
O Brasil busca trabalhar num programa internacional de conservação da espécie que abrange todos os países onde ela ocorre.
A intenção é elaborar uma estratégia de ação em
conjunto com pesquisadores para envolver toda a sociedade num programa de
proteção da espécie. Não é possível estimar a quantidade de indivíduos de
onça-pintada no país, segundo o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de
Mamíferos Carnívoros (Cenap). O tamanho da Amazônia e da população do Pantanal
dificultam o trabalho. Na Mata Atlântica e na Caatinga, a espécie está
criticamente ameaçada. Há uma população muito pequena do animal e a necessidade
de ações urgentes para conservação.

Segundo especialistas, um dos principais desafios
da preservação da espécie é a perda de território e o comprometimento do
habitat natural da onça-pintada, já que muitas das áreas foram afetadas pelo
desmatamento. A transformação do ambiente natural da espécie em atividades
agropecuárias ou pastagens nativas é crítica para o animal.
A caça predatória também se configura como um
desafio a ser superado. Fatores econômicos e culturais envolvem a perseguição à
onça-pintada, já que, entre os peões, a caça ao animal é vista como um ato de
bravura. A educação ambiental sobre a importância da espécie torna-se um aliado
do trabalho de preservação. A intenção é atingir as comunidades próximas de
onde o animal ocorre. Em locais onde há criação de gado, o animal entra em
conflito com produtores rurais.
“A onça acaba matando o gado para se alimentar.
Muitas vezes esse conflito termina na morte do animal”, alerta. A falta de
informação torna a relação com o animal conflituosa, daí a necessidade de um
trabalho ambiental que mostre a importância de mantê-lo: “É um animal que ao
mesmo tempo é adorado como um deus e odiado como um diabo. As pessoas têm medo,
acham que ele pode atacar.” Um trabalho muito forte nesse sentido é feito pela
ONG Escola da Amazônia, que trabalha para promover a relação entre homem e
onças.

Em algumas regiões, são observados casos típicos de
explosões da população de capivara e de doenças relacionadas a esse aumento
populacional, como febre maculosa, que pode afetar humanos.
Uma alternativa de quem pesquisa o tema é usar a
onça como atrativo para turistas, a exemplo do que fazem países na África, onde
esta é a principal fonte de renda para diferentes comunidades. O animal vale mais vivo do que morto. O turismo
de avistamento de animais pode ser implementado no país. No Pantanal, há um
projeto piloto de transformação de uma propriedade em ponto de referência para
turismo de avistamento de animais. A ideia é expandir para todo o Pantanal e
mostrar para os proprietários da região que se pode ter retorno econômico com a
presença da onça.
Sobre o animal – A onça-pintada é considerada
um símbolo da biodiversidade brasileira. O mamífero exerce fascínio sobre a
população desde os tempos pré-colombianos. A cultura dos povos ancestrais
esteve vinculada ao animal. Os grandes felinos são símbolos onde eles ocorrem. Os
tigres na Índia e na China; os leões na África; os leopardos na África e na
Ásia; A onça-pintada, em toda a extensão onde ela ocorre. São animais
esteticamente muito bonitos, símbolos de força e beleza.
A onça é o maior carnívoro da América do Sul. Pode
medir mais de dois metros e pesar quase 160 quilos. No Brasil, é encontrada
principalmente na Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal. Além
do Brasil, também está presente em praticamente toda a América do Sul, do norte
da Argentina ao sul dos Estados Unidos. Em cada uma das áreas, o animal está
ameaçado em algum grau de intensidade. O predador está no topo da cadeia
alimentar e é exclusivamente carnívoro. É responsável por importante função
ecológica, por regular espécies presas, como capivaras e jacarés. A onça é uma
das 627 espécies da fauna ameaçada de extinção, segundo oLivro Vermelho da
Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção.
Fonte: Terra
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