A humanidade tem monopolizado os recursos hídricos, transformando-os em commodities, sem respeito aos direitos da água e nem ao direito que as demais espécies vivas devem ter ao acesso às mesmas fontes da sobrevivência.
Tudo é água. Com os reservatórios em seus patamares historicamente mais baixos, o Brasil começa a conviver com a assustadora sobra de escassez do liquido insubstituível, sem o qual não há vida e a economia para. A água é fundamental para a existência e a manutenção da vida. mesmo assim é desperdiçada e poluída, sem o menor cuidado, como se não precisássemos tanto dela. As mudanças climáticas criam um descompasso no planeta. Enquanto em alguns lugares ocorre seca recorde, em outros nunca choveu tanto. Para se ter um ideia, em janeiro de 2014 choveu somente 40mm em Pirapora/MG, sendo que era esperado 246,6 mm. Consequência: o leito do rio São Francisco secou pela primeira vez na história. Por outro lado, em Porto Velho/RO no mesmo mês choveu 411mm sendo que o esperado era 279mm. Consequência: as chuvas intensas deixaram ruas alagadas e mais de 1000 famílias desabrigadas. Há uma contestação incontornável: o planeta passa por drásticas mudanças climáticas que fazem proliferar cenários extremos.
O rio São Francisco, um dos mais belos patrimônios
naturais do Brasil, está morrendo graças à ambição, avidez, sofreguidão e
cobiça do ser humano. A sêde do lucro parece ser maior do que a sêde d’água. O
Rio São Francisco tem 2,7 mil quilômetros de extensão, corta 5 estados
Brasileiros (MG, BA, PE, AL e SE) e sua bacia abarca 500 municípios, com uma
população aproximada de 15 milhões de habitantes. As atividades antrópicas se
alimentam das riquezas do rio, usam a sua energia e devolvem sujeira e
poluição. O rio está pedindo socorro, mas em vez de um projeto de recuperação e
revitalização, o que o Governo Federal propõe é sugar mais água do leito, por
meio da transposição. Mas o volume de água está diminuindo e o assoreamento
está aumentando. Um rio que já foi navegável está virando uma pista de barro
seco. Mas governo, com o projeto de transposição e a oposição, que não tem
coragem de se opor, querem somente tirar mais água como se a fonte fosse
inesgotável.
Pela primeira vez na história, a nascente do “Velho
Chico”secou na Serra da Canastra, no município de São Roque de Minas. Este
desastre anunciado aconteceu por conta do desmatamento e do fogo que eliminaram
a vegetação que retêm as águas e abastecem os lençóis freáticos. O Parque
Nacional da Serra da Canastra foi criado em 1972 com o objetivo de proteger uma
área de 200 mil hectares, mas somente 71.525 hectares estão demarcados e parcialmente
protegidos. O rio São Francisco está sofrendo com o assoreamento, o desmate das
matas ciliares, a erosão, o sobre uso das águas, os represamentos, a poluição
dos esgotos e dos efluentes industriais, a contaminação de metais pesados e os
agrotóxicos. A pesca predatória agrava a ameaça de extinção de peixes como o
Surubim, o Dourado e outros peixes de piracema. A migração entre locais de
alimentação e de reprodução é impedida pelas barragens hidrelétricas que são um
dos principais obstáculos para a reprodução destes peixes.
Por ironia, a falta de água já compromete os
grandes lagos das represas hidrelétricas que represam e impedem o livre fluxo
das águas. Em Pirapora, município do
norte mineiro, há um dos mais belos trechos do “Velho Chico” que atualmente
(novembro de 2014) está em filetes d’água há semanas. Em alguns pontos, debaixo
das duas pontes na cidade, atravessa-se a pé onde havia forte correnteza. Sem
dúvida, as diversas nascentes do Velho Chico estão sendo degradadas. Nas
últimas décadas, o São Francisco já perdeu três dos 16 afluentes perenes. Os
rios Verde Grande, Salitre e Ipanema tornaram-se temporários, reduzindo o
volume de água disponível para navegação, irrigação, pesca e geração de
energia.
