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domingo, 22 de janeiro de 2012

VOÇOROCA, RAVINA


Sulcos, ravinas e voçorocas - isto é; formação de grandes buracos de erosão causados pela chuva e intempéries, em locais onde a vegetação é escassa e não mais protege o solo que fica cascalhento e suscetível de carregamento por enxurradas.....



Estão presentes em praticamente todo o Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil e geralmente estão associados ao uso do solo, ao substrato geológico, ao tipo de solo, às características climáticas, hidrológicas e ao relevo. O desenvolvimento das ravinas e voçorocas descrito na literatura brasileira é geralmente atribuído a mudanças ambientais induzidas pelas atividades humanas.
A grande maioria de trabalhos na literatura sobre as ravinas e voçorocas mostra que sua ocorrência está associada a formações sedimentares arenosas, mas há também exemplos de voçorocas em solos provenientes de rochas cristalinas. Segundo alguns trabalhos, a geologia das regiões do embasamento cristalino, com suas abruptas variações laterais, influi intensamente na propagação do voçorocamento. Contatos geológicos, diques ou até mesmo bandas internas à rocha de composição diferente são suficientes para acelerar, impedir ou desviar a propagação de uma voçoroca.
Basicamente, há duas formas de se começar uma voçoroca; a primeira é pelo corte de um talude (a parte lateral de um morro) para a construção de uma estrada ou utilização de espaço, ou para se aproveitar o material em aterros (chamados empréstimos) em outros locais, ou ainda para possibilitar uma mineração.
Evidente é que, o corte de um terreno carrega consigo toda a vegetação e a terra fértil nele existente. Supondo que não se faça uma recuperação rápida na parte cortada, ela ficará exposta ao impacto direto da chuva e, também, às correntezas das chuvas passando por cima dela. Começa, então, a acontecer o fenômeno denominado erosão, que é o transporte do material terroso pelas águas.
A outra forma de acontecer uma voçoroca é pelo desmatamento. Os vegetais, não importando seus tamanhos, têm raízes que funcionam com "presilhas" do solo; as árvores agem como "guarda-chuvas" do solo, e a vegetação em geral age como um redutor de velocidade das águas que correm no solo. No desmatamento, as "presilhas" ficam frágeis; sem a árvore, desaparece o "guarda-chuvas", possibilitando o impacto direto que "machuca" o terreno; já, sem a vegetação, principalmente a rasteira, a velocidade das águas fica aumentada sobre o terreno, possibilitando alastrar a "ferida" da terra. Em outras palavras, vai havendo o arraste de material terroso e, com o tempo, a "ferida" do solo vai aumentando em profundidade e largura.
A primeira delas, que começa na voçoroca e se estende até os caminhos próximos para onde estiverem indo às águas, é a promoção da infertilidade na região da voçoroca e depois dela, pois haverá um cobrimento das camadas férteis adiante (desertificação ou aridez), visto que quase todos os terrenos têm uma camada de solo fértil por cima. No caso, essa camada, quando arrastada, promoverá, de imediato, a infertilidade. No campo, onde se retira a vegetação para dar lugar às pastagens, volta e meia a natureza se vinga pelo alagamento das próprias áreas de pastagens, visto que os rios principais, de tão assoreados, isto é, preenchidos com o material terroso para eles carregados, começam a procurar caminhos preferenciais para o escoamento das águas que seus leitos primitivos não conseguem mais transportar. Além disso, o alagamento irá destruir as árvores restantes pelo afogamento de suas bases acima do solo.
Outra consequência é que, os rios naturais passam a ter seus leitos (suas calhas) assoreadas, soterrando toda a flora e fauna situadas nessas calhas, e que são os alimentos dos animais que dependem do fundo. O soterramento dos vegetais e de pequenos animais de fundo faz com que esses morram e essa matéria orgânica morta comece a dar origem a reações bioquímicas que irão prejudicar a qualidade das águas, como um todo.
O outro efeito é que, esse material terroso, no caso das zonas urbanas, vai também sendo levado para o leito dos rios e canais (assoreamento) e para as galerias de águas pluviais.
Nas cidades, tanto o enchimento das calhas dos rios e canais, quanto o enchimento dos bueiros e tubulações de água pluviais, dificultarão o livre escoamento das águas de chuva e, com isso, ficará facilitado o processo das enchentes urbanas.
Com tudo que foi falado, fica claro que cuidados preventivos devem ser tomados quando se pretende alterar a natureza dos terrenos, pois os custos para acertar as consequências serão bastante altos.
No Estado de São Paulo, os trabalhos mostram que a predominância de erosões lineares está associada aos arenitos com cimentação carbonática.
A influência do relevo no desenvolvimento de ravinas e voçorocas no Estado de São Paulo é enfatizada por vários estudiosos, que as relacionam especialmente à forma e à declividade das vertentes. Em estudos realizados verificou-se a ocorrência de ravinas e voçorocas nas proximidades de Casa Branca e nas Folhas de Piracicaba, Rio Claro, São Pedro e Itirapina, e que 95% dessas erosões se desenvolveram em encostas convexas. Conclusão semelhante foi observada em voçorocas da cidade de Franca e na região de Casa Branca.
Já em estudos realizados na bacia do Rio Maracujá (MG)  e na alta bacia do Rio Araguaia (GO/MT), mostraram-se que grande parte das voçorocas se desenvolve nos setores côncavos das cabeceiras de drenagem, com formas anfiteátricas (concavidades ou “hollows”). Estas formas propiciam a convergência natural das águas superficiais e subsuperficiais, favorecendo os movimentos de massa e o desenvolvimento de voçorocas.
As voçorocas atuais, que são mais frequentes nas concavidades do relevo, muitas vezes representam feições erosivas antigas, numa prova de que a erosão é recorrente e que tende a avançar pelas mesmas rotas já seguidas anteriormente, certamente devido ao condicionamento hídrico subsuperficial. Tal fato foi comprovado em estudos que constataram que uma das voçorocas estudadas segue a trajetória de um antigo canal erosivo.
Chama-se, também, a atenção para voçorocas com crescimento não concordante com o gradiente topográfico local, que conduziu ao estudo da hidrologia subterrânea, dada a impossibilidade dos fluxos superficiais explicarem esta propagação anômala. Dados de levantamento geofísico por eletrorresistividade sugerem que o crescimento desta voçoroca se deu em direção a uma zona subsuperficial com grande afluxo de água subterrânea. Levantamentos de campo demonstraram que estes afluxos de água acontecem ao longo de estruturas geológicas, principalmente fraturas e falhas.
Quanto à influência da cobertura pedológica no desenvolvimento de ravinas e voçorocas, observa-se concordância no que se refere a maior suscetibilidade dos solos de textura arenosa e média. Apesar de mais restrita, há possibilidades de desenvolvimento de ravinas e voçorocas em solos argilosos como os Latossolos Vermelho Escuro observados na região de Casa Branca. Neste caso, o desenvolvimento de voçorocas deve-se principalmente à presença de um horizonte C altamente erodível, proveniente da alteração de arenitos feldspáticos com intercalações de argilitos e siltitos pertencentes à Formação Aquidauana, que facilita o aprofundamento erosivo e a interceptação do lençol freático, desenvolvendo fenômenos de piping (processos de erosão interna no solo).
Conclusão semelhante é manifestada com relação ao desenvolvimento de voçorocas em terrenos cristalinos constituídos por granitóides da região de Cachoeira do Campo, Minas Gerais, que considera como principal condicionante a existência de um horizonte C de textura arenosa pouco coerente e extremamente erodível.

