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quinta-feira, 2 de abril de 2015

ECOCAPITALISMO... DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E DEVASTAÇÃO AMBIENTAL

A questão que se coloca no momento em nossa reflexão é comprovar que as ações destinadas à proteção ambiental promovida pelas empresas, não passam de estratégias do capital para minimizar seus efeitos devastadores sobre o meio ambiente mantendo assim, seu nível de produção e desenvolvimento.

Inicialmente apresentarei uma discussão a cerca da natureza destrutiva do capitalismo e seus efeitos na sociedade moderna. Partindo desse princípio, demonstrarei que na busca de superar seus próprios limites, o capital adquire uma destrutividade devastadora que contribui para o agravamento da problemática ambiental e coloca em risco a própria sobrevivência da espécie humana. Em virtude dessa essência destrutiva, a sociedade busca encontrar nos direitos uma forma de garantir sua própria reprodução e sobrevivência.
As grandes nações do globo passam a buscar formas de conciliar desenvolvimento com proteção ambiental, sem perder de vista a lucratividade. Ante a problemática ambiental vivenciada na contemporaneidade, a preservação passa a ser o lema das grandes empresas, que, cientes da necessidade de garantir a produção e o lucro futuro, tendem a investir em tecnologias que reduzam o nível de destruição do meio ambiente.
O uso irracional dos recursos naturais trouxe sérias consequências para a humanidade, a ponto de colocar em risco a sua própria sobrevivência, por esse motivo, o meio ambiente passou a ser alvo de debates em nível mundial, sendo reconhecido na Declaração Universal dos Direitos Humanos como um direito fundamental. Em decorrência da crise ambiental vivenciada atualmente, as grandes nações passam a buscar formas de conciliar desenvolvimento com proteção ambiental, sem perder de vista a lucratividade. É nesse contexto de crise ambiental que a responsabilidade social se apresenta como uma das estratégias do capital para manter seu padrão de desenvolvimento
A derrubada de florestas, que causa grandes alterações climáticas, e que é responsável pela morte de cursos d’água e de espécies vivas – animais e vegetais – é motivada, no Brasil, pela atividade agropecuária, cuja produção destina-se à exportação, e pelo crescimento da população humana interna e externa. A atividade agropecuária – como toda atividade produtiva – e o crescimento da população humana, são elementos essenciais para o desenvolvimento do capitalismo. Portanto, tratar dos problemas ocasionados por esses elementos – atividades produtivas e crescimento da população humana – sem os relacionar ao regime capitalista, e, inutilmente, tentar resolvê-los dentro do próprio regime, ou significa total desconhecimento de causa ou disfarçado apoio à devastação empreendida pelo capitalismo. A devastação ambiental capitalista ocorre, sempre, amparada pelo poder do Estado, cuja principal função é criar as melhores condições para que o desenvolvimento econômico ocorra sem obstáculos e com a maior intensidade possível.
O Estado capitalista exerce essa função, para a qual ele foi constituído, sem prestar muita atenção aos estragos socioambientais causados, pois a vida do governo estatal depende do desempenho das empresas privadas e de relativa estabilidade social, a qual não se mantém com elevado nível de desemprego da classe trabalhadora ou com grande perda do poder aquisitivo de grande parte da população. Aí está a contradição do regime capitalista: ele segue firme e em ritmo cada vez mais acelerado em direção à extinção total das condições de vida no planeta Terra, mas faz isto, sempre, de forma aparentemente justificada, pois a vida dos governos de seus Estados e a vida das pessoas dependem de seu desenvolvimento, enquanto ele existir.
A grande maioria das lideranças políticas, econômicas e religiosas planetárias tem clara compreensão do destino fatal, para todas as espécies vivas, a que levará o regime capitalista.  Numa visão utópica e imediata, a solução seria uma organização para criar uma administração planetária única, sem a existência de Estados nacionais, sem práticas de atividades que ensejem obtenção de lucro, sem competição, mas através da colaboração de todos os seres da espécie humana, ou ficaremos todos, seres vivos ainda existentes, submetidos aos desígnios do regime capitalista.
Os danos ambientais provocados pela atividade humana têm sido, há algumas décadas, fonte de preocupação e pesquisa das comunidades científicas, que têm alertado para as graves consequências do uso indiscriminado dos recursos naturais, tais como o aquecimento global, a desertificação, a destruição dos ecossistemas, provocada pelo desmatamento, e a poluição com reflexos imediatos na saúde e sobrevivência das pessoas.
A incansável tentativa do capital de submeter absolutamente tudo aos imperativos que derivam “da sua natureza” deve ser prosseguida mesmo quando os resultados são destrutivos a nível mundial. Mesmo quando o caminho trilhado põe em risco a sobrevivência global da humanidade, e ao mesmo tempo, põe em risco o próprio sistema do capital. O capital é essencialmente destrutivo, pois em nome do desenvolvimento coloca em risco a própria sobrevivência da espécie humana. O sistema capitalista em vigor destrói o ambiente natural comprometendo o equilíbrio do planeta e por consequência, a qualidade de vida de todos os seres vivos. Em vista dessa ameaça, a população luta constantemente pela efetivação dos seus direitos visando a possibilidade de garantir o mínimo necessário à sua existência e manutenção nessa sociedade tão desigual, onde quem dita as ordens são os mesmos que destroem a possibilidade de uma vida melhor.
Temos capacidade para transformar o meio em que vivemos (a biosfera), podendo conduzir nosso comportamento tanto para seu aprimoramento como para sua destruição (somos um “homo faber”, ou seja, fabricamos nossa realidade). De qualquer modo, o mundo que criamos também nos recria. Nós interagimos com a natureza, com a tecnologia, com os animais e com os seres humanos. E não podemos fazer isso de forma irresponsável. Respeito ao próximo tem hoje o significado de respeito a tudo que nos cerca vitalmente.


“Eu sei que não vai dar certo... Oh, dia, oh, céus, oh, azar..." –  Lippy e Hardy -  Hanna-Barbera.
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