é exclusivo desse estado
A Araucária (Araucaria angustifolia), popularmente conhecida como pinheiro-do-paraná, é a espécie mais conhecida da Floresta com Araucárias, ecossistema associado ao Bioma Mata Atlântica. Apesar de ser símbolo do Paraná, onde já ocupou 40% do território, a Floresta com Araucárias ocorre predominantemente em áreas de altitude elevada nos três estados do Sul brasileiro, onde ocorria em cerca de 200 mil km2. Os pinheiros de aparência sublime também são encontrados em maciços descontínuos no Sudeste: sul de Minas Gerais, noroeste do Rio de Janeiro e sudeste de São Paulo, sempre em partes mais elevadas de serras dessas regiões.

Pinhão não é fruta, é consumido pela fauna silvestre e é considerado alimento funcional

O pinhão que consumimos é a semente da Araucária, espécie de árvores pertencente ao grupo das gimnospermas, que não dá frutos. Ele é bastante consumido durante os meses de inverno, especialmente em festas juninas e principalmente no Sul do país. Além de saborosa, sua amêndoa é rica em reservas energéticas e também apresenta propriedades medicinais, sendo indicada para o combate à azia, à anemia e a outras debilidades do organismo. A indicação foi apurada pelo Araucária+, iniciativa desenvolvida pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, em parceria com a Fundação CERTI (SC), para investir em novos e responsáveis usos do pinhão e da erva-mate, com o objetivo de conservar o ecossistema onde ocorrem, a Floresta com Araucárias. Vale lembrar que o pinhão também é consumido por diversas espécies que ocorrem nessas áreas, como o papagaio-charão, a gralha-azul, a cutia, além de outras aves, roedores e pequenos e grandes mamíferos.

Chimarrão gaúcho e chá de mate são produzidos graças ao ecossistema
A maior parte das pessoas desconhece, mas a erva-mate (Ilex paraguariensis) é uma árvore nativa da Floresta com Araucárias. Dessa planta, são extraídas as folhas a partir das quais se produz o chá de mate, uma das bebidas de infusão mais consumidas do Brasil; e também o tradicional chimarrão gaúcho, bastante comum nos estados do Sul brasileiro.

Floresta é utilizada para produção sombreada
A conservação de remanescentes de Floresta com Araucárias pode representar uma alternativa viável para a própria produção sombreada da erva-mate. “Nativa desse ecossistema, estudos indicam que a planta se desenvolve melhor em seu ambiente natural, no interior da floresta, crescendo com folhas maiores que implicam em melhor aproveitamento e gosto mais suave do chá extraído”, conforme explica Guilherme Karam, coordenador de Estratégias de Conservação da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. Além disso, a floresta oferece condições ideais para a manutenção da qualidade da planta, como menor suscetibilidade a doenças e pragas e baixíssima necessidade de artificialização no processo de produção: a área natural disponibiliza solo rico em nutrientes, o que dispensa o uso de fertilizantes; além de água em quantidade adequada, evitando a necessidade de irrigação. Com grandes benefícios, a chamada ‘produção sombreada’ da erva-mate é o método predominante nos três maiores estados produtores no Brasil: Paraná, seguindo de Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Guilherme ressalta que esse método de produção possui baixo impacto para a biodiversidade.

Fama da gralha-azul é parcialmente verdadeira
Lendas indígenas e o imaginário popular contribuíram para responsabilizar a gralha-azul(Cyanocorax caeruleus), ave-símbolo do Paraná, como a única e grande responsável pelo ‘replantio’ de pinheiros. O trabalho ‘árduo e solitário’ seria fruto de um descuido: ao esconder os pinhões na terra para consumi-los posteriormente, a ave contribui para a geração de novas araucárias, pois acabava perdendo a localização de muitos deles. Na verdade, o trabalho de regeneração é coletivo: “diversas espécies alimentam-se de pinhões, não apenas a gralha-azul. Na verdade, a cutia, um roedor de pequeno porte, é uma das mais fundamentais para a manutenção do ecossistema, pois tem como hábito enterrar as sementes para consumi-las mais tarde, permitindo que muitas delas germinem e formem novas plantas”, esclarece Emerson Oliveira, coordenador de Ciência e Informação da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, instituição que apoia iniciativas para a conservação da Floresta com Araucárias.
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