Como recuperar uma voçoroca a baixo custo
Consiste basicamente no controle da erosão na área à montante ou cabeceira da encosta, retenção de sedimentos na parte interna da voçoroca com práticas simples e materiais de baixo custo, e por último, a revegetação das áreas de captação (cabeceira) e interna da voçoroca com espécies vegetais que consigam se desenvolver adequadamente nesses locais.
O isolamento da área do pastoreio de animais com cerca de arame, e a construção de aceiros, contra queimadas, são as primeiras atividades a serem realizadas para que se possa proteger a cobertura vegetal existente e a que futuramente será implantada através da revegetação. Nesse mesmo sentido deve se iniciar os trabalhos de controle de formigas cortadeiras que são grandes inimigas no estabelecimento das mudas de árvores que serão plantadas na área.
O passo seguinte é a análise química e textural do solo da área, para se conhecer sua fertilidade e textura. Essas informações serão úteis na determinação da necessidade de aplicação de nutrientes na forma de fertilizantes, para as espécies florestais a serem implantadas, e também, no dimensionamento de práticas de controle da erosão.
Os laboratórios onde se realizam análises de terra são geralmente encontrados em universidades, instituições de pesquisa agropecuária, laboratórios particulares, etc., bastando o produtor coletar as amostras devidamente, identificar e enviá-las para o local mais próximo.
A coleta das amostras é uma etapa muito importante pois é aí que se tem a representação das reais condições do terreno. Para tanto, o produtor deve dividir a área em glebas homogêneas, como por exemplo, dividir a encosta ou morro em parte superior, médio e inferior, ou outra condição que diferencie a área, e retirar as amostras com uso de trados de amostragem de solo ou enxadão nas profundidades de 0 a 20 cm. Devem ser amostradas 20 a 40 amostras simples para cada amostra composta se a área tiver até 2 ha, e 15 a 20 amostras simples para cada amostra composta, para áreas de até 10 ha. Depois de coletadas as amostras simples, deve-se misturá-las em um recipiente para formar as compostas, tendo-se o cuidado de utilizar a mesma medida em todas as amostras simples. Para se obter uma amostragem homogênea da área é recomendado coletar as amostras no caminhamento em zigue-zague. Para maiores informações sobre a forma de coletar as amostras de solo.

