O Pantanal Mato-Grossense é considerado a maior planície alagada contínua do mundo, uma imensa área de sedimentação e inundação cuja fonte provém do planalto que o circunda.
NASCIMENTO

Por sofrer assoreamento constante, a drenagem das águas na depressão sedimentar
é lenta, gerando alagamentos.
Ademais, as águas superficiais ficam
retidas, estranguladas no seu curso por
um gargalo geológico formado por elevações à jusante, chamadas “Fecho dos Morros do Sul”, no
Paraguai.
A depressão está localizada no alto curso do Rio Paraguai,
que integra a grande bacia do Prata, um complexo sistema hídrico alimentado por
águas vertidas “de fora para dentro” –
das beiradas dos planaltos à leste (do planalto central e desde a Serra do
Mar), da cordilheira andina à oeste e do
planalto amazônico ao norte – para o
interior do continente, em direção ao
sul, até a foz do Rio da Prata, onde irá
alimentar o frio Oceano Atlântico – Sul com enorme volume de água doce provinda
da quente região equatorial. Esse
incrível “sistema invertido” banha cinco países e forma a segunda maior
bacia hídrica da América do Sul, a qual reponde
por 60% da geração de energia por hidrelétricas no continente. O
pantanal recebe, portanto, influência direta de três importantes biomas:
Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica. Não fosse, portanto, pelo grande fluxo de
água na região e pelo fato de resultar em um grande reservatório, que armazena
as águas que escoam dos planaltos circundantes, o pantanal seria tão seco
quanto a caatinga.
VIDA
Sobre essa formação
hidro-geológica desenvolveu-se todo um bioma, o Complexo do Pantanal,
coberto por uma formação de cerrado com a região alagada coberta de vegetação
rasteira, de planície – formando uma “savana estépica”, com 250 mil km² de extensão, e altitude entre 90 a 200 metros acima do
nível do mar. O pantanal, por todas
essas peculiaridades, se assemelha a área subtropical próxima ao mar, em pleno
centro do continente. Não por outro motivo, animais similares aos que se encontram
no oceano e regiões costeiras, existem no pantanal.
Já foram catalogadas ali cerca de 263 espécies de peixes, 41
espécies de anfíbios, 113 espécies de répteis, 463 espécies de aves e 132
espécies de mamíferos – sendo 2
endêmicas (ou seja, só existem ali). Foram também catalogadas quase duas mil
espécies de plantas – identificadas e classificadas inclusive de acordo com seu
potencial medicinal. Seres humanos também compõe a fauna local, e formam uma
grande riqueza cultural, pelas comunidades tradicionais indígenas, de quilombolas e de pantaneiros. Tamanha é sua biodiversidade,
que o Pantanal foi considerado pela UNESCO, Patrimônio Natural Mundial e
Reserva da Biosfera. O governo
brasileiro instituiu na região o Parque Nacional do Pantanal. Porém, segundo o
Ministério do Meio Ambiente, apenas 4,6% do Pantanal encontram-se protegidos
por unidades de conservação, dos quais 2,9% correspondem a UCs de proteção
integral e 1,7% a UCs de uso sustentável.
No Brasil, a região abrange o oeste do estado do Mato Grosso
e o noroeste do estado do Mato Grosso do Sul (140.000 km2 em território
brasileiro). Engloba o norte do Paraguai e o leste da Bolívia – nesses países é
chamado de chaco. As ações governamentais de preservação, no entanto,
constituem forma de retardar um processo de degradação natural previsível, hoje
acelerada pela poluição. Ocorre que o
bioma não perdeu sua característica sedimentar. Continua a ser assoreado e
está, a cada dia, sofrendo impactos decorrentes não apenas das alterações
climáticas, como também das ações humanas.
PROVÁVEL MORTE (PRÓXIMA?)
A morte do pantanal é certa. O problema é que este momento
se aproxima e pode ocorrer ainda neste século. Um estudo recentemente publicado
no livro Dynamics of the Pantanal Wetland in South America – “Climate Change
Scenarios in the Pantanal” – aponta que as planícies alagadas do pantanal
correm o risco de “sumir” até 2100. A obra é fruto de pesquisas organizadas
pelos cientístas do CEMADEN – Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de
Desastres Naturais e do CCST – INPE – Centro de Ciência do Sistema Terrestre,
do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, ambos do MCT (Ministério de
Ciência e Tecnologia). Seus autores são os professores Jose A. Marengo , Gilvan
S. Oliveira e Lincoln M. Alves.em Cachoeira Paulista. Eles tiveram o apoio da
Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo) e do INCT (Instituto
Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas).
Segundo a obra, as principais causas de risco são o aumento
da temperatura na região em até 7% e a diminuição das chuvas em até 40%. Hoje,
durante os meses de cheia – novembro a março – os rios transbordam em até 70%.
Nos meses restantes, de seca, quando as águas baixam, formam-se camadas de
sedimentos férteis que impulsionam o crescimento da vegetação e das pastagens. Todo esse rico ciclo hidrológico corre o risco de ser extinto, de
acordo com o estudo realizado pela equipe do hidrologista e meteorologista José
Antonio Marengo Orsini, do CEMADEN. “Um aumento da temperatura média de 5º C a
6 °C implicaria em deficiência hídrica,
o que afetaria a biodiversidade e a população”, observa Marengo. “Isso porque o
aumento da temperatura e diminuição das chuvas provocará o aumento da evaporação
das águas do pantanal e comprometerá drasticamente toda a sua biodiversidade”,
completa o cientista.
O estudo ressalta o aumento da temperatura mundial e projeta
para a região pantaneira um aumento em torno de 10° C, até 2100, chegando aos
50°C nos dias mais quentes (hoje, a média já chega a ultrapassar os 40°C). Estamos próximos de uma temperatura de
deserto. O fato compromete a fauna e a flora do bioma. Embora as questões
climáticas sejam uma realidade que comprometem todo o planeta, há outro perigo:
a falta de controle territorial dos governos atingidos pelo Bioma. Também
aponta o “descaso com o avanço da agropecuária e do turismo sem a devida
fiscalização”. Critica o acesso descontrolado às poucas áreas de preservação e,
também, aponta a multiplicação de atividades ilegais na região pantaneira. De
fato, o fator humano é um componente sinistro na tragédia que naturalmente se
avizinha.
Referência
http://www.theeagleview.com.br
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