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quarta-feira, 24 de abril de 2013

FLORESTAS TROPICAIS

O DESMATAMENTO A AÇÃO PREDATÓRIA HUMANA SOBRE O MEIO AMBIENTE É ESPECIALMENTE DRAMÁTICO NAS FLORESTAS TROPICAIS, COM CONSEQUÊNCIAS CATASTRÓFICAS SOBRE A BIODIVERSIDADE, O CLIMA E A PRÓPRIA SOCIEDADE HUMANA.



A partir do equador, por toda a superfície da Terra estende-se um largo cinturão de florestas tropicais de grande diversidade e produtividade... em rápido desaparecimento. Embora o desmatamento supra algumas necessidades humanas, ele provoca profundas consequências, por vezes devastadores, como conflitos sociais, extinção de plantas e animais e alterações climáticas  – desafios não apenas locais, mas global.
IMPACTOS NA BIODIVERSIDADE
As florestas tropicais contêm mais espécies do que qualquer outro ecossistema, bem como uma maior proporção de espécies endêmicas (exclusivas) da espécie. Como cada vez mais se desmata grandes áreas de florestas tropicais, espécies inteiras estão desaparecendo, muitas delas desconhecidos. Embora as florestas tropicais cubram apenas  sete por cento das terras secas da Terra, elas provavelmente abrigam cerca da metade de todas as espécies planetárias. Muitas delas são tão especializadas em micro habitats no interior da floresta que só podem ser encontradas em reduzidas áreas. Esta especialização torna-as supervulneráveis à extinção. Além das espécies perdidas quando uma área é totalmente desmatada, as plantas e os animais instalados nos fragmentos remanescentes também se tornam crescentemente vulneráveis, por vezes até mesmo fadados à extinção.  As franjas dos fragmentos secam e são varridos por ventos quentes; as árvores da floresta caduca muitas vezes morrem de pé nessa margem. As alterações em cascata que se abatem sobre árvores, plantas e insetos que sobrevivem nesses fragmentos rapidamente reduzem a  Biodiversidade florestal restante. Alguns discordam do fato de a extinção de espécies pela ação humana ser uma questão ética, mas há poucas dúvidas sobre os problemas práticos colocados pela extinção. O maior agente devastador são os mercados mundiais consumidores de produtos da floresta que dependem de colheita sustentável: látex, cortiça, frutas, madeira, fibras, condimentos, óleos, resinas naturais e medicamentos. Além disso, a diversidade genética das florestas tropicais constitui sem sombra de dúvida o mais importante patrimônio genético do planeta. Estão embutidos nos genes de plantas, animais, fungos e bactérias – sequer ainda descobertos – promissores componentes para a cura de cânceres e de outras doenças, além de elementos-chave para aprimorar a produtividade e a qualidade nutricional das culturas alimentares – fato crucial para garantir a alimentação dos quase dez bilhões de indivíduos previstos para a Terra em 2050. Enfim, no âmbito da diversidade genética planetária, o pool genético encerrado nas florestas tropicais será crucial para a “resiliência” de todas as formas de vida da Terra, sobretudo em caso de eventos ambientais catastróficos imponderáveis, como impactos de meteoros ou vulcanismo extremo e contínuo.
IMPACTOS NO SOLO
Embora a cobertura vegetal das florestas tropicais seja luxuriante e de imensa produtividade, não deixa de ser surpreendente saber que os solos destas florestas são muito finos e pobres em nutrientes. As rochas subjacentes à camada superficial dissolvem-se com facilidade sob a ação das altas temperaturas tropicais e das chuvas torrenciais que, ao longo do tempo, carreiam e lavam a maioria dos minerais no solo. Quase todo o conteúdo nutricional de uma floresta tropical provém das plantas vivas e da decomposição dos resíduos que elas depositam no solo.
IMPACTOS SOCIAIS
As florestas tropicais são o lar de milhões de povos nativos (indígenas) que vivem da caça, da agricultura e da coleta de subsistência ou da extração de baixo impacto de produtos florestais, como borracha, nozes e sementes. O desmatamento em terras indígenas por madeireiros, colonos e refugiados acaba por provocar conflitos violentos. A preservação da floresta também pode ser fator social decisivo. Os governos nacionais e internacionais, as ONGs e as agências de ajuda humanitária enfrentam questões para balizar:
  • o nível de presença humana (se imperiosa) é compatível com as metas de conservação em florestas tropicais;
  • o equilíbrio das necessidades dos povos indígenas com a expansão das populações rurais e o desenvolvimento econômico nacional;
  • se o estabelecimento e proteção de grandes áreas intocadas e desabitadas - mesmo que se tenha de retirar os residentes correntes – deve ser prioridade nos esforços de conservação em florestas tropicais