Por exemplo, o Parque das Andorinhas que foi criado
para proteger a nascente do rio da Velhas, principal afluente do rio São
Francisco, não consegue evitar as atividades ilegais de mineração e
desmatamento que acabam destruindo as fontes de água. A mineração da pedra Ouro
Preto que é usada como piso de casas e jardins provoca uma grande erosão do
solo, pois a terra em volta do quartizito é retirada e levada pelas chuvas,
assoreando toda a área. Esta situação é agravada pelo desmatamento e pelas
queimadas realizadas pela população pobre dos morros de Santana e São
Sebastião, em Ouro Preto, Minas Gerais, que utilizam o fogo para fazer pastagem
e para a retirada de lenha para ser usada fonte de energia nas cozinhas. Estas
atividades causam danos irreparáveis, pois retiram boa parte das matas
ciliares, de cabeceira e demais formações vegetais essenciais à proteção das
águas das nascentes, reduzindo o fluxo de água do leito dos córregos. Como
resultado, o volume de água da Cachoeira das Andorinhas vem diminuindo ano a
ano, esvaziando o rio das Velhas. O abastecimento urbano da Grande BH vem
captando enorme quantidade de água para
atender 51 cidades da região metropolitana de Belo Horizonte . O que sobra para o leito do rio é muito pouco
após a retirada de água além da capacidade.
O resultado de tudo isto é que a quantidade de água
que chega à foz do São Francisco está diminuindo. Vários povoados ribeirinhos estão
sendo evacuados. O processo de avanço do mar é atribuído à degradação das
nascentes, ao sobreuso das águas e às represas construídas no Rio São
Francisco, como a Usina Hidrelétrica do Xingó, que reduziram a vazão do Velho
Chico e abriram espaço para o mar. Extensões do rio tiveram suas águas
salinizadas, inviabilizando as culturas agrícolas das margens. Este processo de
avanço dos oceanos não ocorre somente no rio São Francisco. A elevação do nível
do mar, entre outras ameaças, prejudica os deltas dos principais rios do mundo.
Para a tristeza geral, o “Velho Chico”está morrendo
desde as nascentes até a foz. Evidentemente falta decisão política e recursos
para recuperar as nascentes e evitar o assoreamento e o sobreuso das águas. Uma
mobilização da sociedade civil em defesa do meio ambiente, da água e dos rios
poderia ser a alternativa. Mas parece que as autoridades públicas consideram
mais fácil e mais lucrativo fazerem grandes obras, executadas por grandes
empreiteiras que vão dar material para o caixa 2 das campanhas e o marketing
eleitoral.
A atual crise hídrica do Brasil é apenas um alerta,
pois situações piores devem acontecer nas próximas décadas. As agressões à
natureza precisam diminuir e o modelo de desenvolvimento precisa ser repensado.
O que está acontecendo no Brasil é parte do que acontece em qualquer lugar,
quando se desrespeita a vida de milhões de outras espécies e os direitos da
água. Ao invés de se preocupar em ser a quarta ou a quinta potência mundial, o
Brasil deveria se reconciliar com seu espaço natural, respeitando-o.
PARA SABER MAIS CLIQUE AQUI e AQUI
http://bibocaambiental.blogspot.com.br/2014/09/secou-historica-nascente-do-rio-sao.html
Fonte: http://www.ecodebate.com.br / revista veja /
http://bibocaambiental.blogspot.com.br/2014/09/secou-historica-nascente-do-rio-sao.html
Fonte: http://www.ecodebate.com.br / revista veja /
O maior problema é ganância das empresas e um política com má administração do governo federal. Não esquecendo todos nós meros mortais somos os culpados.
ResponderExcluirSobradinho
ResponderExcluirSá e Guarabyra
O homem chega, já desfaz a natureza/
Tira gente, põe represa, diz que tudo vai mudar/O São Francisco lá pra cima da Bahia/Diz que dia menos dia vai subir bem devagar/E passo a passo vai cumprindo a profecia do beato que/ dizia que o Sertão ia alagar/
O sertão vai virar mar, dá no coração
O medo que algum dia o mar também vire sertão /Adeus Remanso, Casa Nova, Sento-Sé/Adeus Pilão Arcado vem o rio te engolir/Debaixo d'água lá se vai a vida inteira/Por cima da/cachoeira o gaiola vai, vai subir/
Vai ter barragem no salto do Sobradinho/E o povo vai-se embora com medo de se afogar./Remanso, Casa Nova, Sento-Sé/Pilão Arcado,/Sobradinho Adeus, Adeus ...