Uma boa análise de solo depende da correta amostragem da área. Para tanto, recomenda-se seguir rigorosamente as instruções abaixo:

Exemplo de retirada de amostras de um terreno de baixada ( amostra 1 ) e de meia encosta ( amostra 2 ). As áreas dentro dos círculos não devem ser amostradas.


Como retirar amostras de terra e identificá-las: 

  1. Dividir a propriedade em áreas uniformes de até 10 hectares, para retirada de amostras. Cada uma destas áreas deve ser uniforme quanto a cor, topografia textura e quanto as adubações e calagens que recebeu. Áreas pequenas, diferentes da circunvizinha, não deverão ser amostradas juntas. 
  2. Cada uma das áreas escolhidas deverá ser percorrida em ziguezague, retirando-se, com um trado, de 15 a 20 pontos diferentes, que deverão ser colocadas juntas em um balde limpo. Na falta de trado poderá ser usado um tubo ou uma pá. Todas as amostras individuais de uma mesma área uniforme deverão ser muito bem misturadas dentro do balde, retirando-se uma amostra final de aproximadamente 200gr.
  3. As amostras devem ser retiradas da camada superficial do solo, até a profundidade de 20 cm, tendo antes o cuidado de limpar a superfície dos locais escolhidos, removendo as folhas e outros detritos. 
  4. Não retirar amostras de locais próximos a residência, galpões, estradas formigueiros, depósito de adubo, etc. Não retirar amostra quando o terreno estiver encharcado. 
Após a obtenção do resultado da análise é ideal que a sua interpretação seja realizada por profissionais da área de ciências agrárias.

Nome
Voçoroca vem do guarani iby (terra) e soroc (fenda), podendo ser traduzido por erosão.
O que é
Entende-se como erosão, o processo de deslocamento de terra ou rochas de qualquer superfície.

Como acontece
Mudanças na temperatura ou alterações no fluxo dos ventos são alguns dos fatores que podem causar o fenômeno geológico sem a interferência humana. Conclui-se, então, que o fenômeno pode ter causas naturais. Todavia, ações, como o desmatamento, podem acentuar o processo erosivo, acarretando em desmoronamentos e grandes perdas ao meio ambiente. Quando se tira a cobertura vegetal de uma região, toda a água que era antes absorvida pelas árvores, infiltra-se no solo, levando embora vários nutrientes deste, que, além de ficar mais pobre, torna-se mais suscetível a deslocamentos e buracos.
Quando os causadores de uma erosão atingem um solo, ele se torna frágil, mais arenoso e pobre em nutrientes. Então, enquanto várias gotículas de água da chuva infiltram-se  nele afim de chegarem aos lençóis freáticos, vão se abrindo pequenos sulcos na superfície da terra, desagregando as partículas que, uma vez unidas, fortalecem a estrutura do terreno.
Depois que o “buracão” já está formado, a tendência dele é ficar ainda maior e, a terra que a chuva leva, causar o assoreamento dos rios, aumentando o risco de enchentes. As redes de esgoto também podem ficar comprometidas por conta do processo.

Onde acontece
A erosão pode ser pluvial, fluvial, marinha, glacial ou eólica.
Em solos mais arenosos, como em algumas localidades da região Central do Brasil, as fendas podem chegar a 50 metros de profundidade. Os solos pouco ricos dos cerrados estão mais propensos à formação de ravinas. O Pantanal é também uma das regiões mais afetadas pelo problema. A bacia doTaquari representa 36% da área do Pantanal matogrossense e já está comprometida pela voçoroca, já que o assoreamento do leito do rio tem causado sérias consequências por lá.

Como resolver
Embora prevenir erosões seja o mais aconselhável, se a voçoroca já existir, há algumas medidas que podem ser tomadas para que ela não aumente:
  • O replantio em áreas degradadas,visando enriquecer a matéria orgânica do solo;
  • Suspender a deposição de lixo na região.
  • Além destas alternativas,várias outras iniciativas são tomadas pelo governo ou até mesmo por pessoas físicas para impedir o avanço das voçorocas. Algumas são ações que envolvem altos custos.
  • O problema tem sido visto como uma praga nacional e tem causado danos à agricultura, perda de animais e casas e desvalorização

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Um comentário:

tai disse...

Excelente artigo! Bastante prático!