IMPACTOS NO CLIMA - CHUVA E TEMPERATURA
Até trinta por cento da chuva que cai em florestas tropicais é água que a floresta recicla para a atmosfera. A água evapora do solo e da vegetação, se condensa em nuvens, e volta a cair como chuva em um ciclo de auto rega perpétuo. Além de garantir a manutenção das chuvas tropicais, a evaporação esfria a superfície da Terra. Em muitos modelos de simulação do clima futuro, a substituição das florestas tropicais por pastagens e culturas agrícolas gera um clima mais seco e quente nos trópicos. Alguns modelos também predizem que o desmatamento tropical pode alterar o padrão pluviométrico muito além dos trópicos, afetando China, norte do México e centro-sul dos Estados Unidos.  A maioria destas previsões climáticas sobre redução do padrão pluviométrico se baseia em uma substituição uniforme e quase completa das florestas tropicais por   pastagens e lavouras. No entanto, o desmatamento, muitas vezes produto em uma colcha de retalhos – em clareiras que se ramificam por trilhas num padrão espinha de peixe, por exemplo, ou em ilhas de desmate num mar de floresta. Nestas escalas locais, o desmatamento pode realmente aumentar a precipitação, criando “ilhas de calor” que ao acelerar a ascensão e circulação do ar (convecção) levam a formação de nuvens e de chuva. Nuvens e chuva se concentram mais de clareiras. Só não se sabe se persistirão as chuvas localizadas em cada vez maiores parcelas de floresta derrubadas. As respostas podem vir a ser dadas por modelos climáticos mais sofisticados que representem fielmente a evolução dos retalhos da paisagem parcialmente desmatada.
O CICLO DO CARBONO E O AQUECIMENTO GLOBAL
Somente na Amazônia, os cientistas estimam que as árvores contenham mais carbono do que 10 anos de gases de efeito estufa produzidos pelo homem. Quando se desmatam as florestas, geralmente com fogo, o carbono armazenado na madeira retorna à atmosfera, aumentando o efeito estufa e o aquecimento global. Uma vez que a floresta é desmatada para instalação de lavoura ou pastagem, os solos podem se tornar uma grande fonte de emissões de carbono, dependendo de como os agricultores e pecuaristas controlam o uso da terra. Em lugares como a Indonésia, os solos das florestas de planície pantanosa são ricos em matéria orgânica em decomposição parcial – a turfa. Durante a seca prolongada, como ocorre na vigência do El Niño, as florestas de turfa tornam-se inflamáveis, especialmente se foram degradadas pela exploração madeireira ou por queimada acidental. Ao queimar, liberam enormes quantidades de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa. Não se pode afirmar com certeza se as florestas tropicais intactas são fonte de emanação ou sumidouro de carbono. Certamente, os troncos das árvores constituem reservatório estável de carbono, que cresce à medida que as florestas envelhecem ou regeneram terras previamente desmatadas. Só que árvores, plantas e microrganismos no solo também respiram, liberando dióxido de carbono já que quebram os carboidratos para obter energia. Na Amazônia, enormes volumes de dióxido de carbono são liberados da decomposição de folhas e de outros materiais orgânicos em rios e córregos que inundam a floresta durante a estação chuvosa. Florestas tropicais intocadas podem ser quase neutras em termos de carbono, mas o desmatamento e a degradação são atualmente fonte de emissão de carbono para a atmosfera e têm o potencial de transformar os trópicos em uma fonte ainda maior nas próximas décadas.   
CAUSAS DIRETAS DO DESMATAMENTO
A humanidade vem desmatando a Terra há milhares de anos, principalmente para abrir espaço para o plantio e a pecuária. Embora as florestas tropicais estejam em sua maioria confinadas aos países em desenvolvimento, elas não satisfazem apenas as necessidades locais ou nacionais. A globalização econômica fez com que as necessidades e os desejos da população mundial também recaíssem sobre elas. Entre as causas diretas do desmatamento figuram: expansão agrícola, extração de madeira (uso geral, combustível e carvão) e expansão da infraestrutura (construção de estradas e urbanização). Raramente existe uma única causa direta para o desmatamento. Na maioria das vezes, vários processos agem simultaneamente ou em sequencia para causar o desmatamento. A maior causa direta do desmatamento tropical é a conversão da floresta em lavouras e pastagens, principalmente na economia de subsistência (cultivo ou criação para atender as necessidades diárias). A conversão em terras agrícolas geralmente resulta de múltiplos fatores diretos. Por exemplo, a construção de estradas em áreas remotas para melhorar o transporte terrestre de mercadorias. A abertura da estrada em si traz uma quantidade limitada de desmatamento. Mas as estradas também proporcionam a chegada humana a locais antes inacessíveis e, muitas vezes, sem