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quinta-feira, 3 de julho de 2014

A PELE DA TERRA


O solo é a ‘pele da terra’ e essa metáfora nos remete a ideia de que sua proteção é uma urgência para minimizar os impactos das ações lesivas impostas pelo ser humano ao longo do processo civilizatório.
 

O solo é o resultado do intemperismo – processo de desagregação das rochas por agentes físicos, químicos e biológicos, como a ação das chuvas, dos ventos, dos seres vivos, nas diferentes situações de relevo, num dado espaço de tempo, que pode levar milhares de anos para acontecer, dependendo das condições locais. Componente fundamental do ecossistema terrestre, o solo é o principal substrato utilizado pelas plantas para o seu crescimento e disseminação. Este recurso proporciona fatores de crescimento como suporte, água, oxigênio e nutrientes para que as raízes possam realizar sua função de nutrir as plantas.
Os recursos edáficos (solo) exercem ainda uma multiplicidade de funções para manutenção da vida sobre a Terra, quais sejam:
  1. Regulação da distribuição, armazenamento, escoamento e infiltração da água da chuva e de irrigação;
  2. Armazenamento e ciclagem de nutrientes;
  3. Ação filtrante e protetora da qualidade da água.
Abrigo para diversas espécies, como roedores, minhocas, formigas, fungos, bactérias, entre outros organismos, é o solo ainda matéria prima ou substrato para obras civis (casas, Indústrias, estradas), além de cerâmica e artesanato, utilizado pelo ser humano para sua segurança, conforto e embelezamento. Como recurso natural dinâmico, o solo é passível de ser degradado em função da ação antrópica. O uso inadequado pelo ser humano, o que afeta severamente o desempenho de suas funções básicas, resultando em interferências negativas no equilíbrio ambiental, diminuindo drasticamente a qualidade de vida nos ecossistemas, principalmente naqueles que sofrem mais diretamente a interferência humana, como os sistemas agrícolas e urbanos.

A degradação dos solos avança acelerada, causando prejuízos ambientais e danos à saúde vegetal, animal e humana. É possível observá-la em diversos processos, como na redução da fertilidade natural das terras, diminuição da matéria orgânica, perdas pronunciadas de solo e água por erosão hídrica e eólica; contaminação do solo por resíduos urbanos e industriais (inclusive lixo), alteração do solo e das paisagens para obras civis, decapeamento do solo para fins de exploração mineral, salinização das áreas em decorrência dos sistemas de irrigação mal dimensionados e mal conduzidos aliado ao uso e manejo inadequado.
Na maioria das vezes a comunidade não valoriza este recurso natural, sobretudo porque não é visto com frequência, já que os ambientes por onde se caminha estão geralmente asfaltados ou cobertos pela frieza do concreto e aparentemente não temos necessidades diárias que nos remetam a sua presença, por isso muitas vezes as pessoas esquecem que o solo faz parte do ambiente, e é essencial à existência da vida sobre os continentes.
Na perspectiva da Agroecologia o solo é visto como sistema complexo, dinâmico, vivo, onde milhões de manifestações de vida interagem constantemente para geração da vida. Para Ana Maria Primavesi, pioneira dos estudos de preservação do solo e precursora do movimento orgânico no Brasil, “solo sadio leva à planta sadia, consequentemente deixa o homem sadio”. A professora quase centenária ainda viaja o mundo disseminando orientações de uso sustentável do solo, sempre na perspectiva do manejo agroecológico, numa missão de esclarecimento que se fez divina em sua existência. Com a professora compreendemos que somente o processo de educação a aquisição e disseminação de informações  sobre o papel que o solo exerce, e sua importância na vida do homem, permitirá o despertar de uma consciência pedológica, condição primordial para promover sua proteção e conservação, e garantir a manutenção de um ambiente sadio e sustentável para as gerações do presente e as que virão.

Nossa existência está diretamente ligada ao solo. De nossa relação com este recurso natural  depende o futuro da humanidade. É, pois, tempo de refletir sobre o que estamos fazendo com a terra em que pisamos. É tempo de lançar um novo olhar sobre os nossos solos, sobre os solos jovens dos Semiáridos. É mais do que tempo de desenvolvermos sentimento de afetividade e de pertencimento ao nosso meio, que se evidencia no cuidado com o Solo e respeito à Natureza.


fonte:revistadomeioambiente.org.br
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