
Os cientistas ainda não têm uma explicação acabada para o que vem acontecendo. Mas há sinais evidentes de que algo está mudando na superfície terrestre. A temperatura média global esta subindo. Os cinco anos mais quentes do século XX foram registrados na década de 80. A maioria dos climatologistas concorda que conclusões definitivas só poderão ser tiradas daqui a alguns anos, mas, de todo modo, é virtualmente cerco que essas variações têm a ver com a ação do homem.

Mas
é preciso cautela com essas hipóteses. Ainda não foi possível manter o
acompanhamento do que se passa com a atmosfera em todos os pontos ao redor do
planeta ao mesmo tempo. Será que somente a quantidade de gás carbônico que o
homem lança no ar teria realmente o poder de provocar tantas mudanças? Elas
podem ser parte de algum ciclo climático ainda desconhecido. Todas essas
circunstâncias só fazem aumentar o interesse pelas catástrofes naturais e o que
elas podem ensinar sobre as forças inerentes ao planeta. Por isso a atenção se
volta não apenas para as desgraças causadas por fenômenos climáticos— como
secas, inundações, incêndios florestais —mas também para aquelas que se relacionam com a
dinâmica íntima da Terra: terremotos,
erupções vulcânicas, erosões.

Os terremotos,
como se sabe, têm suas origens nos movimentos das placas tectônicas —
imensos blocos de rocha rígida — que se deslocam sobre a astenosfera, a camada
menos rígida do manto, que fica
logo abaixo da superfície da Terra. É muito difícil saber com precisão quando
um sismo vai ocorrer. Um dos caminhos é observar continuamente os abalos que
ocorrem em determinada região, fazendo o que se chama monitoramento sísmico, estando-se
alerta a qualquer mudança na atividade desses abalos.
As
erupções vulcânicas têm a mesma origem dos
terremotos: os movimentos das placas tectônicas. Os efeitos, naturalmente,
variam. A erupção do Vulcão Kilauea no Havaí, em 1987, foi suave perto da
destruição causada pelo Nevado del Ruiz, na Colômbia, em 1985. A razão
principal da tragédia foi a mistura de lava, gelo e barro, que se transformou
em verdadeiro, arrasando os lugares por onde passava. Um rio de lava pode
alcançar velocidades de até 100 quilômetros por hora e percorrer centenas de
quilômetros. Ele se forma quando a erupção do vulcão derrete a neve em volta da
cratera. Tanto os terremotos quanto as erupções vulcânicas submarinas podem
provocar os tsunamis — gigantescas ondas de até 50 metros de altura que
se deslocam a cerca de 200 metros por segundo, o equivalente a 720 quilômetros
por hora, mais depressa do que um avião a hélice. A explosão do Krakatoa, na Indonésia, em 1883,
levantou tsunamis que arrasaram as ilhas de Java e Sumatra e três centenas de
aldeias e vilarejos.
Os
furacões ou tufões também são devastadores:
ventos com velocidades acima de 100 quilômetros horários se originam no mar,
devido ao encontro de duas massas de ar com temperaturas diferentes. Gera-se
então um ciclone, núcleo de baixa pressão, com fortes ventos que provocam
vagalhões, muralhas de água com mais de 10 metros de altura. Estas, muitas
vezes, chegam a alcançar a costa, espalhando destruição. A mesma queda de
pressão capaz de elevar violentamente o nível das águas do mar pode formar em
terra os tornados: ventos de até 500 quilômetros por hora, que arrancam árvores
e casas. Dependendo do lugar onde aparecem, esses fenômenos recebem nomes
diferentes:
- furacões, nos Estados Unidos, onde costumam ocorrer de julho a outubro;
- tufões, que surgem entre julho e outubro na China;
- ciclones, na Índia, de abril a junho e de setembro a dezembro;
- ciclones tropicais, entre dezembro e março nas Filipinas;
- willy-willies de dezembro a março na Austrália.
Os
deslizamentos de terra nas zonas montanhosas,
provocados pelas chuvas, são especialmente numerosos e destrutivos nas áreas
mais povoadas dos países do Terceiro Mundo, porque não se faz o planejamento do
uso do solo.
Além
da terra, do vento e da água, o fogo também pode se tornar um inimigo difícil
de ser combatido.
Os
incêndios florestais de origem natural atuam
como mecanismos de controle e de regulação das matas —
algo muito diverso dos efeitos do fogo ateado pelo homem. No Brasil,
as queimadas na Amazônia destinadas a incorporar à pecuária novas extensões de terra têm sido um escândalo
internacional. A capa vegetal do planeta, mais precisamente as selvas e
florestas, tem importante missão a cumprir, regulando o regime de chuvas e o
clima. Também mantém os solos compactos e firmes, favorecendo a circulação das
águas e impedindo a erosão, grande inimiga desses ecossistemas. Com os
incêndios, o equilíbrio se rompe, os solos se desnudam e ficam frágeis. Se essa
situação se prolongar, o ambiente fresco e úmido da floresta se tornará aos
poucos tórrido e seco. O Deserto do Saara foi há 70 milhões de anos uma
exuberante floresta. A desertificação é um fenômeno complexo no qual influem
alguns fatores como o clima e a atividade humana. Esse conjunto de interações
provoca a drástica diminuição das chuvas durante prolongados períodos de tempo.
A evaporação e a diminuição do fluxo das correntes de água acabam por
transformar a região em deserto.
Sobretudo
na África, as secas se intensificaram ao longo do século por causa do
desmatamento. As instituições internacionais deram o alarme desde o início do
processo, não só pelas consequências imediatas sobre o meio ambiente, mas
também porque as secas propiciam o aparecimento de um dos desastres naturais
mais temidos pelo homem: as pragas de insetos, sobretudo gafanhotos. Esses
vorazes devoradores de vegetais sobrevivem em áreas distantes e semidesérticas,
onde é muito difícil localizá-los e combatê-los.
Os
desastres naturais representam uma ameaça crescente para a população humana,
que não cessa de crescer, e para os bens materiais que ela produz. No início do
século, a Terra era habitada por 1,6 bilhão de pessoas. Hoje, esse número
cresceu para 7 bilhões e prevê-se que, daqui a cinquenta anos, a cifra se eleve
a 12 bilhões. Se as forças naturais seguirem atuando no mesmo ritmo, o risco de
perdas de vidas humanas pode duplicar. Essa é a principal motivação da campanha
da ONU para reduzir os efeitos dos desastres naturais. O planejamento do futuro
requer uma série de medidas que permitam identificar as zonas mais vulneráveis,
organizar melhor o uso do solo, aperfeiçoar o fornecimento de serviços
essenciais como água encanada, gás e eletricidade, fazer construções capazes de
resistir ao desgaste de seus componentes. E, sobretudo educar as populações
para torná-las aptas a se auto proteger e colaborar eficazmente nos trabalhos de
salvamento e reconstrução.
PARA SABER MAIS CLIQUE AQUI / AQUI / AQUI / AQUI
PARA SABER MAIS CLIQUE AQUI / AQUI / AQUI / AQUI
fonte: super/uol/cienciashoje/
Nenhum comentário:
Postar um comentário
CAROS LEITORES, SEJAM BEM VINDOS!