dono. Quase sempre a extração de madeira – quer legal como ilegal – segue a trilha de expansão da estrada (e em alguns casos, é a razão para a estrada). Quando os madeireiros acabam de colher a valiosa madeira de uma área, eles mudam. As estradas e as áreas desmatadas se tornam ímã para os colonos, agricultores e pecuaristas, que cortam e queimam a floresta remanescente para o estabelecimento de terras agrícolas ou de pastagens, completando a cadeia de desmatamento que começa com a abertura de estradas. Em outros casos, as florestas que foram degradadas pela exploração madeireira se tornam propensas a incêndios e, eventualmente, são desmatados por sucessivos incêndios acidentais provocados por fazendas adjacentes ou pastagens. Embora as atividades de subsistência nos trópicos tenham até hoje dominado o desmatamento por motivação agrícola, as atividades em grande escala do agronegócio agora desempenham papel cada vez mais significativo no desmatamento. Na Amazônia, a pecuária em escala industrial e a produção de soja para os mercados mundiais são cada vez mais importantes causas de desmatamento. Na Indonésia, a conversão de floresta tropical em plantações comerciais de palmeiras de dendê para biocombustível de exportação é uma das principais causas do desmatamento em Bornéu e Sumatra. 
CAUSAS SUBJACENTES
Embora a pobreza seja frequentemente citada como a causa subjacente do desmatamento tropical, vários estudos científicos indicam que essa explicação é uma simplificação. A pobreza não leva os indivíduos a migrar para as margens da floresta, para se dedicar a cortar, queimar e derrubar a floresta para garantir a subsistência. Raramente um fator isolado pode ter responsabilidade exclusiva pelo desmatamento tropical. As políticas estatais de incentivo ao desenvolvimento econômico, tais como projetos de expansão rodoviária e ferroviária, são a causa de significativo desmatamento não intencional na Amazônia e na América Central. Os subsídios agrícolas e as reduções de impostos, bem como as concessões florestais, também têm incentivado o desmatamento. Fatores econômicos globais, como dívida externa, expansão da demando dos mercados globais por produtos florestais (madeira, celulose) ou os preços baratos da terra, da mão de obra e do combustível pode incentivar o desmatamento sobre o uso mais sustentável da terra. Acesso à tecnologia pode aumentar ou diminuir o desmatamento. A disponibilidade de tecnologias que possibilitam a agricultura em “escala industrial” pode estimular o desmatamento acelerado, enquanto a tecnologia ineficiente na indústria madeireira aumenta os danos colaterais no entorno das florestas, tornando mais provável subsequentes desmatamentos. Fatores subjacentes são raramente isolados. Ao invés disso, múltiplos fatores globais e locais exercem influências sinérgicas sobre o desmatamento tropical em diferentes localidades geográficas. 
TAXAS DE DESMATAMENTO TROPICAL
Entre 1990 a 2005,segundo a  Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO) das Nações Unidas as ilhas Comores (norte de Madagascar) se saíram mal por terem desmatado quase 60% de suas florestas entre 1990 e 2005. Burundi, na África central, foi o segundo colocado, com desmate de 47% de suas reservas florestais. Os outros cinco países que mais desmataram foram: Togo, na África Ocidental (44%), Honduras (37%) e Mauritânia (36%). Treze outros países tropicais ou insulares desmataram 20% ou mais de suas florestas entre 1990-2005.
PRESERVAR AS FLORESTAS TROPICAIS
As estratégias de preservação das florestas tropicais podem ser colocadas em prática em escala local como internacional. Em escala local, os governos e as organizações não governamentais operam junto às comunidades florestais para incentivar atividades de baixo impacto agrícola, tais como agricultura à sombra, exploração sustentável de produtos florestais não madeireiros (borracha, cortiça, sementes, plantas medicinais). Parques e áreas protegidas, que atraem turistas – ecoturismo – podem gerar oportunidades de emprego e educação para a população local, bem como criar ou estimular a economia do setor de serviços relacionados. Em escala nacional, os países tropicais devem integrar as pesquisas em andamento sobre os impactos humanos nos ecossistemas tropicais relativos ao uso do solo e aos planos nacionais de desenvolvimento econômico. Para as florestas tropicais sobreviverem, os governos devem desenvolver cenários realistas de desmatamento futuro, que levem em conta o que os cientistas já informam sobre as causas e consequências do desmate, incluindo a derrubada não intencional resultante da construção de estradas, incêndios acidentais, cortes seletivos e incentivos ao desenvolvimento econômico (como concessões para exploração de madeira e subsídios agrícolas).

fonte: ecodebate.com.br
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